Terapia é a ferramenta mais poderosa para o autocuidado
Por meio da terapia, é possível fortalecer o equilíbrio emocional. | Créditos: depositphotos.com / tonodiaz

Cuidar da mente sem romantizar o sofrimento é valorizar a saúde mental sem transformar a dor em algo desejável ou admirável. Significa reconhecer que sentimentos difíceis fazem parte da vida, mas não devem ser exaltados, normalizados em excesso nem usados como desculpa para ignorar cuidados adequados.

O que significa romantizar o sofrimento na saúde mental

Romantizar o sofrimento emocional é tratar a dor como prova de força, profundidade ou maturidade. Em vez de enxergá-la como um sinal de alerta, a pessoa passa a usar o sofrimento como identidade ou até meta, o que pode fazê-la subestimar a própria necessidade de ajuda.

Isso aparece quando tristeza é ligada automaticamente à criatividade, exaustão é vista como orgulho ou quando depressão e ansiedade são tratadas como algo “bonito” ou “estiloso”. Assim, a dor deixa de ser algo a ser cuidado e vira, de forma equivocada, um traço admirável.

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Como a romantização do sofrimento aparece na prática

A saúde mental começa quando o sofrimento deixa de ser normalizado.
Cena tranquila com luz suave, representando acolhimento emocional e pausa consciente — Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina

No dia a dia, a romantização surge em frases que incentivam trabalhar até o esgotamento, em conteúdos que associam transtornos mentais a “charme” ou em posts que normalizam insônia, abuso de substâncias e falta de descanso, muitas vezes com tom de humor ou motivação.

Essas mensagens podem atrasar a busca por ajuda, dificultar o diagnóstico e reforçar a ideia de que “aguentar tudo sozinho” é sinal de força, quando isso pode representar um risco à saúde.

Como cuidar da mente sem minimizar ou exaltar a dor

Cuidar da saúde mental sem romantizar o sofrimento é encarar emoções difíceis com seriedade, sem negá-las nem transformá-las em ideal. Em vez de frases prontas ou incentivo à superação solitária, prioriza-se uma rotina que favoreça bem-estar e acesso a ajuda quando o sofrimento interfere na vida.

Algumas práticas frequentemente recomendadas por profissionais e que podem ser adotadas de forma gradual incluem:

  • Reconhecer sinais de alerta, como mudanças intensas de sono, alimentação, humor ou desempenho.
  • Buscar escuta qualificada, com psicólogos, psiquiatras ou serviços de apoio, quando os sintomas persistem ou pioram.
  • Organizar limites entre trabalho, estudo, descanso e lazer, evitando glorificar a exaustão.
  • Manter vínculos sociais que permitam conversas sinceras, sem pressão para estar sempre bem.
  • Cuidar do corpo, com sono mais regular, alimentação equilibrada e movimento físico dentro das possibilidades de cada um.

Veja com casolari como romantizar o sofrimento é uma armadilha:

@casolari

Romantizar a dor é uma armadilha cruel — e, muitas vezes, uma estratégia do sistema pra nos manter conformados. Se a gente trata o sofrimento como algo nobre, necessário ou purificador, acabamos normalizando condições de vida que deveriam ser combatidas, não aceitas. Compartilhe se você também tá cansado de achar que dor é destino.

♬ som original – Marcela Casolari

Por que cuidar da mente é tão importante hoje

O termo cuidar da mente ganhou destaque em um cenário de estresse alto, pressão por produtividade e exposição constante a informações. Em 2025, organizações de saúde continuam apontando aumento de ansiedade, depressão e esgotamento em diferentes idades.

Cuidar da mente vai além de evitar transtornos: envolve lidar melhor com emoções, construir relações saudáveis, tomar decisões com mais clareza e atravessar frustrações sem se destruir, valorizando pequenos ajustes diários, não apenas intervenções em crise.

Como evitar transformar o sofrimento em estilo de vida

Para que a dor emocional não vire estilo de vida, é importante ter olhar crítico sobre entretenimento, redes sociais e discursos motivacionais. Narrativas que ligam genialidade à autodestruição ou sucesso à produtividade extrema podem naturalizar hábitos prejudiciais.

Alguns cuidados práticos ajudam a questionar essas mensagens e a distinguir inspiração de pressão silenciosa, favorecendo uma relação mais responsável com o próprio sofrimento e o do outro:

  1. Observar a linguagem: fazer piada constante com sofrimento psicológico pode minimizar a gravidade da situação.
  2. Evitar comparações: medir a própria dor pela dor alheia pode levar à ideia de que “não é tão sério” e adiar a busca por ajuda.
  3. Valorizar histórias de recuperação: dar espaço a relatos que mostrem cuidado, tratamento e melhora, não só o momento mais difícil.
  4. Responder com acolhimento: diante de um desabafo, ouvir, levar a sério e, se possível, sugerir apoio profissional, em vez de incentivar o silêncio ou a resistência a qualquer custo.

Cuidar da mente é um cuidado para todos

Cuidar da mente não é exclusivo de quem tem diagnóstico. Assim como a saúde física exige prevenção, o equilíbrio emocional pode ser cultivado antes de qualquer crise.

Isso envolve refletir sobre o ritmo de vida, reconhecer limites, identificar emoções e buscar ambientes com respeito e segurança psicológica. Ver a dor como um sinal que merece atenção, e não como destino ou prova de valor, ajuda a evitar a glorificação do sofrimento e fortalece caminhos de cuidado, tratamento e apoio mútuo.