
O Janeiro Branco reacende um alerta no estado do Rio de Janeiro: o sofrimento psíquico está chegando, cada vez mais, às portas da urgência. Entre 2023 e 2025, as UPAs estaduais registraram mais de 169 mil atendimentos relacionados à saúde mental, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde.
Atendimentos em saúde mental crescem nas UPAs estaduais
Os números mostram uma alta contínua ano a ano, o que pressiona serviços que já operam no limite e reforça a necessidade de prevenção e cuidado fora do cenário emergencial.
Números por ano (2023 a 2025)
- 2023: 50.624 atendimentos
- 2024: 60.058 atendimentos
- 2025: 64.400 atendimentos
Principais quadros atendidos nas emergências
Entre os casos mais frequentes estão ansiedade, transtorno do pânico, insônia e estresse. Especialistas alertam que, em muitos episódios, o acompanhamento poderia acontecer antes do agravamento e da busca pela emergência.
Mulheres de 20 a 29 anos concentram a maior parte dos casos
O recorte por gênero e faixa etária revela um dado sensível: mulheres entre 20 e 29 anos concentram a maior parte dos atendimentos nas UPAs estaduais. No período de 2023 a 2025, esse grupo teve crescimento de 38% nas ocorrências.
Por que esse grupo aparece mais nas estatísticas
Gestores associam o aumento a fatores como pressão social, insegurança, sobrecarga de responsabilidades e impactos das redes digitais. O cenário é complexo, mas reforça a urgência de políticas públicas integradas e acesso facilitado a cuidado contínuo.
Samu também registra aumento expressivo
A crise também aparece fora das unidades fixas. Entre 2023 e 2025, o Samu registrou mais de 75 mil ocorrências ligadas a transtornos mentais ou comportamentais, evidenciando o peso dessas situações no atendimento pré-hospitalar.
Capacitações para abordagem mais humanizada
Diante do avanço, o serviço passou a investir em capacitações periódicas para qualificar a resposta em crises, com foco em condutas mais humanizadas e eficientes.
Rede pública investe em capacitação e articulação com CAPS
Para ampliar a resposta, a Secretaria de Saúde intensificou a formação contínua de profissionais das UPAs e promoveu articulações com municípios e serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A estratégia busca garantir acompanhamento além do atendimento emergencial, fortalecendo a prevenção e reduzindo agravamentos.
Saúde mental como prioridade permanente
O Janeiro Branco reforça que saúde mental não pode ser pauta de um mês só. Os dados apontam para a necessidade de ampliar acesso à informação, acolhimento e políticas públicas capazes de sustentar cuidado contínuo em todo o estado — com impacto direto na vida das famílias e na capacidade de resposta da rede de urgência.