Autocompaixão é tratar-se com respeito nos dias difíceis, não passar pano para tudo
Pessoa respirando fundo em ambiente tranquilo, simbolizando gentileza consigo mesmo diante do estresse - Créditos: depositphotos.com / ZADVORNOV

A autocompaixão vem ganhando espaço nos debates sobre saúde mental e bem-estar. Longe de ser indulgência, é um cuidado realista consigo mesmo: reconhecer limites, acolher falhas e manter uma postura humana diante das dificuldades, favorecendo equilíbrio emocional em um contexto de ansiedade e estresse crescentes.

O que é autocompaixão na prática

A palavra-chave principal, autocompaixão, é a capacidade de tratar a si mesmo com a mesma gentileza que se teria com alguém querido em um momento difícil. Envolve aceitar que sofrimento, fracasso e imperfeição fazem parte da vida, sem fugir da responsabilidade pelos próprios atos.

No dia a dia, aparece em atitudes como reconhecer o cansaço sem culpa ou entender que um mau resultado não define o valor de uma pessoa. Em geral, inclui três elementos básicos:

  • Autobondade: falar consigo de forma respeitosa, evitando insultos internos.
  • Humanidade compartilhada: lembrar que erros e dificuldades são comuns a todos.
  • Atenção plena (mindfulness): observar pensamentos e emoções sem exagero nem negação.

Leia também: Meditação se espalha como forma simples de autocuidado para a alma.

Por que a autocompaixão não é sinal de fraqueza

Muitos associam ser gentil consigo mesmo à falta de disciplina, mas estudos em psicologia mostram o oposto. A autocompaixão está ligada a maior resiliência, motivação estável e aprendizado com erros, pois reduz o medo de falhar e favorece novas tentativas.

Enquanto a autocrítica extrema gera vergonha e paralisação, a autocompaixão cria um ambiente interno mais seguro. No trabalho, por exemplo, pessoas autocompassivas lidam melhor com feedbacks, prazos e mudanças, sem ignorar seus limites emocionais.

Como desenvolver autocompaixão no dia a dia

Força emocional também é saber acolher limites.
Cena simples de autocuidado, simbolizando atenção plena e respeito aos próprios limites – Créditos: depositphotos.com / Ischukigor

A autocompaixão pode ser desenvolvida aos poucos, com pequenas mudanças no diálogo interno. Não se trata de frases prontas, mas de um modo mais realista e acolhedor de lidar com pensamentos e emoções, mantendo a responsabilidade pessoal.

Alguns passos úteis para quem é muito autocrítico ou perfeccionista:

  • Observar o diálogo interno: perceber como reage diante de erros e notar frases duras dirigidas a si.
  • Reformular a linguagem: trocar críticas agressivas por falas mais realistas, como “isso foi difícil”.
  • Reconhecer emoções: permitir frustração ou tristeza sem se julgar.
  • Comparar com o cuidado a um amigo: perguntar como apoiaria alguém querido na mesma situação e usar o mesmo tom consigo.
  • Estabelecer limites saudáveis: dizer “não” a excessos como forma de respeito próprio.

Veja com psicologo.mateus 5 exercícios de autocuidado:

@psicologo.mateus

Um exercício de #AUTOCOMPAIXÃO A autocompaixão é a capacidade de tratar-se a si mesmo com a mesma gentileza, preocupação e apoio que teria com alguém querido. #autoestima #autoconhecimento

♬ som original – Psicólogo Mateus

Autocompaixão atrapalha metas e produtividade

Uma dúvida comum é se a autocompaixão leva à acomodação, mas pesquisas indicam que isso é raro. Pessoas mais gentis consigo mesmas retomam tarefas com mais rapidez após falhas, pois não ficam presas à culpa.

Em vez de reduzir a ambição, a autocompaixão ajuda a criar metas mais realistas, alinhadas a tempo, energia e recursos, sustentando resultados no longo prazo. Assim, torna-se um recurso importante para lidar com as pressões atuais, preservando produtividade e bem-estar emocional.