
A Receita Federal esclareceu que não rastreia individualmente cada transação realizada por Pix. A afirmação, que ganhou força em áudios e mensagens nas redes sociais, é falsa.
O órgão publicou um comunicado oficial após a revogação da IN 2.219/2024, desmentindo o boato e reforçando que não há cobrança ou fiscalização direta em cada transferência feita pelos usuários.
Receita não acompanha valor a valor das transações
O suposto monitoramento do Pix por parte da Receita Federal não existe. O que acontece, na verdade, é o recebimento de um relatório semestral (enviado até 31 de outubro para dados do primeiro semestre e até 28 de fevereiro para dados do segundo semestre) com o volume total movimentado por cada contribuinte, desde que os valores ultrapassem R$ 2 mil (pessoa física) ou R$ 6 mil (pessoa jurídica).
Esses dados são enviados pelos bancos tradicionais e não incluem detalhes como destinatário, horário ou propósito da transação.
Quanto às fintechs: entre 15 de janeiro e 29 de agosto de 2025, ficaram temporariamente desobrigadas após a revogação da IN 2.219/2024. Porém, com a publicação da IN RFB 2.278/2025 em 29 de agosto, passaram a ter as mesmas obrigações dos bancos, com os mesmos limites (R$ 2 mil para pessoa física e R$ 6 mil para pessoa jurídica).
Como golpistas criam fake news sobre o Pix?
As fake news sobre Pix costumam surgir em períodos de operações policiais contra crimes financeiros, como as realizadas em 2025. Os golpistas usam essas notícias falsas para gerar confusão e medo, especialmente em grupos de WhatsApp e redes sociais. Veja como esses boatos geralmente se apresentam:
- Usam áudios com vozes alarmistas e linguagem urgente
- Citamos nomes de autoridades ou órgãos como se fossem reais
- Circulam rapidamente em redes sociais e grupos de mensagens
- Servem para distrair durante operações contra lavagem de dinheiro
Atenção: a Receita Federal não envia áudios em aplicativos e nunca comunica bloqueios de CPF por uso de Pix.

Nova instrução iguala fintechs aos bancos tradicionais
Desde a IN RFB 2.278/2025, publicada em 29 de agosto, as fintechs passaram a ter as mesmas obrigações dos bancos quanto ao envio da e-Financeira, que reúne informações sobre saldos, transações e movimentações financeiras.
A medida foi adotada para impedir brechas utilizadas por criminosos em esquemas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. As fintechs devem reportar as informações do primeiro semestre de 2025 até 31 de outubro, e a partir de 2026, o envio será semestral.
Dica rápida: sempre que receber um alerta estranho sobre Pix ou CPF, acesse o portal e-CAC ou o site oficial da Receita Federal antes de acreditar ou compartilhar.
O que fazer ao receber boatos sobre o Pix?
Receber uma mensagem falsa não é crime, mas repassar esse conteúdo pode gerar medo coletivo e dificultar investigações. Adotar uma postura crítica ajuda a evitar que mais pessoas sejam enganadas:
- Não repasse links curtos, prints ou áudios suspeitos
- Cheque sempre nos canais oficiais da Receita
- Avise amigos e familiares para não caírem em golpes
- Denuncie conteúdos enganosos nas plataformas onde circulam
Atenção: mensagens que afirmam que o CPF será bloqueado pelo uso do Pix são completamente falsas.
Como denunciar golpes e fake news com o nome da Receita
Para impedir a circulação de conteúdos maliciosos, é essencial denunciá-los de forma formal. Além da Receita, outros órgãos também recebem esse tipo de queixa.
- Use o site da Receita ou o portal e-CAC para denúncias formais
- Envie prints com data, hora e nome do perfil que divulgou
- Reportar diretamente nas plataformas como Instagram, WhatsApp e YouTube
- Polícia Federal e Ministério Público também aceitam denúncias de fake news
Atenção: nunca clique em links ou abra anexos de remetentes desconhecidos. Eles podem conter vírus ou programas maliciosos.