Cidades

Hotel Emergencial em Niterói já abrigou quase 1.700 pessoas

Hotel Emergencial em Niterói já abrigou quase 1.700 pessoas

A chegada da pandemia trouxe muitos desafios. Um deles foi o empobrecimento da população com fechamento de vários postos de trabalhos. Com o aumento da população vulnerável, a Prefeitura de Niterói arrendou vagas em hotel onde passou a acolher homens e mulheres adultos com a perspectiva de ser um local de acolhimento onde pode oferecer refeições, auxílio psicológico, assistencial e trabalhar as necessidades individuais. De abril de 2020 até o momento, 1.757 pessoas já passaram pelo hotel.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária (SMASES) é a responsável pela gestão do hotel, que tem como objetivo manter a saúde e o acolhimento dessa população, além de estimular a autonomia e a independência pessoal. O secretário de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira, conta que o objetivo é, mais do que dar um teto, dar uma nova perspectiva de vida a essas pessoas. “Nos últimos anos, a população vulnerável da sociedade aumentou bastante. Temos feito um trabalho na SMASES no sentido de fortalecer e estimular a cidadania e assim contribuir na garantia de direitos. Trabalhamos com acolhimento e atendimento aos grupos vulneráveis com assistentes sociais, psicólogos, orientação jurídica, encaminhamento para serviços de saúde, trabalho e renda. O objetivo principal é construir com os acolhidos um trabalho que culmine na sua autonomia e reinserção social. A Cidadania é um processo, não algo pronto, acabado, mas aquilo que se constrói com lutas e acesso a Políticas Públicas de qualidade”, esclarece o secretário.

O hotel disponibiliza 70 vagas para acolhimento emergencial com hospedagem provisória para suprir a necessidade dessa população. A hospedagem prevê o amparo com garantia de condições de repouso, banho, higiene pessoal e alimentação, além do acompanhamento sistemático com equipe de assistentes sociais e psicólogos.

Solidariedade

A coordenadora do hotel, a psicóloga Marta Oliveira, explica que a equipe do hotel também trabalha na reinserção social dos acolhidos e que, para tentar uma vaga de emprego, a aparência conta bastante. “Desenvolvemos no hotel o Projeto Tecendo Olhares, com cortes de cabelo para os usuários acolhidos com o objetivo de resgate da autoestima e cidadania dos usuários. Uma boa aparência os impulsiona a buscar emprego e retornarem ao mercado de trabalho. Existe muito preconceito quando vão entregar os currículos e o endereço consta como hotel de acolhimento, então a aparência ajuda as pessoas a não olharem para eles com desdém ou até receio”, destaca a psicóloga.

Desde o início do funcionamento, o hotel recebe a ajuda voluntária do Eduardo Alvarenga, barbeiro, que vai quinzenalmente à unidade e oferece cinco cortes de cabelo a cada vez. Em dois anos, foram aproximadamente 100 idas ao hotel e mais de 450 cortes efetuados em homens e mulheres acolhidos. “Depois de ficar desempregado, em 2017, fui trabalhar em uma igreja. Nos anos seguintes, fiz dois cursos de barbeiro. Há alguns anos faço trabalhos voluntários em creches e igrejas. Um dia perguntaram se eu conhecia algum barbeiro e, apesar de não trabalhar na área ainda, tinha feito os cursos e gosto muito dessa área. Fui ser voluntário no hotel, passei pelas três unidades e sigo cortando cabelo por lá. Meu desejo é arrumar um emprego nessa área, hoje faço por amor. É uma troca, pratico cortes e evoluo enquanto ajudo o próximo”, conta Eduardo.

Corte de cabelo no hotel

André, 53 anos, está acolhido no hotel há seis meses e teve o cabelo cortado na última terça-feira, pelo voluntário. “O projeto do hotel ajuda em tudo que a gente precisa. Tive o cabelo cortado e ajeitado e isso faz diferença para arrumar um trabalho. O técnico chamou a gente para cortar o cabelo e fazer a barba para ficar com uma boa aparência para as entrevistas. O hotel também me ajudou com os documentos, já tenho certidão de nascimento e identidade”, disse. os de saúde poderão encaminhar pessoas para emitirem o documento.