Fenômeno biológico ligado à interação humana e à leitura emocional. - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy
Fenômeno biológico ligado à interação humana e à leitura emocional. - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

Bocejar ao ver outra pessoa bocejar é uma reação quase automática para muita gente. A cena acontece em salas de aula, escritórios, reuniões online e até em vídeos nas redes sociais. Bastam poucos segundos de observação para que o reflexo surja, muitas vezes sem qualquer sinal prévio de sono ou cansaço.

A explicação para esse comportamento vai além do corpo pedindo descanso.

O que é o bocejo contagioso e como ele funciona?

O bocejo contagioso é a tendência de uma pessoa bocejar após ver, ouvir ou até imaginar outra bocejando. Diferente do bocejo provocado por sono ou fadiga, esse tipo de reação ocorre mesmo quando o indivíduo está alerta e descansado.

Pesquisas em neurociência indicam que esse comportamento está relacionado à ativação de áreas cerebrais ligadas à imitação e à empatia, como o córtex pré-motor e o sistema dos chamados neurônios-espelho. Esses neurônios são responsáveis por reproduzir, internamente, ações observadas em outras pessoas.

Resposta neural automática associada à empatia e à conexão social. – Créditos: depositphotos.com / Krakenimages.com

Qual é a relação entre bocejo contagioso e empatia?

A empatia é considerada um dos principais fatores por trás do bocejo contagioso. Indivíduos com maior capacidade de se colocar no lugar do outro costumam bocejar com mais facilidade ao observar o gesto em alguém próximo.

Pesquisadores da Universidade de Pisa, na Itália, analisaram grupos de voluntários e concluíram que o bocejo contagioso ocorre com mais frequência entre pessoas que possuem vínculos afetivos, como familiares e amigos próximos. Ou seja, quanto maior a conexão emocional, maior a chance do bocejo “se espalhar”.

Por outro lado, crianças muito pequenas e pessoas com determinados transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, apresentam menor incidência desse tipo de resposta automática. Esse dado reforça a ligação direta entre bocejo contagioso e habilidades empáticas desenvolvidas ao longo da vida.

O bocejo contagioso tem origem evolutiva?

Especialistas defendem que o bocejo contagioso pode ter surgido como um mecanismo evolutivo de sincronização social. Em grupos primitivos, bocejar coletivamente poderia ajudar a alinhar períodos de descanso e vigília, favorecendo a sobrevivência do grupo.

Ou seja, o bocejo contagioso pode ter sido uma ferramenta natural para fortalecer a coesão do grupo, promovendo harmonia e comportamento coletivo.

Por que nem todo mundo boceja ao ver alguém bocejando?

Embora seja comum, o bocejo contagioso não afeta todas as pessoas da mesma forma. Fatores como idade, nível de empatia, atenção e até contexto social influenciam essa resposta.

Pesquisas apontam que pessoas mais concentradas em tarefas cognitivas intensas tendem a resistir ao bocejo contagioso. Além disso, o grau de familiaridade com quem boceja também interfere. Ver um desconhecido bocejando na televisão, por exemplo, costuma provocar menos reação do que observar alguém próximo.