
A Prefeitura de Niterói marcou o Dia Nacional da Economia Solidária, em 15 de dezembro, com a entrega dos cheques do 3º Edital de Fomento. O aporte de R$ 2 milhões fortalece coletivos e cooperativas, ampliando a geração de renda em áreas que sustentam famílias e movimentam a economia local.
Entrega de cheques no Dia Nacional da Economia Solidária
No Dia Nacional da Economia Solidária, celebrado em 15 de dezembro, a Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária, realizou a cerimônia de entrega dos cheques aos coletivos contemplados pelo 3º Edital de Fomento à Economia Solidária de Niterói.
A iniciativa busca fortalecer coletivos produtivos, cooperativas e empreendimentos solidários do município. O valor investido nesta etapa foi de R$ 2 milhões, beneficiando mais de 150 pessoas em áreas como artesanato, pesca artesanal, costura, alimentação, reciclagem e agricultura urbana.
Além disso, com esta nova edição, o município alcança a marca de R$ 6 milhões investidos diretamente no fortalecimento da economia solidária local, com apoio a associações, cooperativas, redes e empreendimentos populares.
Prefeito anuncia lei e ampliação do edital em 2026
Durante o encontro, o prefeito Rodrigo Neves destacou o papel estratégico da economia solidária no desenvolvimento social e econômico da cidade e anunciou novos investimentos, reforçando o compromisso com políticas de inclusão produtiva, geração de renda e justiça social.
“É uma alegria estar aqui com vocês, com as lideranças e com uma equipe que faz da gestão pública um verdadeiro trabalho coletivo. Quero reconhecer o trabalho transformador dos empreendimentos e dos movimentos da economia solidária, que têm compromisso com os coletivos e ajudam a mudar a realidade da nossa cidade. Mandei o projeto criando a lei da economia solidária de Niterói. No ano que vem, vamos ampliar ainda mais esse apoio, com um edital ainda maior. Também quero anunciar que a Casa da Economia Solidária será desapropriada e passará a ser definitivamente do povo, da Prefeitura e da economia solidária. Vamos fazer um governo ainda melhor e ninguém segura Niterói, ninguém segura a economia solidária”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Elton Teixeira: economia solidária no centro do orçamento público
O encontro também foi descrito como um momento de celebração e reafirmação do compromisso de Niterói com políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e ao fortalecimento dos movimentos sociais. Para o secretário de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira, os resultados são fruto de diálogo permanente, escuta ativa e da decisão política de tratar o tema como prioridade.
“Hoje é um dia simbólico para o Brasil e para Niterói. Ao longo dos últimos anos, avançamos muito ao atender as demandas do movimento social e trazer a economia solidária para o centro do orçamento público, transformando-a, de fato, em política pública. Instituímos o marco regulatório, ampliamos as feiras, criamos a moeda social Arariboia — o maior programa de economia solidária do país —, fortalecemos os espaços de comercialização e implementamos um modelo inovador de fomento que nasceu da escuta ativa do Fórum de Economia Solidária. Isso mostra que é possível construir políticas públicas eficazes quando o poder público caminha junto com a sociedade”, explicou Elton Teixeira.
Como funciona o fomento: recurso a fundo não reembolsável
O modelo adotado em Niterói não segue o microcrédito tradicional. Em vez disso, o município utiliza um fomento a fundo não reembolsável, garantindo autonomia para que os coletivos usem os recursos conforme suas necessidades, incluindo:
- formação
- formalização
- aquisição de equipamentos
O fomento tem como objetivos estimular a geração de trabalho e renda, fortalecer iniciativas autogestionárias e ampliar as condições de produção e comercialização justa no município. Os empreendimentos apoiados são cadastrados na Casa Paul Singer e organizados no âmbito do Fórum Municipal de Economia Solidária.
Pescadores de Piratininga ampliam turismo de base comunitária
O edital também tem contribuído para transformar a realidade de comunidades tradicionais em Niterói, com alternativas de geração de renda e fortalecimento de iniciativas sustentáveis. Um dos exemplos é a Associação de Pescadores Amigos da Lagoa de Piratininga (APALAP), contemplada pela segunda vez.
“Essa é a segunda vez que a associação é contemplada. Para nós, isso é muito importante. Na primeira vez, investimos no turismo de base comunitária: compramos um barco e um motor para poder trabalhar na Lagoa de Piratininga. Isso fez muita diferença na vida dos pescadores. O turismo ajudou a garantir um retorno financeiro para os pescadores quando não era possível tirar o sustento da pesca. Agora, nesse segundo edital, vamos investir na melhoria dos barcos, com a instalação de capotas, para dar mais conforto aos visitantes e ampliar o turismo, mostrando a beleza natural da lagoa. Hoje, temos cerca de 70 a 80 pescadores envolvidos e queremos ampliar esse cadastro, sempre com o objetivo de garantir um trabalho digno e sustentável para todos”, explicou Luiz Mendonça, presidente da associação.
“Mais de três mil empreendimentos cadastrados”, diz Jujuca
A economia solidária em Niterói vem sendo apresentada como uma política pública estruturante, com resultados na geração de renda, fortalecimento da economia local e redução das desigualdades sociais. O texto destaca que o crescimento do movimento é fruto da articulação entre produtores locais, universidades, incubadoras e o poder público.
“É uma honra falar em nome de um movimento que transforma vidas e o futuro de Niterói. A economia solidária cresce a cada dia e é construída a partir de um tripé fundamental: os produtores locais, as universidades e incubadoras, e o poder público. Hoje somos mais de três mil empreendimentos cadastrados. Antes da pandemia éramos cerca de 200. Somente neste ano, ultrapassamos dois milhões de reais em vendas nas feiras, com recursos que circulam na cidade e fortalecem pequenos produtores. Tenho certeza que iremos avançar ainda mais na redução das desigualdades e no fortalecimento dessa política pública que já é referência para o Brasil e para o mundo”, destacou Jujuca.
Autoridades presentes
O encontro contou com a participação da deputada estadual Verônica Lima, das secretárias Thaiana Ivia (Mulher) e Cláudia Almeida (Direitos Humanos e Cidadania), do secretário de Governo Paulo Bagueira e de representantes de diversos coletivos da economia solidária no município.