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Os três pilotos que morreram na queda de um helicóptero em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, realizavam um voo de instrução para familiarização com o modelo da aeronave, segundo informou a Polícia Civil. O acidente ocorreu na manhã deste sábado (17) e deixou três vítimas fatais.

A investigação está sendo conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com acompanhamento da Polícia Civil.

Reprodução/Foto: Marcio Mofacto

Aeronave estava regular e havia passado por manutenção

A aeronave envolvida no acidente era um Robinson R44 II, de prefixo PS-GJS, utilizada para voos panorâmicos e pertencente a Diogo Stasiak. De acordo com o Cenipa, o helicóptero:

  • Havia passado recentemente por manutenção
  • Estava com a documentação regular
  • Não realizava voo comercial no momento do acidente

Segundo a delegada responsável pelo caso, tratava-se de um voo técnico.

“Era um voo de instrução para familiarização desse modelo de helicóptero. O Diego Dantas era o instrutor, e os outros dois, embora pilotos habilitados, recebiam instruções específicas desse tipo de aeronave”, explicou a delegada.


Quem eram as vítimas do acidente

De acordo com a Polícia Civil, todos os ocupantes eram pilotos habilitados. As vítimas foram identificadas como:

  • Sérgio Nunes Miranda – major da Força Aérea Brasileira (FAB)
  • Lucas Silva Souza – capitão do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro
  • Diego Dantas Lima Morais, de 36 anos – instrutor de voo

O capitão Lucas Silva Souza estava pilotando a aeronave no momento da queda. Ele havia completado cinco anos como capitão da corporação em dezembro e teve um artigo científico premiado em 2025 no Congresso Aeromédico (CONAER), abordando segurança jurídica em missões aeromédicas.

O major da FAB Sérgio Nunes Miranda também se destacava fora da carreira militar. Nas redes sociais, onde reunia mais de 30 mil seguidores, compartilhava conteúdos sobre aviação e coordenava o projeto social Semeando o Amanhã, voltado a crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

O único civil entre os mortos era Diego Dantas, que atuava como instrutor responsável pela atividade de instrução no dia do acidente.


Dinâmica do voo antes da queda

Segundo a investigação, o helicóptero:

  • Decolou do hangar da Helimar, no Recreio
  • Passou pelo Clube Céu, em Sepetiba, onde houve troca de pilotos
  • Decolou novamente e realizou manobras de instrução, conhecidas como circuito

Testemunhas relataram que, após essas manobras, a aeronave desapareceu da visão, instantes antes da queda.

Imagens registradas pela manhã mostram o helicóptero realizando manobras técnicas pouco antes do acidente.


Queda em área de mata e operação de resgate

O helicóptero caiu em uma área de mata fechada, na altura da Avenida Levy Neves, esquina com a Rua Tasso da Silveira. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado às 9h55.

A região é de difícil acesso, o que exigiu a atuação de equipes especializadas. Por volta das 14h, os bombeiros ainda realizavam o resgate dos corpos, que foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML).

Após a liberação da área, foi possível observar que:

  • A aeronave abriu um clarão na mata
  • A cabine se desprendeu da cauda
  • Os bancos ficaram submersos em área pantanosa
  • A hélice estava retorcida

O que será investigado pelo Cenipa

As causas da queda ainda não foram determinadas. Segundo a delegada, a apuração dependerá do laudo técnico do Cenipa, que irá analisar:

  • Motor
  • Cauda
  • Sistema de rotores
  • Condições operacionais da aeronave

“Agora o Cenipa fará a perícia técnica. A Polícia Civil seguirá ouvindo testemunhas, o mecânico e o proprietário da aeronave”, explicou.


Nota oficial da Aeronáutica

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou a abertura da investigação:

Investigadores do SERIPA III, órgão regional do Cenipa, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave PS-GJS em Guaratiba.

A FAB informou ainda que o Relatório Final SIPAER será publicado após a conclusão da investigação, conforme prevê o Código Brasileiro de Aeronáutica.