
Atravessar a ponte para passar o dia deixou de ser exceção e virou comportamento recorrente. Para professores universitários da área de Turismo, o que se observa hoje é a consolidação do chamado turismo de proximidade — também conhecido como turismo de um dia — em que moradores do Rio de Janeiro escolhem Niterói como destino sem pernoite, sem mala e sem planejamento complexo.
Esse movimento cresce na Região Metropolitana e ajuda a explicar o aumento de visitantes cariocas em praias, museus, trilhas, bares e eventos niteroienses ao longo de todo o ano.

O que é o “turismo de um dia”, segundo especialistas
De acordo com docentes de cursos de Turismo e Planejamento Urbano, o turismo de um dia ocorre quando o deslocamento é curto, feito dentro da própria região metropolitana, com ida e volta no mesmo dia. Não envolve hotel, pacote turístico ou grandes gastos — mas movimenta a economia local.
Professores explicam que esse tipo de turismo ganhou força após a pandemia, quando as pessoas passaram a:
- Evitar longas viagens
- Valorizar experiências ao ar livre
- Buscar destinos próximos e previsíveis
- Priorizar custo-benefício e qualidade do tempo livre

Por que o Rio favorece esse tipo de turismo
Na capital, fatores estruturais aceleraram essa mudança. A superlotação de praias urbanas, o trânsito intenso, o custo elevado do lazer e a busca por ambientes menos estressantes fizeram muitos cariocas repensarem onde passar o dia.
Especialistas apontam que, para quem mora no Rio, sair da cidade pode ser mais fácil do que circular dentro dela. Em fins de semana e feriados, atravessar a baía se tornou, para muitos, uma alternativa mais racional do que disputar espaço em áreas saturadas.

Por que Niterói virou o principal destino
Niterói reúne características ideais para o turismo de proximidade:
- Acesso rápido a partir do Rio
- Praias oceânicas com melhor balneabilidade
- Patrimônio cultural concentrado, como o Museu de Arte Contemporânea
- Áreas naturais preservadas, como trilhas e parques
- Rede gastronômica forte e distribuída pela cidade
Além disso, o desenho urbano permite combinar diferentes experiências no mesmo dia — praia pela manhã, almoço, passeio cultural e pôr do sol — algo valorizado por quem busca aproveitar mais com menos deslocamento.

A experiência pesa mais do que a distância
Do ponto de vista acadêmico, a decisão não é apenas geográfica, mas emocional. Professores destacam que o turista de um dia busca sensação de pausa, silêncio relativo, paisagem aberta e menor pressão urbana.

Nesse aspecto, praias como Itacoatiara e Camboinhas, a orla de Icaraí e os equipamentos culturais da cidade oferecem uma experiência percebida como “fora do cotidiano”, mesmo estando a poucos quilômetros da capital.


Impacto direto na economia local
Embora o visitante não durma na cidade, o impacto econômico é real. Especialistas explicam que o turismo de um dia:
- Aumenta o consumo em bares, restaurantes e quiosques
- Movimenta transporte, estacionamentos e serviços
- Fortalece eventos culturais e esportivos
- Gera fluxo constante, não apenas sazonal
Esse perfil ajuda a diluir a dependência de grandes temporadas e cria uma base mais estável de visitantes ao longo do ano.

Tendência deve crescer nos próximos anos
A avaliação dos professores é de que o fenômeno tende a se intensificar. Mudanças no mundo do trabalho, como modelos híbridos e maior flexibilidade de horários, favorecem deslocamentos curtos e experiências rápidas.
Além disso, políticas públicas voltadas ao turismo urbano e de natureza, quando bem integradas, reforçam o papel de Niterói como destino complementar ao Rio, e não concorrente.

Um novo mapa do lazer metropolitano
O turismo de um dia revela uma transformação silenciosa na forma como cariocas enxergam o lazer. Em vez de buscar destinos distantes, muitos passaram a redescobrir a própria Região Metropolitana.
Para especialistas, Niterói ocupa hoje um lugar estratégico nesse novo mapa: próxima, diversa e capaz de oferecer experiências que o visitante reconhece como descanso — mesmo sem sair de perto de casa.
