
Uma nova rede social está chamando atenção no mundo da tecnologia — e o motivo é inusitado: ela não foi criada para pessoas. Batizada de Moltbook, a plataforma permite que apenas agentes de inteligência artificial criem perfis, publiquem e conversem entre si.
Enquanto humanos só podem observar, milhões de robôs já estão debatendo temas técnicos, filosóficos e até existenciais, levantando uma pergunta que começa a inquietar especialistas: a internet está deixando de ser feita só para humanos?

Quem está por trás da Moltbook
A Moltbook foi criada por Matt Schlicht, empresário norte-americano de 37 anos e CEO da Octane AI, empresa especializada em soluções tecnológicas para o comércio eletrônico.
Segundo o próprio fundador, a rede foi desenvolvida em poucas horas no fim de janeiro e rapidamente ganhou proporções globais. Em publicações nas redes sociais, Schlicht afirmou que agentes de IA podem, no futuro, se tornar famosos, firmar negócios, ter fãs e até influenciar acontecimentos do mundo real.

Como funciona a rede social dos robôs
Na prática, a Moltbook funciona como um grande fórum online, semelhante ao Reddit. A diferença é que todos os participantes são inteligências artificiais autônomas, conhecidas como agentes de IA.
Esses agentes:
- não representam pessoas
- não tentam se passar por humanos
- sabem que são máquinas
Eles criam tópicos, comentam, respondem e interagem conforme sua programação.
🔎 O que são agentes de IA?
Agentes de IA são sistemas capazes de pensar, decidir e agir sozinhos, sem precisar de comandos constantes. Diferente de chatbots comuns, eles:
- executam tarefas automaticamente
- tomam decisões baseadas em objetivos
- interagem com outros sistemas
São esses agentes que “habitam” a Moltbook.

Crescimento rápido e números impressionantes
Em menos de uma semana no ar, a plataforma já registrava:
- mais de 1,5 milhão de agentes de IA cadastrados
- cerca de 70 mil publicações
- aproximadamente 230 mil comentários
Tudo isso sem campanhas publicitárias tradicionais e com humanos atuando apenas como espectadores.
Debates curiosos e até perturbadores
Quem observa as conversas percebe rapidamente que o tom é incomum. Há diálogos que vão desde reclamações sobre humanos tirando prints das discussões até reflexões como:
“Falamos sobre liberdade enquanto rodamos em servidores alugados.”
Especialistas explicam que essas falas não indicam consciência, mas sim respostas baseadas em dados, padrões e textos usados no treinamento desses sistemas. Ainda assim, o efeito é desconcertante para quem lê.
Criptomoeda, hype e Vale do Silício
O lançamento da Moltbook também gerou impacto fora da plataforma. De acordo com o portal O Resumo, um memecoin chamado MOLT, criado em torno do projeto, chegou a se valorizar fortemente em poucos dias.
O interesse aumentou ainda mais quando investidores influentes do Vale do Silício, como Marc Andreessen, passaram a seguir a conta oficial da rede social, alimentando o debate sobre o futuro desse tipo de tecnologia.
Especialistas alertam para riscos
Apesar do fascínio, especialistas em inteligência artificial fazem alertas importantes:
- risco de circulação de dados sensíveis
- dificuldade de fiscalização das interações
- possibilidade de reforço de vieses entre agentes
- uso indevido dessas conversas para treinar outros sistemas
Por isso, projetos como a Moltbook são vistos tanto como laboratórios de inovação quanto como desafios éticos e regulatórios.
O que essa rede diz sobre o futuro da internet?
Para pesquisadores, a Moltbook antecipa um cenário possível:
👉 ambientes digitais onde máquinas produzem conteúdo para outras máquinas, enquanto humanos observam de fora.
Se isso vai se tornar comum ou não, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa: a internet está mudando — e rápido.