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O calendário de 2026 colocou o comércio varejista do estado do Rio em modo de atenção. Com 26 feriados municipais, além dos feriados nacionais e estaduais (como São Jorge, em 23 de abril), o setor estima que pode deixar de faturar mais de R$ 2 bilhões ao longo do ano. A preocupação cresce porque muitas datas caem em dias úteis e podem “emendar”, reduzindo o fluxo de pessoas nas ruas.

26 feriados municipais no RJ: por que 2026 virou alerta

O levantamento aponta que o estado terá 26 feriados municipais (aniversários de cidades e datas regionais), somados aos feriados nacionais e aos estaduais, como o Dia de São Jorge (23/04). Além disso, no âmbito federal, o governo publicou portaria com 10 feriados nacionais e 9 pontos facultativos em 2026 — um total de 19 datas para a administração pública federal, o que ajuda a explicar por que o tema entra cedo no planejamento de empresas e consumidores.

Saara-Rio-de-Janeiro

Perdas acima de R$ 2 bilhões: o que o estudo destaca

Segundo o estudo do CDLRio e do SindilojasRio, o varejo fluminense pode deixar de faturar mais de R$ 2 bilhões em 2026.

Números citados no levantamento

  • Faturamento médio mensal do comércio fluminense: R$ 1,4 bilhão
  • Capital: a cidade do Rio concentra cerca de metade, em torno de R$ 700 milhões

Dias úteis + “enforcamentos”: onde o varejo sente mais

Para o comércio, o ponto sensível é quando datas relevantes caem em dias úteis e acabam se estendendo por “enforcamentos” (a emenda entre feriado e fim de semana). Nesses períodos, muitas empresas optam por não abrir, o que reduz a circulação de pessoas e atinge principalmente o comércio lojista de rua e parte dos serviços de apoio. Outro ponto citado é a lógica econômica do “abre ou não abre”: a decisão passa pelo custo de operação (equipe, logística, energia) versus a receita esperada — conta que costuma ser ainda mais observada em shoppings e em lojas que trabalham com itens essenciais.

52 domingos e as regras para abrir em feriados

O estudo também chama atenção para os 52 domingos do ano, quando “boa parte do comércio não funcionará”, reduzindo, por definição, dias de venda no varejo tradicional.

Como funciona a abertura em feriados (regra geral)

No Brasil, o trabalho no comércio em feriados depende de autorização em convenção coletiva — diretriz reafirmada pela Portaria MTE nº 3.665/2023.

Exemplo prático na capital (SindilojasRio/SECRJ)

No município do Rio, o SindilojasRio informa que a abertura em feriados e domingos exige adesão à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com regras como:

  • no feriado, jornada efetiva de até 6 horas (com intervalo);
  • no domingo, jornada efetiva de até 7h20 (com intervalo);
  • previsão de ajuda de alimentação estipulada na CCT.

(Em outros municípios, as regras podem variar conforme o sindicato local e a convenção aplicável.)

Copa do Mundo 2026 e Eleições 2026: impacto indireto no consumo

Além dos feriados, o setor menciona que 2026 é ano de Copa do Mundo e de eleições, fatores que podem mexer com rotina, deslocamentos e padrão de consumo.

A Copa do Mundo 2026 está prevista para ocorrer de 11 de junho a 19 de julho de 2026.

As Eleições Gerais de 2026 terão 1º turno em 4 de outubro e, se necessário, 2º turno em 25 de outubro.

O que muda para quem compra e para quem vende

Para o consumidor, o efeito costuma aparecer em horários reduzidos e mudanças de rotina — por isso, vale conferir com antecedência o calendário do seu município e o funcionamento do comércio local. Para lojistas, o recado do estudo é de planejamento: entender quais feriados realmente “esvaziam” a cidade e quais podem virar oportunidade, especialmente quando há autorização para abrir e demanda concentrada.