Cuidar da saúde mental também passa por reduzir comparações e aceitar rotinas menos rígidas.
O excesso de tempo no celular aumenta comparações e afasta a atenção do que é possível e real - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

Nos últimos anos, o termo bem-estar real ganhou espaço como contraponto às rotinas perfeitas das redes sociais. Enquanto fotos sugerem vidas totalmente organizadas, o cotidiano da maioria inclui imprevistos, limites e ritmos diferentes, levando muita gente a repensar o que é, de fato, cuidar de si.

O que é bem-estar real longe das redes sociais

Quando se fala em bem-estar real longe das rotinas perfeitas das redes sociais, trata-se de cuidar do corpo e da mente a partir da própria realidade, e não de modelos populares online. Em vez de buscar uma rotina “ideal”, a pessoa observa o que é sustentável: sono possível, alimentação viável, conexões sociais mínimas e pausas que caibam na agenda.

Essa visão não exclui exercícios, alimentação equilibrada ou organização, mas tira o foco da aparência e da performance. Pequenas escolhas, como caminhar um pouco mais, reduzir telas antes de dormir ou ler por alguns minutos, passam a ter valor quando são consistentes e respeitam limites pessoais.

Como as redes sociais distorcem a ideia de bem-estar

As redes sociais costumam apresentar o bem-estar como uma sequência rígida de hábitos perfeitos. Perfis com rotinas impecáveis todos os dias sugerem que qualquer falha é falta de disciplina, ignorando cansaço, emoções instáveis, responsabilidades familiares e condições de trabalho.

Filtros, edições e recortes criam uma “vida editada”, em que quase não aparecem exaustão, dúvidas e limitações. Isso alimenta comparações, sensação de inadequação e pressão para seguir padrões difíceis de sustentar fora do mundo digital.

Quais são os pilares do bem-estar real no dia a dia

O bem-estar real é um conjunto de cuidados básicos, ajustados à rotina possível de cada pessoa. Em vez de grandes mudanças, prioriza constância em pequenos passos e progressos graduais, mais sustentáveis do que transformações radicais.

Esses pilares são flexíveis, servem como ponto de partida e podem ser adaptados à realidade de cada um:

  • Sono minimamente reparador: ter horários aproximados para dormir e acordar, mesmo sem seguir uma rotina rígida.
  • Movimento corporal acessível: incluir caminhadas, alongamentos ou atividades simples, sem obrigação de treinos intensos diários.
  • Alimentação possível: buscar algum equilíbrio e variedade dentro do tempo e do orçamento disponíveis, sem dietas extremas.
  • Relações de apoio: manter contato com pessoas de confiança que ofereçam escuta e suporte.
  • Momentos de pausa: reservar alguns minutos por dia para descanso mental, mesmo em rotinas apertadas.

Como criar uma rotina de bem-estar mais realista

Para construir um bem-estar mais autêntico, o ponto de partida é observar a própria semana, e não um ideal. Em vez de mudar tudo de uma vez, vale testar pequenos ajustes e manter apenas o que se encaixa de fato na rotina.

Esse processo progressivo tende a ser mais sustentável do que tentar copiar a rotina de alguém em outra realidade. A prioridade passa a ser o que é viável e respeitoso com a própria vida, e não o que rende mais admiração ou segue tendências do momento.

Qual é o papel do uso consciente das redes no bem-estar

As redes sociais podem oferecer informação e apoio, mas o uso consciente é essencial para proteger o bem-estar real. Limitar o tempo de uso, silenciar perfis que geram comparação e buscar conteúdos mais educativos que performáticos ajuda a reduzir o impacto na autoestima.

Ao entender que o bem-estar real não depende de perfeição e que cada rotina tem suas particularidades, fica mais fácil aceitar oscilações e recomeços. Longe das rotinas impecáveis exibidas online, o cuidado consigo ganha um ritmo próprio, alinhado ao que é concreto, possível e sustentável ao longo do tempo.