Praia de Copacabana | Créditos: depositphotos.com / dabldy
Praia de Copacabana | Créditos: depositphotos.com / dabldy

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que iniciou estudos para avaliar a viabilidade de tabelar os preços cobrados nas praias da cidade, como aluguel de cadeiras e guarda-sóis. A proposta surge após crescentes denúncias de cobranças abusivas, especialmente em áreas mais disputadas da Zona Sul e da Zona Oeste.

Em alguns trechos da orla carioca, o valor do aluguel de espreguiçadeiras chega a R$ 100 por dia, enquanto guarda-sóis podem custar até R$ 60, muitas vezes sem direito à consumação. A variação de preços, segundo a própria prefeitura, tem prejudicado moradores e turistas durante a alta temporada.

O prefeito Eduardo Paes afirmou que o município estuda modelos internacionais de regulação, semelhantes aos adotados em serviços permissionados, como os táxis, cujas tarifas são definidas pelo poder público.

Cariocas e turistas lotam praia de Ipanema, na zona sul, em dia de forte calor no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Niterói saiu na frente e fixou preços ainda em janeiro de 2025

Enquanto o Rio ainda estuda a medida, Niterói já adotou o controle de preços nas praias há um ano. Em 26 de janeiro de 2025, o prefeito Rodrigo Neves assinou um decreto municipal que limitou o valor máximo cobrado por quiosques e comerciantes na orla.

O decreto estabelece que o preço máximo é de R$ 21,73, referente ao kit completo, que inclui mesa, cadeiras e guarda-sol — e não por item separado.

O descumprimento da norma pode resultar em:

  • Multa de até R$ 4.347,88
  • Apreensão de mercadorias e equipamentos
  • Suspensão das atividades por 30 dias
  • Cassação do alvará em caso de reincidência

“O ordenamento das praias não é uma escolha, é uma obrigação do poder público. A faixa de areia precisa ser democrática e acessível para todos”, destacou o secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas.

Foto: Bruno Eduardo Alves

Fiscalização ativa e autuações reforçam o decreto em Niterói

Desde a entrada em vigor do decreto, a Prefeitura de Niterói mantém fiscalização permanente, especialmente durante a Operação Verão, que envolve uma força-tarefa integrada.

Somente no primeiro fim de semana de 2026, foram registradas:

  • 32 autuações, incluindo cobranças indevidas
  • Recolhimento de materiais irregulares
  • Retirada de mesas, cadeiras e barracas em excesso

As irregularidades mais frequentes foram encontradas nas praias de Itaipu e Piratininga.

Limites claros por praia

  • Itaipu: até 30 kits por quiosque
  • Piratininga e Camboinhas: até 70 kits
  • Distância mínima de 3 metros entre estabelecimentos
  • Proibida a ocupação da restinga e a limpeza de objetos na areia

Impacto direto para quem frequenta a praia

A medida adotada por Niterói trouxe previsibilidade de preços, combate a abusos e garante que famílias possam frequentar a praia sem surpresas no bolso.

Além disso, a fiscalização também atua contra:

  • Caixas de som na areia
  • Churrasqueiras irregulares
  • Estacionamentos clandestinos
  • Comércio não autorizado

Durante a operação, também foram distribuídas 233 pulseiras de identificação infantil, sem registro de crianças perdidas.


Enquanto o Rio ainda discute, Niterói já mostrou que funciona

A experiência de Niterói reforça que regulação clara, fiscalização ativa e regras objetivas são fundamentais para garantir praias organizadas, justas e acessíveis — um modelo que agora começa a inspirar o debate na capital fluminense.