As obras da tirolesa do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, devem ser retomadas ainda no primeiro trimestre de 2026. A informação foi confirmada pela administração do Parque Bondinho, após a concessão da última licença necessária para a continuidade do projeto.
A construção está paralisada desde 2023 e liga o Pão de Açúcar ao Morro da Urca, ampliando a oferta turística do complexo.
Retomada ocorre após liberações legais
Segundo o parque, a volta das atividades acontece após o cumprimento de todas as exigências legais e técnicas. A administração afirma que o projeto segue autorizações ambientais, geológicas e de segurança definidas pelos órgãos responsáveis.
“A retomada das atividades, que acontece já neste primeiro trimestre, ocorre em conformidade com todas as autorizações e exigências legais, ambientais, geológicas e de segurança estabelecidas pelos órgãos competentes”, informou o parque.
A gestão do Bondinho também destacou que o processo está sendo acompanhado por equipes técnicas especializadas e monitoramento contínuo das áreas envolvidas.
STJ já havia autorizado continuidade do projeto
A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já havia autorizado a retomada das obras em julgamento realizado em junho do ano passado, por quatro votos a um.
Na ocasião, o colegiado rejeitou um recurso do Ministério Público Federal, que pedia a suspensão da obra por risco de danos irreversíveis ao patrimônio natural e histórico da área.
O voto vencedor foi do relator, ministro Francisco Falcão, acompanhado pelos ministros Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela. A ministra Maria Thereza de Assis Moura foi a única a votar contra, defendendo a paralisação até o julgamento final da ação civil pública.
Para a maioria, interromper uma obra já 95% concluída traria mais prejuízos ao patrimônio público do que sua finalização, caracterizando o chamado “periculum in mora reverso”.
Como será a tirolesa do Pão de Açúcar
O projeto prevê a instalação de quatro cabos de aço, com cerca de 770 metros de extensão. O trajeto será paralelo ao caminho tradicional dos bondinhos, criando uma nova experiência turística entre os dois morros.
A proposta foi apresentada pela Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, concessionária responsável pelo parque.
Histórico do projeto e embargos
As discussões sobre a tirolesa começaram em 2020, com análises do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O anteprojeto foi aprovado em 2022, e as obras tiveram início em setembro do mesmo ano.
Em janeiro de 2023, o Iphan determinou a paralisação imediata após identificar intervenções não autorizadas. A empresa apresentou novos laudos técnicos e medidas de contenção, o que levou à recomendação de retomada condicionada à supervisão e à elaboração de um Plano Diretor.
Mesmo assim, em junho de 2023, a Justiça Federal embargou novamente a obra a pedido do MPF. O caso passou a ser acompanhado pela Unesco, que reconheceu o Pão de Açúcar como Patrimônio Mundial em 2012.
Parecer técnico do Iphan foi favorável
O parecer técnico emitido em fevereiro de 2023 avaliou que as intervenções ocorrem em áreas já alteradas do morro. O documento também apontou que o projeto busca ampliar a acessibilidade, inclusive para pessoas com deficiência.
“Os cortes em rocha são pontuais e a altura máxima de corte é de 2,06m”, dizia um trecho do parecer.
O relatório analisou pontos como:
- instalação da tirolesa
- novos acessos a partir de trilhas existentes
- intervenções pontuais no relevo
- melhoria da acessibilidade
O Iphan reforçou que o parecer é uma recomendação técnica e que a decisão administrativa final cabe à superintendência regional do órgão.
Pesquisa indica apoio à nova atração
Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Parque Bondinho Pão de Açúcar, mostrou que a tirolesa é bem vista pela maioria dos brasileiros. Segundo o levantamento, 36% afirmaram que a atração aumentaria a chance de visitar o Rio de Janeiro.
O estudo, realizado em agosto de 2023 em 112 cidades, também indicou que 86% acreditam que a tirolesa vai impulsionar o turismo. Já 63% disseram ter opinião positiva sobre o projeto, enquanto 26% apontaram possíveis impactos negativos.