Créditos: depositphotos.com / ReyesPhoto
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Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4/1) um comunicado conjunto no qual rechaçam as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e manifestam preocupação com os riscos à paz regional e à ordem internacional. No sábado (3/1), os Estados Unidos bombardearam território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Segundo o texto, a ofensiva cria um precedente extremamente perigoso, viola princípios da Carta das Nações Unidas e coloca a população civil em risco. Os países defendem que a crise venezuelana seja resolvida exclusivamente por meios pacíficos, com diálogo, negociação e respeito à vontade do povo venezuelano, sem ingerência externa.


Comunicado conjunto: principais pontos

Os governos de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha afirmam:

  1. Condenação às ações militares unilaterais na Venezuela, por violarem a proibição do uso da força, a soberania e a integridade territorial dos Estados.
  2. Defesa de uma solução política inclusiva, conduzida por venezuelanas e venezuelanos, como único caminho democrático, sustentável e respeitoso da dignidade humana.
  3. Reafirmação da América Latina e do Caribe como zona de paz, com apelo à unidade regional e à atuação dos mecanismos multilaterais para desescalar tensões.
  4. Alerta contra qualquer tentativa de controle ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, considerada incompatível com o direito internacional e ameaçadora da estabilidade regional.

Brasil reforça condenação e leva tema ao Conselho de Segurança

O Brasil confirmou participação, nesta segunda-feira (5/1), em reunião extraordinária do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para discutir a operação norte-americana e a captura de Maduro. A sessão foi solicitada pela Colômbia, com apoio de Rússia e China.

A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, reiterou a condenação brasileira à ação militar e a cobrança por uma resposta vigorosa da ONU, alinhada à posição tradicional do país em defesa do direito internacional e da soberania dos Estados.


Situação na fronteira e brasileiros na Venezuela

O ministro da Defesa, José Múcio, informou que não há movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela, que permanece aberta e monitorada. O país mantém cerca de 10 mil militares na Amazônia, sendo 2.300 em Roraima. A chancelaria brasileira confirmou ausência de brasileiros feridos e relatou que 100 turistas brasileiros cruzaram a fronteira por Roraima após os ataques. A embaixada em Caracas segue acompanhando a situação da comunidade brasileira.

Ministro da defesa, José Múcio, (e) embaixadora, Maria Laura (d), durante entrevista falam da invasão americana na Venezuela. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Reconhecimento de liderança interina

Questionada sobre o reconhecimento do chefe de Estado venezuelano, Maria Laura afirmou que, na ausência de Maduro, o Brasil reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina.


Contexto e impacto

A reação conjunta de seis países eleva a pressão diplomática por desescalada imediata, reforça o papel da ONU e isola politicamente ações militares unilaterais na região. O desfecho no Conselho de Segurança será decisivo para os próximos passos multilaterais.