Empreendedorismo

Mais de cem mulheres de Niterói incluídas em programas de empreendedorismo participam de entrega de diplomas

Mulher Líder e Sororidade Conecta, projetos da Codim, oferecem aulas e mentorias individuais em temas como gestão financeira, inteligência emocional e marketing | Divulgação

Liderança, tecnologia e inovação são os três eixos de um programa de formação da Prefeitura de Niterói que acaba de preparar mais 124 mulheres para o mundo do empreendedorismo. Criado em 2021, o Programa Mulher Líder, iniciativa da Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres (Codim), entregou ontem (5/12) os certificados de conclusão do curso para as alunas do projeto. O evento ocorreu no auditório do Caminho Niemeyer, que ficou lotado, com todas vestidas de branco. Também receberam diplomas as 33 mulheres que passaram pelas mentorias individuais do Sororidade Conecta.

O Sororidade Conecta é um projeto que nasceu da parceria com o Grupo Somos Empreendedoras e que oferece workshops com orientação em gestão financeira, marketing, entre outros temas, além da mentoria realizada por 33 empresárias voluntárias.As aulas dão o apoio necessário para que essas mulheres consigam colocar em prática seus negócios.

 

Ex-aluna dos dois projetos, Macilene Nicolino, de 48 anos, participou da formatura já como microempreendedora: ela agora é dona da marca de óculos de sol La Luxo, que foi planejada com ajuda das professoras do Mulher Líder e Sororidade Conecta.

“Eu sempre vendi prata e roupas por conta própria. Me via como vendedora, mas o Mulher Líder mostrou que posso ser mais. Hoje tenho meu CNPJ e melhorei a qualidade dos meus produtos. Aprendi como posicionar minha marca e trabalhar imagens e redes. As pessoas já me reconhecem como empresária’, conta Macilene, que mora no Badu e é mãe de dois filhos, de 24 e 28 anos, que atuam com ela no negócio.

Mãe e filha na formatura | Divulgação

O Mulher Líder integra estratégia da Codim no enfrentamento às violências contra as mulheres, trabalhando a autonomia econômica dessas pessoas. O programa é aberto a todas as mulheres de Niterói que desejam se aperfeiçoar em seus negócios ou que querem começar a empreender através da capacitação. Há, no entanto, reserva de vagas para as usuárias do Centro Especializado de Atendimento à Mulher Neuza Santos (Ceam) que passaram por situação de violência ou vivem nessa condição.

Patrícia Moura Garcia, de 50 anos, foi uma das formandas que chegou ao programa através do Ceam. Ela trabalha como cuidadora de idosos, mas quer investir, aplicando os ensinamentos do curso, numa equipe multidisciplinar para atender essa demanda.

“Quando você passa por uma situação de violência, você perde o chão. Mas, quando cheguei aqui, conheci outras mulheres que passaram pelo mesmo e que hoje estão felizes e fazendo o que gostam. Vi que nós mulheres somos capazes. Através do empreendedorismo, estou mudando a minha vida: sou cuidadora de idosos, vou começar o curso técnico em enfermagem e quero ter minha equipe de atendentes”, diz Patrícia, mãe de uma filha e avó de duas crianças e que destaca as aulas de inteligência emocional do projeto.

Porta de saída longe da violência

Ex-coordenadora da Codim e conselheira municipal do Conselho de Mulheres de Niterói, Fernanda Sixel, responsável por implantar os dois programas, diz que a meta agora é avançar para a inclusão dessas mulheres em programas de microcrédito e financiamento.

“A Codim nasceu há 20 anos a partir da urgência do enfrentamento às violências contra as mulheres. Não basta o acolhimento da mulher após seu direito ter sido violado. E olha que isso não é pouco. Mas fomos além. Elas nos chegam muito machucadas, com alta dependência psicológica e autoestima muito abalada. Compreendemos que não bastava só empoderá-las no seu bem-estar, em relação ao autocuidado e na percepção de si mesmas. Nós precisávamos fortalecer também a sua autonomia econômica, seja através do Programa Auxílio Social, seja através das formações, como Mulher Líder e o Sororidade Conecta. Garantir as condições e os instrumentos necessários para seu desenvolvimento pessoal e também profissional é sim enfrentar violências e promover a liderança feminina”, afirma Fernanda, acrescentando. “Ver a transformação de cada mulher e a sororidade de fato acontecendo em cada encontro é a certeza de que estamos no caminho certo, construindo a possibilidade de novas trajetórias e a esperança de uma vida livre da violência”.

À frente atualmente da Codim, Thamyris Elpidio ressalta: “O estado precisa cuidar das mulheres, sobretudo porque elas estão o tempo todo cuidando da sociedade. Quando a gente vê todas essas mulheres empreendendo, a gente vê mudanças na sociedade. Estamos falando de transformação social”.

Mais de 200 mulheres de Niterói já passaram pelas aulas do Mulher Líder, impactando diretamente mais de mil pessoas.

Gestora do Somos Empreendedoras, Thais Resende Garcia também participou da entrega dos diplomas: “O Somos é uma rede de apoio, uma associação sem fins lucrativos, formada por 350 mulheres de Niterói. Somos voluntárias no Sororidade Conecta, e nosso lema é ‘uma sobe e puxa a outra’”, conta Thais.

Igor Baldez, presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Acierj), esteve na formatura prestigiando as novas e futuras empreendedoras: “A Acierj reconhece a importância de apoiarmos mulheres empreendedoras. Abrimos nossas portas para a Codim, e nosso espaço estará sempre disponível para a realização de cursos, palestras e iniciativas que as façam crescer dentro de suas áreas”.

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