
Nas últimas décadas, a gastronomia fluminense passou por uma transformação que aproximou tradição e inovação. Chefes de cozinha, pequenos produtores e cozinheiros de casa voltaram o olhar para os sabores regionais do Rio de Janeiro, valorizando ingredientes típicos e técnicas locais em pratos contemporâneos, em feiras, bares, restaurantes de alta cozinha e cozinhas comunitárias.
O que são os sabores regionais do Rio de Janeiro na cozinha contemporânea?
Quando se fala em sabores regionais do Rio de Janeiro, não se trata apenas de receitas famosas, como feijoada, churrasco ou o tradicional biscoito de polvilho das praias. O conceito atual inclui ingredientes de diferentes biomas do estado, como a Mata Atlântica, a serra e as áreas litorâneas, usados com novas leituras na cozinha contemporânea.
Frutas como jabuticaba, cambuci, goiaba e banana-da-terra, além de raízes como aipim e inhame, surgem em pratos salgados e doces com propostas atuais. Técnicas como fermentação, defumação suave e cocção lenta convivem com cozidos e ensopados, levando a comida do dia a dia aos menus degustação e eventos gastronômicos.
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Quais são os principais ingredientes da terra na cozinha fluminense contemporânea?

Os ingredientes da terra que marcam a culinária regional do Rio de Janeiro vêm de áreas rurais, costeiras e urbanas, articulando produção agrícola, pesqueira e extrativista. Na cozinha contemporânea, esses produtos são escolhidos pela sazonalidade, frescor e potencial de criar pratos autorais sem perder a identidade local.
Alguns desses ingredientes aparecem com frequência em cardápios criativos e em cozinhas familiares, em versões tradicionais e repaginadas, como na combinação com técnicas modernas ou em preparos integrais do alimento. Entre os exemplos mais recorrentes estão:
- Aipim (mandioca): usado em purês cremosos, chips crocantes, pães, bolos e clássicos como o escondidinho.
- Peixes e frutos do mar da Baía de Guanabara, Costa Verde e Região dos Lagos, presentes em ceviches, grelhados e moquecas repaginadas.
- Banana-da-terra: base de farofas, tortas salgadas, acompanhamentos de carnes e sobremesas com toque de especiarias.
- Ervas e temperos locais, como coentro, cebolinha, ora-pro-nóbis e folhas espontâneas, usados em molhos, caldos e saladas.
- Queijos artesanais fluminenses, vindos principalmente das regiões serranas, presentes em entradas, massas e sanduíches autorais.
Como a cozinha contemporânea valoriza ingredientes regionais do Rio de Janeiro
A cozinha contemporânea no estado atua como vitrine para os ingredientes regionais do Rio de Janeiro, com cardápios sazonais ajustados à colheita e à pesca local. Essa lógica privilegia o que está em melhor fase, reduz desperdícios, fortalece cadeias curtas de abastecimento e estimula práticas mais sustentáveis.
Restaurantes, bistrôs, bares de comida de boteco e cozinhas experimentais investem em releituras de clássicos, uso integral de alimentos e parcerias com produtores. Técnicas como fermentação, cocção lenta, defumação controlada e conservação em salmoura ajudam a destacar sabores locais sem recorrer a uma visão folclórica da culinária fluminense.
Veja com Diogo Elzinga o prato típico de cada estado brasileiro:
Quais impactos o movimento de valorização dos sabores regionais traz para o Rio de Janeiro?
A valorização dos sabores regionais do Rio de Janeiro na cozinha contemporânea gera efeitos econômicos, culturais e sociais que vão além do prato. Ao priorizar ingredientes locais, aumenta-se a circulação de renda entre agricultores familiares, pescadores artesanais, queijeiros, doceiros e outros pequenos produtores, fortalecendo ofícios tradicionais.
Receitas antigas passam a ser registradas, testadas e adaptadas, contribuindo para preservar memórias culinárias em um estado marcado pela diversidade interna. Consumidores têm acesso a alimentos frescos, informações sobre origem e sazonalidade, e a uma gastronomia que conecta passado e presente, construindo uma identidade reconhecida por moradores e visitantes.