
O autocuidado real ganhou espaço nas conversas do dia a dia, mas ainda costuma ser confundido com imagens perfeitas de rotina matinal, viagens caras e corpos padronizados; longe das versões editadas das redes sociais, cuidar de si envolve ações simples, decisões cotidianas, muitas vezes silenciosas, e coerência com a própria realidade, mais do que cumprir listas prontas ou seguir padrões ideais.
O que é o autocuidado real no dia a dia
O autocuidado real é o conjunto de atitudes que ajudam a manter o bem-estar físico, mental, emocional, social e financeiro, de forma compatível com as condições de cada pessoa. Não depende de estética impecável nem de rotina perfeita, mas de escolhas consistentes e possíveis hoje, ainda que discretas e fora dos holofotes.
Mais do que descansar ou “fugir” dos problemas, autocuidar-se também envolve encarar compromissos, buscar ajuda profissional, reorganizar finanças e dizer não a convites que ultrapassam o próprio limite. Consultas médicas em dia, pausas durante o trabalho e a capacidade de ajustar expectativas fazem parte desse cuidado contínuo.
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Como o autocuidado real se afasta das versões perfeitas das redes sociais
Nas redes sociais, a imagem do autocuidado costuma aparecer ligada a consumo, ambientes organizados e corpos sem falhas, o que sugere que cuidar de si exige tempo livre, dinheiro e alta produtividade. Fora das telas, porém, muitas pessoas praticam o cuidado pessoal em meio a trabalho intenso, responsabilidades familiares e recursos limitados, adaptando o que veem à própria realidade.
Nesse cenário, metas rígidas de treino, alimentação impecável e desempenho máximo geram cobranças irreais e frustração. O autocuidado realista prioriza objetivos alcançáveis, aceita fases de cansaço e instabilidade emocional e reconhece que nem todos os dias serão produtivos ou organizados, sem transformar a saúde em um espetáculo permanente.
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Como praticar o autocuidado real na rotina

Para tornar o autocuidado cotidiano mais concreto, muitas pessoas organizam pequenas ações adaptadas ao próprio contexto, sem listas obrigatórias ou roteiros perfeitos. Observar diferentes áreas da vida e definir passos possíveis em cada uma delas ajuda a construir um cuidado prático, contínuo e alinhado com a realidade.
- Corpo e saúde física
- Priorizar sono de qualidade, ajustando horários sempre que possível.
- Incluir algum movimento no dia, mesmo que seja uma caminhada curta.
- Beber água regularmente e tentar manter refeições mais equilibradas.
- Mente e emoções
- Separar alguns minutos para silêncio, leitura ou respiração profunda.
- Registrar pensamentos em um caderno para organizar ideias.
- Buscar apoio psicológico ou terapêutico quando houver acesso.
- Relações e limites
- Rever vínculos que geram desgaste constante.
- Aprender a recusar pedidos que ultrapassam a capacidade do momento.
- Reservar tempo para convivência com pessoas de confiança.
- Vida prática e finanças
- Organizar contas básicas para reduzir atrasos e preocupações.
- Planejar pequenas reservas, quando possível, para emergências.
- Evitar compras impulsivas motivadas por comparação com o que se vê online.
O autocuidado é igual para todas as pessoas
O autocuidado realista varia de pessoa para pessoa, pois depende de contexto social, renda, condições de saúde, rotina de trabalho e experiências individuais. Para alguém com filhos pequenos, alguns minutos de descanso em silêncio já podem ser um cuidado significativo, enquanto para outra pessoa o foco pode ser iniciar um tratamento médico ou organizar dívidas.
Essa flexibilidade afasta a ideia de um modelo único de cuidado, valorizando adaptações e escolhas que façam sentido para cada realidade. Em vez de reproduzir práticas divulgadas nas redes sem reflexão, muitas pessoas selecionam o que é viável, descartam o que não cabe em sua rotina e transformam o autocuidado em um compromisso discreto com a própria saúde e com uma vida possível.