
Nos últimos anos, plantar deixou de ser só um hobby de fim de semana e passou a fazer parte da rotina de muita gente. Em grandes cidades ou pequenos municípios, é cada vez mais comum ver vasos nas janelas, hortas em varandas e pequenos jardins em apartamentos, movimento ligado ao interesse por alimentação mais natural e ao cuidado com o bem-estar emocional.
Plantar como terapia e o que está por trás desse hábito
A expressão plantar como terapia aparece em reportagens, pesquisas e na fala do dia a dia. O cultivo de plantas e hortas domésticas é visto como atividade que ajuda a desacelerar, organizar pensamentos e criar momentos de silêncio e foco.
Ao se concentrar em tarefas simples, como preparar a terra ou acompanhar o surgimento de brotos, a mente se afasta por um tempo das preocupações. Em alguns contextos clínicos, esse contato com o ciclo natural complementa outras práticas de autocuidado, como exercícios físicos, meditação e psicoterapia.
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Como a hortoterapia é utilizada em contextos de saúde mental
Profissionais de saúde mental usam a jardinagem em intervenções terapêuticas. A chamada hortoterapia é aplicada em hospitais, instituições de longa permanência e centros de reabilitação para estimular capacidades motoras, cognitivas e sociais.
Nesses programas, o ato de plantar funciona como ferramenta complementar de recuperação e fortalecimento emocional. O paciente participa do planejamento, do plantio e da colheita, o que reforça a sensação de autonomia, responsabilidade e propósito.
O que o ciclo das plantas ensina sobre tempo e frustração
Um dos pontos centrais da jardinagem terapêutica é a noção de ciclo. Observar germinação, crescimento e, às vezes, a perda de uma planta ajuda a lidar com frustrações e a desenvolver paciência.
Em uma cultura acelerada, cultivar um vaso ou pequena horta mostra, na prática, que alguns resultados dependem de cuidado diário e tempo. Essa experiência concreta de espera pode auxiliar no manejo da ansiedade e na construção de expectativas mais realistas em outras áreas da vida.
Por que tantas pessoas estão começando a plantar agora
O interesse por plantas como terapia cresceu por fatores sociais, econômicos e culturais. Períodos de isolamento levaram muitas pessoas a tornar o lar mais agradável, e o contato com o verde ganhou importância nesse processo.
Ao mesmo tempo, falar sobre saúde mental, ansiedade e estresse ficou mais comum. Plantar em casa ou no escritório apareceu como alternativa simples e de baixo custo para inserir pausas na rotina e criar momentos de conexão com algo concreto e vivo.
Como a tecnologia facilita o cultivo para iniciantes
A tecnologia também impulsionou o interesse pela jardinagem. Redes sociais e plataformas de vídeo oferecem tutoriais que ensinam desde o básico, como regar e adubar, até como recuperar plantas debilitadas.
Com isso, iniciantes conseguem aprender de forma rápida e visual, mesmo sem experiência ou quintal. Assim, a ideia de plantar como terapia chegou a quem mora em espaços pequenos e nunca teve contato direto com a terra.
Quais são os principais benefícios de plantar para o bem-estar
Entre as vantagens mais citadas do cultivo de plantas para o bem-estar emocional, destacam-se efeitos recorrentes observados em estudos e relatos pessoais.
- Redução do estresse: atividades calmas e repetitivas, como regar e podar, favorecem o relaxamento.
- Sensação de propósito: acompanhar o crescimento das plantas cria uma rotina de cuidado contínuo.
- Contato com o verde: mesmo em ambientes urbanos, vasos e hortas reduzem a sensação de excesso de concreto.
- Organização do tempo: horários fixos para regar e adubar ajudam na criação de hábitos mais estáveis.
Quais plantas são mais indicadas para quem está começando

Para iniciar a prática, é recomendável escolher espécies resistentes e adaptadas a ambientes internos. Uma seleção adequada ao espaço e à rotina reduz frustrações e torna o processo mais agradável.
- Plantas de sombra, como jiboia e zamioculca.
- Suculentas, que pedem regas menos frequentes.
- Ervas aromáticas, como manjericão, alecrim e hortelã, que também podem ser usadas na cozinha.
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Como incluir a prática de plantar na rotina diária
Inserir a jardinagem terapêutica no dia a dia não exige grandes espaços nem altos investimentos. O importante é tratar o cuidado com as plantas como parte da agenda, criando pequenos rituais semanais.
Algumas estratégias simples ajudam a manter a constância, mesmo em rotinas corridas.
- Definir dias fixos para regar e adubar, evitando exageros ou esquecimentos.
- Começar com poucos vasos e aumentar a quantidade só quando a rotina estiver ajustada.
- Registrar o desenvolvimento das plantas em fotos para acompanhar as mudanças ao longo do tempo.
- Participar de grupos ou comunidades de troca de mudas e informações, ampliando o aprendizado e a motivação.