
Deitar na cama, apagar as luzes e permanecer desperto por longos minutos é uma experiência frequente para muitas pessoas. Em grande parte dos casos, essa dificuldade para pegar no sono está ligada ao modo como o dia é organizado, ao ambiente do quarto e aos estímulos recebidos pouco antes de dormir. Ajustar esses pontos costuma ser decisivo para quem deseja dormir melhor, descansar com qualidade e evitar recorrer imediatamente a medicamentos para dormir.
O que é higiene do sono e por que esse conceito é importante
A chamada higiene do sono reúne comportamentos, rotinas e condições do ambiente que facilitam o início e a manutenção do sono. Isso inclui iluminação, nível de ruído do quarto, uso de dispositivos eletrônicos, horário das refeições, consumo de cafeína e padrão de atividade física, sempre com foco em favorecer um sono reparador.
Quando aplicada de forma consistente, a higiene do sono pode ajudar a adormecer mais rápido, acordar menos à noite e levantar com menor sensação de cansaço. No contexto atual de rotinas conectadas e muitas telas, esse cuidado se tornou um dos pilares básicos em medicina do sono para promover qualidade de sono e prevenir distúrbios do sono, como insônia crônica e apneia do sono.

Como iniciar mudanças de rotina para melhorar a higiene do sono
Quem deseja aprimorar a higiene do sono costuma se beneficiar de ajustes simples e graduais. Um dos pontos mais valorizados é a regularidade dos horários, pois manter um padrão para deitar e levantar ajuda o relógio biológico ou ritmo circadiano a funcionar com mais previsibilidade ao longo da semana.
Outro aspecto importante é criar um pequeno ritual noturno que sinalize desaceleração, com atividades relaxantes de 20 a 40 minutos. Em pessoas com tendência à insônia, essa rotina serve como “ponte” entre a agitação do dia e o início do sono, reduzindo estresse e facilitando o relaxamento. Veja algumas ações práticas que podem ser incluídas na rotina:
- Definir um horário aproximado para ir para a cama diariamente, fortalecendo o hábito de sono regular.
- Programar o despertador para o mesmo período, inclusive em fins de semana quando possível, ajudando a estabilizar o ciclo sono-vigília.
- Incluir um “tempo de desaceleração” antes de se deitar, com atividades de relaxamento ou meditação guiada.
- Reduzir tarefas de trabalho ou estudo próximo ao momento de dormir para evitar hiperestimulação mental.
Como organizar o ambiente para favorecer o sono de qualidade
A higiene do sono também depende de um quarto adequado, escuro, silencioso e com temperatura amena. Cortinas que bloqueiam a claridade, roupas de cama confortáveis e, quando necessário, protetores auriculares ou ruído branco ajudam a associar o ambiente prioritariamente ao descanso e ao sono de qualidade.
A iluminação merece atenção especial, pois luzes intensas, principalmente brancas ou azuladas, interferem na produção de melatonina. Por isso, recomenda-se reduzir luz forte nas horas que antecedem o sono e limitar o uso de celulares, tablets e computadores, utilizando filtros de luz azul ou modos de luz noturna quando não for possível desligá-los.
- Manter o quarto escuro ou com iluminação bem suave à noite para favorecer a produção de melatonina.
- Ajustar a temperatura do ambiente para um nível confortável, o que favorece o sono profundo.
- Evitar acumular objetos de trabalho sobre a cama, preservando a associação entre cama e sono.
- Reduzir o uso de telas na cama, especialmente próximo ao horário de dormir, diminuindo a estimulação cognitiva e a exposição à luz azul.
Quais hábitos alimentares e de consumo impactam a higiene do sono
Alimentação e bebidas consumidas ao longo do dia têm impacto direto na qualidade do sono. Substâncias estimulantes, como cafeína em café, chás pretos, refrigerantes de cola e energéticos, assim como a nicotina, podem prolongar o estado de vigília quando ingeridas em horários tardios ou em excesso.
Outra medida comum é evitar refeições pesadas perto da hora de deitar, priorizando jantar mais leve algumas horas antes do sono. Caso surja fome mais tarde, lanches leves e de fácil digestão contribuem para o bem-estar e o sono reparador, reduzindo desconfortos abdominais e despertares noturnos.
- Limitar o consumo de café e bebidas energéticas no período da tarde e à noite.
- Evitar cigarros e outros produtos com nicotina, especialmente nas horas que antecedem o sono.
- Jantar com certa antecedência, preferindo alimentos de digestão mais fácil para não prejudicar o descanso noturno.
- Reduzir a ingestão exagerada de líquidos logo antes de deitar para minimizar idas ao banheiro e interrupções do sono.

Como exercícios, cochilos e relaxamento influenciam a higiene do sono
A prática regular de atividade física costuma estar associada a noites mais reparadoras, pois ajuda a reduzir estresse e regular hormônios. Porém, treinamentos muito intensos imediatamente antes de dormir podem deixar o organismo em estado de alerta, sendo mais adequado priorizar exercícios fortes pela manhã ou tarde e, à noite, atividades leves.
Os cochilos diurnos e as técnicas de relaxamento também interferem na qualidade do sono. Descansos curtos de 20 a 30 minutos, em horários distantes da noite, podem ser úteis, enquanto cochilos longos atrasam o sono noturno. Práticas como respiração profunda, meditação guiada, escaneamento corporal e relaxamento muscular progressivo são amplamente usadas em terapia cognitivo-comportamental para insônia para diminuir a agitação mental antes de deitar.
- Realizar exercícios físicos em horário que não prejudique o sono, evitando treinos intensos muito tarde.
- Priorizar cochilos curtos, em horários mais distantes da noite.
- Incluir práticas de relaxamento simples na rotina noturna, como respiração profunda ou meditação.
- Observar como o próprio corpo reage a cada ajuste e adaptar a rotina com base nesses sinais, construindo uma rotina de sono personalizada.
Quando buscar ajuda profissional para problemas de sono persistentes
Bons hábitos costumam melhorar o padrão de sono de muitas pessoas, mas nem sempre são suficientes. Insônia persistente, roncos intensos, pausas respiratórias observadas por terceiros, sonolência excessiva diurna ou despertares constantes podem indicar quadros que exigem avaliação mais detalhada e acompanhamento especializado.
Nesses casos, é importante procurar médico ou psicólogo com experiência em medicina do sono, que pode lançar mão de diários de sono, exames como polissonografia e abordagens específicas. A higiene do sono segue como base essencial, mas não substitui diagnóstico e tratamento adequados, que podem incluir terapia cognitivo-comportamental para insônia e, quando indicado, uso criterioso de medicação para dormir.