
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro teria sido capturado e retirado do país por via aérea.
A declaração foi feita por Trump em uma rede social. Segundo ele, a operação teria sido conduzida em conjunto com forças de segurança dos Estados Unidos. No entanto, até o momento, não há confirmação independente da captura de Maduro por parte de autoridades internacionais ou organismos multilaterais.
Trump informou ainda que mais detalhes seriam apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília).
URGENTE: PLANTÃO DA GLOBO ANUNCIA QUE OS ESTADOS UNIDOS CAPTURAM NICOLÁS MADURO, PRESIDENTE DA VENEZUELA. pic.twitter.com/VXeVvrCmrh
— CHOQUEI (@choquei) January 3, 2026

Explosões são registradas em Caracas durante a madrugada
Enquanto isso, moradores de Caracas relataram uma série de explosões na madrugada deste sábado. De acordo com a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos.
Relatos indicam tremores em diferentes bairros, barulho intenso de aeronaves sobrevoando a cidade em baixa altitude e correria nas ruas. Partes da capital ficaram sem energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves em operação.
Governo venezuelano nega captura e decreta estado de comoção
Logo após os ataques, o governo da Venezuela divulgou um comunicado oficial, afirmando que o país estaria sob agressão militar. Caracas não confirmou a captura de Nicolás Maduro e declarou que o presidente convocou forças sociais e políticas para ativar planos de mobilização.
Segundo o texto, foi decretado Estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, com a justificativa de proteger a população, garantir o funcionamento das instituições e preparar o país para resistência armada.
O governo venezuelano acusou os Estados Unidos de tentar confiscar recursos estratégicos, especialmente petróleo e minerais, e classificou a ação como uma tentativa de mudança de regime.
“A República Bolivariana da Venezuela rejeita, condena e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana nas áreas civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, particularmente dos artigos 1.º e 2.º, que consagram o respeito pela soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.
Esta agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas.
O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, particularmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar a independência política da nação pela força.
O Estado de Comoção Externa foi ativado após os bombardeios em áreas civis e militares em Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira. Isto põe em risco a vida de milhões de civis. Isto não faz distinções políticas, é hora de haver unidade nacional, acima de quaisquer diferenças ideológicas de qualquer espécie. Hoje o nosso país e a nossa identidade estão ameaçados. A sua e a minha Venezuela, e nós a defenderemos até as últimas consequências, como já fizemos antes.
Seguiremos para a luta armada, todo o povo venezuelano deve se mobilizar. Fique conectado ao nosso sinal e às fontes oficiais para evitar ansiedade e manter a calma e a paz diante dessas circunstâncias.”

Pressão sobre Maduro vinha se intensificando
A escalada de tensão entre os dois países vinha se intensificando nos últimos meses. Em agosto, os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro e reforçaram a presença militar no Caribe.
Inicialmente, Washington afirmou que a mobilização tinha como foco o combate ao narcotráfico. Posteriormente, autoridades americanas, sob anonimato, passaram a indicar que o objetivo seria derrubar o governo Maduro.
Em novembro, Trump e Maduro chegaram a manter contato telefônico, sem avanços. No mesmo período, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando Maduro de liderar o grupo.
Segundo o The New York Times, os Estados Unidos demonstram interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo.