
Mais de 30% dos cursos de Medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) tiveram desempenho considerado insatisfatório. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e analisou 351 cursos em todo o país.
Entre eles, 107 receberam conceitos 1 ou 2, as duas faixas mais baixas da avaliação conduzida pelo Inep. Desse total, dez cursos estão localizados no estado do Rio de Janeiro.
O que é o Enamed e quem participou
O Enamed avalia o que os estudantes aprenderam ao longo da graduação em Medicina e mede se eles estão preparados para atuar profissionalmente. A prova contou com a participação de cerca de 89 mil alunos, incluindo concluintes e estudantes de outros períodos do curso.
Segundo o Inep, 75% dos participantes demonstraram domínio das habilidades e competências esperadas. No recorte específico dos concluintes, que somaram aproximadamente 39 mil estudantes, apenas 67% atingiram o nível considerado proficiente.
Cursos de Medicina mal avaliados no Rio de Janeiro
No recorte regional, o Rio de Janeiro aparece com dez cursos de Medicina entre os que obtiveram conceitos 1 ou 2 no Enamed. Todas as instituições listadas são privadas ou municipais.
Confira os cursos com pior avaliação no estado:
- Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Angra dos Reis – conceito 1
- Universidade Iguaçu (Unig) – Nova Iguaçu – conceito 2
- Universidade Iguaçu (Unig) – Itaperuna – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Rio de Janeiro – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Duque de Caxias – conceito 2
- Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) – Teresópolis – conceito 2
- Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) – Volta Redonda – conceito 2
- Faculdade de Medicina de Campos (FMC) – Campos dos Goytacazes – conceito 2
- Afya Centro Universitário de Itaperuna – Itaperuna – conceito 2
- Centro Universitário FAMESC (UniFAMESC) – Bom Jesus do Itabapoana – conceito 2
Punições e medidas de supervisão
Os cursos com desempenho insuficiente no Enamed serão submetidos a processos de supervisão e penalidades, que variam de acordo com a nota obtida. Oito cursos com os piores resultados estão proibidos de receber novos alunos.
Outros 13 cursos terão redução de 50% na oferta de vagas, enquanto 33 sofrerão corte de 25%. Além disso, todos os cursos com conceitos 1 e 2 ficam suspensos de novos contratos do Fies e de outros programas federais. Outros 45 cursos não poderão ampliar o número de vagas.
As sanções permanecem válidas até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026. As instituições serão notificadas e terão prazo de 30 dias para apresentar recurso administrativo.
“Todas as instituições terão o direito de se defender e apresentar justificativas. O objetivo é corrigir falhas e melhorar a qualidade do ensino. A avaliação faz parte desse processo”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana.

Diferença entre instituições públicas e privadas
Os dados do MEC apontam forte contraste entre instituições públicas e privadas. Dos 107 cursos com conceitos 1 ou 2, 87 pertencem a instituições particulares. Apenas cinco são de universidades federais ou estaduais. Entre os oito cursos oferecidos por faculdades municipais, sete ficaram nas faixas mais baixas.
Já entre os cursos com conceitos satisfatórios ou elevados, de 3 a 5, as universidades públicas são maioria. Ao todo, 114 cursos federais e estaduais alcançaram essas faixas, contra 89 cursos privados.
Nas universidades federais, 87,6% dos cursos obtiveram conceitos 4 ou 5. Nas estaduais, o índice foi de 84,7%.
Impacto no registro profissional
O Conselho Federal de Medicina avalia impedir que cerca de 13 mil estudantes do último semestre que não atingiram nota mínima no Enamed consigam o registro profissional. A entidade discute no Congresso Nacional a criação de um exame próprio de habilitação, mas os projetos seguem sem avanço.
Enquanto isso, o conselho estuda editar uma resolução que vincule o registro ao desempenho no Enamed.
“O resultado mostra que a expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática”, afirmou o CFM, em nota.

Reação das instituições de ensino
A Associação Nacional das Universidades Particulares informou que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se posicionar de forma conclusiva sobre os resultados. Já a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior defendeu que os dados do Enamed 2025 sejam tratados como um diagnóstico inicial e pediu a suspensão imediata dos efeitos punitivos.
O MEC reforça que a avaliação tem como objetivo proteger a população atendida pelos futuros profissionais de saúde e estimular a melhoria da qualidade do ensino médico no país.
Para estudantes e famílias, acompanhar os resultados do Enamed é uma forma de entender melhor o cenário do ensino médico e avaliar os impactos das decisões tomadas a partir da avaliação.