O Futuro das Cidades no Século XXI
Foto: Divulgação

O auditório do Caminho Niemeyer, em Niterói, recebeu um grande debate sobre o futuro das cidades no século XXI e os caminhos do município até 2050. Lideranças, especialistas e moradores se reuniram para discutir desafios como desigualdades, envelhecimento populacional e desenvolvimento sustentável. O encontro integra o projeto Niterói que Queremos (NQQ), que já mobilizou mais de 14 mil pessoas em consultas públicas, reforçando a participação popular nas decisões sobre o futuro da cidade.

Niterói que Queremos e o debate sobre o futuro das cidades

O debate “O Futuro das Cidades no Século XXI” lotou o auditório do Caminho Niemeyer nesta segunda-feira (17), reunindo lideranças políticas, especialistas e moradores de Niterói.

O encontro faz parte do ciclo de debates do projeto Niterói que Queremos (NQQ), um processo participativo que já envolveu mais de 14 mil pessoas em consultas públicas. A proposta é construir, de forma coletiva, uma visão de cidade até 2050, orientando políticas públicas em áreas como mobilidade, inclusão social, meio ambiente, segurança e desenvolvimento econômico.

O destaque da programação foi a palestra do sociólogo e jurista Boaventura de Sousa Santos, que trouxe uma reflexão crítica sobre os modelos tradicionais de desenvolvimento urbano e defendeu novas formas de planejamento com mais escuta e participação.

O Futuro das Cidades no Século XXI
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Boaventura de Sousa Santos e o planejamento urbano participativo

Reconhecido internacionalmente por suas contribuições nas áreas de globalização, sociologia do direito, epistemologia e direitos humanos, Boaventura de Sousa Santos reforçou, em sua fala, a importância do planejamento urbano participativo.

Professor emérito da Universidade de Coimbra, acadêmico da Universidade de Wisconsin–Madison e autor de obras renomadas, Boaventura fez críticas aos modelos de crescimento urbano baseados em exclusão e concentração de riqueza.

Durante o debate, o sociólogo sintetizou sua visão em uma frase central:

O planejamento ou é participativo, ou não é planejamento.

Ele defendeu processos decisórios mais amplos e democráticos, que envolvam efetivamente a população nas escolhas sobre o território e sobre o uso dos recursos públicos.

Boaventura também propôs a ideia de um “socialismo municipalista” como resposta à crise do chamado “capitalismo selvagem”, articulando essa discussão à necessidade de renaturalizar as cidades, com mais áreas verdes, proteção ambiental e novos modos de viver o espaço urbano.

Avanços de Niterói em mobilidade, inclusão e segurança integrada

O prefeito Rodrigo Neves apresentou, no encontro, os principais avanços recentes da cidade em diferentes áreas estratégicas. Ele destacou:

  • Mobilidade urbana, com investimentos em estrutura viária e transporte;
  • Ações de combate às desigualdades, com foco em inclusão social;
  • Políticas de segurança pública integrada, articulando diferentes órgãos;
  • Investimentos em educação e tecnologia, pensando a cidade para as próximas décadas.

Segundo o prefeito, Niterói vem mostrando que é possível construir uma cidade que “cuida das pessoas, valoriza a participação popular e olha para o futuro com esperança e responsabilidade”.

Para ele, o desafio agora é aprofundar a inovação e garantir qualidade de vida para todos, estruturando um modelo de cidade inclusiva, inovadora, diversa e sustentável.

O Futuro das Cidades no Século XXI
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Desafios demográficos, econômicos e territoriais até 2050

Além dos avanços, Rodrigo Neves chamou a atenção para desafios que já estão no horizonte de Niterói rumo a 2050.

Envelhecimento da população e transição demográfica

Um dos pontos centrais é o envelhecimento da população, tendência que impacta saúde, previdência, mobilidade, moradia e políticas de cuidado. Planejar a cidade para essa realidade significa pensar:

  • Acessibilidade urbana;
  • Serviços de saúde mais especializados;
  • Equipamentos públicos adaptados a diferentes faixas etárias.

Transição econômica sustentável e economia do conhecimento

O prefeito também defendeu uma transição econômica sustentável, baseada na economia do conhecimento e na economia verde, capaz de gerar empregos de qualidade e reduzir a dependência de modelos predatórios de desenvolvimento.

Essa visão liga o futuro de Niterói a temas como inovação, tecnologia, economia criativa e sustentabilidade ambiental.

Redução das desigualdades territoriais

Outro eixo fundamental é a redução das desigualdades territoriais dentro do próprio município, garantindo que políticas públicas cheguem de forma equilibrada a todos os bairros e regiões. Isso envolve:

  • Planejamento urbano mais justo;
  • Investimentos em infraestrutura nas áreas mais vulneráveis;
  • Políticas integradas de habitação, transporte, educação e segurança.

O evento também contou com a presença da vice-prefeita Isabel Swan; da secretária de Planejamento, Isadora Modesto; do secretário de Participação Social, Octávio Ribeiro; da secretária de Direitos Humanos, Cláudia Ferreira; e do procurador municipal, Técio Lins e Silva.

Todos destacaram o caráter colaborativo e multidisciplinar do Niterói que Queremos (NQQ), que articula diferentes áreas da gestão pública com a sociedade civil.

Crescimento da participação e fortalecimento das políticas públicas

A secretária de Planejamento, Isadora Modesto, ressaltou o aumento do engajamento da população na construção do futuro da cidade. Segundo ela, a consulta pública do Niterói que Queremos já recebeu a participação de mais de 14 mil pessoas, superando as 10 mil da edição anterior.

Para Isadora, esse processo mostra:

  • O interesse crescente da população em discutir o futuro da cidade;
  • O engajamento de instituições no fortalecimento de políticas públicas integradas;
  • A centralidade de temas como transição demográfica, transição econômica e redução das desigualdades territoriais na agenda de Niterói.

Ao envolver moradores, especialistas e gestores, o NQQ reforça os princípios de EEATautoridade, experiência e confiabilidade – na construção de políticas públicas mais sólidas, transparentes e legitimadas pela sociedade.