
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um homem suspeito de comandar um esquema de falsificação e venda de atestados médicos na capital fluminense. O investigado foi identificado como Adílio Campos Chagas e atuava na Rocinha, na Zona Sul da cidade.
Segundo a corporação, os documentos falsos permitiam que os interessados escolhessem tanto a data quanto a quantidade de dias de afastamento do trabalho. Durante a ação, os agentes apreenderam diversos carimbos com dados falsos de médicos.
Investigação começou após denúncia de médica
As apurações tiveram início em 2024, na 25ª Delegacia de Polícia, no Engenho Novo. Uma médica procurou a unidade após descobrir que seus dados estavam sendo usados na emissão de um atestado falso.
Na ocasião, ela foi contatada por uma empresa que buscava confirmar a autenticidade do documento apresentado por um funcionário. O suspeito chegou a ser identificado naquele momento, mas o pedido de prisão não foi autorizado.
Caso voltou a ser investigado no fim do ano
No fim do ano passado, a mesma médica voltou a identificar o uso indevido de seus dados em novos documentos falsificados. Um novo registro foi feito, e os investigadores novamente chegaram a Adílio Campos Chagas.
Ele foi preso no último fim de semana. A Polícia Civil informou que a investigação foi concluída oficialmente na última sexta-feira (23).
Esquema funcionava há cerca de cinco anos
De acordo com o inquérito, o esquema criminoso operava há aproximadamente cinco anos. Além de atestados médicos, também eram falsificadas receitas, com carimbos atribuídos a hospitais públicos e particulares.
O contato entre os clientes e o suspeito ocorria por meio de aplicativos de mensagens. Os valores variavam conforme o período de afastamento solicitado: R$ 25 por um dia e R$ 75 por cinco dias.
Provas incluíram mensagens e confissão
Durante a investigação, os policiais identificaram uma mulher que admitiu ter comprado um atestado falso. As mensagens trocadas durante a negociação foram usadas para comprovar o funcionamento do esquema.
Intimado a prestar esclarecimentos, Adílio compareceu à delegacia do Engenho Novo e confessou o crime. Em depoimento, ele afirmou que o pai já atuava na venda de atestados falsos e que assumiu a atividade após a morte dele, utilizando um talonário deixado pelo genitor.

Documentos imitavam modelos oficiais
Entre os materiais apreendidos, havia um atestado idêntico ao modelo utilizado pela Prefeitura do Rio. O documento atribuía a consulta a um hospital da Zona Sul da cidade.
A Polícia Civil destacou que a investigação não apontou envolvimento das unidades de saúde citadas. Segundo os investigadores, a falsificação dos papéis timbrados fazia parte da fraude conduzida exclusivamente pelo suspeito.