
A Cinelândia, no Centro do Rio, voltou a concentrar um protesto com reflexos internacionais. Centenas de pessoas foram às ruas para condenar a ação militar dos Estados Unidos em Caracas e denunciar o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Protesto na Cinelândia mira sequestro de Maduro e ataque em Caracas
Centenas de manifestantes se reuniram na tarde de segunda-feira (5 de janeiro), na Cinelândia, para protestar contra o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores e para condenar a ação militar dos Estados Unidos na capital Caracas, no sábado (3).
O local, historicamente marcado por mobilizações políticas, voltou a ser usado como palco de críticas à intervenção estrangeira no país vizinho.

Quem organizou o ato no Centro do Rio
A manifestação foi articulada no fim de semana pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, formada por cerca de 50 entidades.
Trump anuncia operação e Maduro vai parar em prisão em Nova York
Segundo os relatos que motivaram o ato, o ataque a Caracas e o sequestro do chefe de Estado venezuelano foram anunciados pelo presidente norte-americano Donald Trump, que confirmou que Maduro foi levado à força para uma prisão em Nova York.
Em audiência na segunda-feira (5), em tribunal norte-americano, Maduro declarou-se inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.
Quais são as acusações
O caso envolve acusações citadas publicamente, como narcoterrorismo, tráfico de drogas e crimes relacionados a armas, segundo os registros divulgados sobre o processo.
Venezuelanos no Brasil: indignação, medo e visões opostas
Durante o ato, venezuelanos que vivem no Brasil expressaram indignação com a ação dos Estados Unidos.
- O estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, residente no país há oito anos, afirmou que a intervenção representa violação à soberania da Venezuela.

- O músico Alexis Graterol, que vive no Brasil há 20 anos, disse que as acusações contra Maduro são falsas e criticou o interesse norte-americano nos recursos naturais venezuelanos.
- Em posição divergente, o psicólogo Marco Mendoza, venezuelano que mora no Chile há oito anos, afirmou concordar com a intervenção, dizendo que o país já sofria influência de outras potências internacionais.
Estrangeiros e lideranças brasileiras alertam para impactos regionais
O protesto também contou com a participação de estrangeiros e lideranças políticas brasileiras.
O cineasta colombiano Raúl Vidales demonstrou preocupação com o avanço da presença militar norte-americana na América Latina e citou a existência de ao menos sete bases militares dos EUA na Colômbia, defendendo uma resistência coletiva em defesa da soberania regional.
Já o presidente estadual do PCdoB, Daniel Iliescu, criticou o enfraquecimento do multilateralismo e condenou o uso da força unilateral nas relações internacionais.
Imigrantes venezuelanos no Brasil: números citados e interiorização
Segundo dados citados no ato, os venezuelanos formam hoje o maior grupo de imigrantes no Brasil, com cerca de 200 mil pessoas, dentro de um total aproximado de 1 milhão de estrangeiros residentes no país.
Entre abril de 2018 e novembro de 2025, mais de 115 mil venezuelanos receberam apoio do Estado brasileiro para regularização e interiorização — sendo 3.290 destinados ao Rio de Janeiro.
Como referência estatística mais ampla, o Censo 2022 do IBGE aponta cerca de 1,0 milhão de estrangeiros e naturalizados vivendo no Brasil e destaca a imigração venezuelana como uma das principais mudanças no período.