
Há exatamente cinco anos, Niterói entrou para a história do Brasil ao iniciar a aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19, tornando-se referência nacional no enfrentamento da maior crise sanitária do século. O marco aconteceu em 19 de janeiro de 2021 e permanece vivo na memória de quem viveu, trabalhou e resistiu naquele período.
Entre essas pessoas está Bruna Kelly de Jesus Lemos, enfermeira, moradora de Niterói, mãe e profissional da linha de frente da pandemia. Foi ela quem recebeu simbolicamente a primeira dose da vacina aplicada na cidade, representando milhares de profissionais de saúde que enfrentaram meses de medo, exaustão e perdas.

“Não foi só uma vacina. Foi um marco”
Bruna lembra com nitidez o momento em que recebeu a dose. Para ela, não se tratava apenas de um gesto técnico, mas de um símbolo coletivo.
“Não foi só uma vacina. Foi um marco. Eu estava ali representando milhares de profissionais que atravessaram meses de medo, incerteza e luta. Pensei no meu filho, na minha mãe, na minha família inteira. Me formei para isso. Estava onde precisava estar”, relembra.
Durante a pandemia, Bruna acompanhou pacientes desde a internação até a alta, testemunhou milhares de recuperações, mas também conviveu com despedidas que deixaram marcas profundas.
Pioneirismo que salvou vidas
A vacina aplicada naquele dia foi a CoronaVac, seguindo as diretrizes do Plano Nacional de Imunização (PNI). Desde o início, Niterói adotou uma estratégia organizada, ágil e baseada na ciência, o que permitiu avanços rápidos na cobertura vacinal.
Ao longo do período, o município aplicou mais de 1 milhão de doses de vacinas contra a Covid-19, em uma campanha contínua, sem interrupções, que ajudou a reduzir internações, casos graves e óbitos.
Niterói como referência nacional no combate à pandemia
O prefeito Rodrigo Neves destacou que o enfrentamento à Covid-19 em Niterói teve dimensão histórica e deixou um legado permanente para a cidade.
“Tivemos coragem de inovar, adotamos políticas públicas que colocaram a proteção da vida acima de qualquer outra decisão. Estruturamos uma ampla retaguarda hospitalar e provamos que era possível salvar vidas e, ao mesmo tempo, proteger a economia”, afirmou.
Segundo o prefeito, o trabalho incansável dos profissionais de saúde foi decisivo para minimizar os impactos da doença e transformar a resposta da cidade em referência para outros municípios do Brasil.

Hospital Oceânico: símbolo do enfrentamento e legado para a saúde
Um dos maiores símbolos desse período foi o Hospital Municipal Oceânico Gilson Cantarino, em Niterói. A unidade foi o primeiro hospital do país exclusivo para o tratamento de pacientes com Covid-19.
A Prefeitura arrendou um hospital privado que estava fechado, realizou obras de adequação e colocou a unidade em funcionamento em menos de um mês, atendendo os primeiros pacientes ainda em 2020.
Durante o período mais crítico da pandemia, o Hospital Oceânico:
- realizou mais de 3.400 atendimentos
- ajudou a salvar cerca de 2.500 vidas
Hoje, o hospital é um legado permanente, com Centro Cirúrgico, CTI, exames, procedimentos de média e alta complexidade e expansão recente de leitos.
Compromisso com a ciência e a pesquisa
Além da vacinação, Niterói teve papel ativo na viabilização científica da vacina, por meio da parceria com o Instituto Butantan e da participação nos estudos da fase 3 da CoronaVac.
Esse envolvimento reforçou o compromisso do município com a ciência, a pesquisa e a responsabilidade pública, em um momento de incerteza global.
A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, destacou que a atuação antecipada foi decisiva:
“O início precoce da vacinação é lembrado como um marco da resposta de Niterói à maior crise sanitária das últimas décadas”, afirmou.
Cinco anos depois, um sentimento de orgulho e pertencimento
Hoje, cinco anos após aquele dia histórico, Bruna segue atuando no Hospital Oceânico. Para ela, continuar ali é mais do que um trabalho.
“É como um filho que a gente viu nascer e crescer. Esse hospital não morreu com o fim da pandemia. Ele abraçou novas histórias, novas vidas. Eu faço parte disso. Aqui, a gente se fortaleceu junto. Tem histórias que ficam marcadas para sempre”, disse.
A história da primeira dose aplicada em Niterói não é apenas uma lembrança do passado. É um retrato de como decisões baseadas na ciência, na solidariedade e no cuidado coletivo podem salvar vidas e transformar cidades.