Carnaval de Niterói
Foto: Claudio Fernandes

O Carnaval de Niterói já começa antes do desfile — e com impacto direto na vida de quem trabalha nos bastidores. No galpão da Prefeitura de Niterói, no Barreto, as escolas finalizam alegorias para 6, 7 e 8 de fevereiro, no Caminho Niemeyer, enquanto colocam de pé um projeto que mira emprego e renda o ano inteiro: a Escola do Ventre.

Carnaval de Niterói nos bastidores: 23 escolas no galpão do Barreto

No galpão da Prefeitura de Niterói, no Barreto, o som do ferro, a cola quente e a criatividade ecoam entre alegorias e carros em construção. É lá que 23 das 25 escolas que desfilarão no Caminho Niemeyer, nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, transformam sonhos em realidade. Além disso, a preparação do espetáculo deste ano já vem acompanhada de um passo estratégico: a criação da Escola do Ventre.

Carnaval de Niterói
Foto: Claudio Fernandes

Escola do Ventre: profissionalização do Carnaval como política pública

A proposta, apoiada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Neltur, da Secretaria das Culturas e da Secretaria de Governo, quer profissionalizar ainda mais o Carnaval de Niterói e torná-lo um polo gerador de renda e oportunidades ao longo do ano. O projeto será coordenado pela União das Escolas de Samba de Niterói.

“O Carnaval de Niterói deixa um legado que vai muito além dos desfiles. Ele movimenta a economia local, fortalece a cultura popular, forma profissionais e cria oportunidades ao longo de todo o ano. Esse é o olhar da Prefeitura: transformar tradição em desenvolvimento, cultura em trabalho e criatividade em renda”, destaca o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Sustentabilidade e reaproveitamento após o Carnaval de 2026

Ao final do Carnaval de 2026, quando as plumas e paetês voltarem para o barracão, o grupo começará a fazer o que já é uma tradição: escolher o que pode ser reaproveitado e desmontar os carros. No entanto, desta vez, com um foco diferente. No mês de março, o espaço começará a ser preparado para que as oficinas da Escola do Ventre possam receber, em média, 60 aprendizes.

Carnaval de Niterói
Foto: Claudio Fernandes

Oficinas para formar mão de obra e manter o trabalho o ano todo

Os aprendizes serão escolhidos pelas agremiações e entre as comunidades para aprender um pouco de tudo. Do artesanato à costura e à soldagem, poderão até se tornar carnavalescos no futuro. A ideia é que aprendam para serem empregados pelas próprias escolas, ganhando com o Carnaval ao longo do ano e, assim, sucessivamente, produzindo novos adereços.

“Estamos apoiando o projeto Ventre do Samba porque acreditamos e enxergamos o Carnaval como uma política sólida de cultura e de geração de emprego e renda. A cada ano estamos oferecendo cada vez mais apoio e estrutura para que as escolas possam apresentar na avenida um carnaval organizado e de qualidade. Queremos nosso Carnaval com muito profissionalismo, fazendo as comunidades se envolverem, o Carnaval crescer e a cidade brilhar”, afirmou o secretário de Governo e presidente da Comissão de Carnaval, Paulo Bagueira.

União das escolas: troca de técnicas, materiais e oportunidades

A união entre as escolas é um diferencial. Um grupo ajuda o outro, e a competição fica para a Avenida. Dessa forma, materiais são compartilhados, técnicas são ensinadas e histórias são trocadas entre costureiras, aderecistas, ferreiros e jovens aprendizes.

“Essa é a semente que estamos plantando. Não é só Carnaval de um dia, mas um movimento que transforma vidas o ano inteiro. Esse espaço é um símbolo de união. Aqui as escolas se ajudam, trocam profissionais, compartilham tintas, tecidos e ideias. É uma grande oficina da cultura popular”, destaca Marcelo de Serpa, presidente da União das Escolas de Samba de Niterói (Unes).

Carnaval de Niterói
Foto: Claudio Fernandes

Quem participa das oficinas: escolas e comunidades do entorno

Quando fala do projeto Escola do Ventre, Rosane Gracietti, diretora financeira e administrativa da União das Escolas de Samba, explica que a proposta é abrir as oficinas para integrantes das agremiações e moradores das comunidades do entorno.

“Cada uma das 25 escolas vai indicar duas ou três pessoas, da própria escola ou da comunidade onde está inserida. A ideia é profissionalizar essa mão de obra para que essas pessoas já saiam empregadas e trabalhando com amor ao longo do ano. É a prata da casa sendo valorizada. Quando você forma o seu próprio profissional, o dinheiro circula dentro da escola, a família cresce junto e o Carnaval vira reconhecimento, renda e pertencimento. Carnaval é família. A gente só é concorrente quando entra na Avenida”, disse Rosane Gracietti.

Emprego e renda: a engrenagem do Carnaval de Niterói o ano inteiro

Para o presidente da Neltur, André Bento, o Carnaval de Niterói é muito mais do que festa: é uma poderosa engrenagem de geração de emprego e renda que movimenta as comunidades ao longo de todo o ano.

” Antes mesmo do primeiro bloco ir para a rua, centenas de trabalhadores já estão em atividade. São aderecistas, ferreiros, costureiras, escultores, marceneiros, pintores e profissionais da economia criativa que têm no Carnaval uma fonte contínua de trabalho e sustento”, ressaltou André Bento.

Em 2025, cerca de 250 mil foliões participaram do Carnaval da cidade. Apenas os desfiles das escolas de samba, no Caminho Niemeyer, reuniram mais de 60 mil pessoas ao longo de dois dias. Esse impacto se reflete na atividade turística: a rede hoteleira de Niterói registrou 100% de ocupação durante o período, beneficiando diretamente hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e prestadores de serviços.

Além disso, André Bento lembra que o alcance do Carnaval vai além das ruas. As transmissões ao vivo realizadas pelos canais oficiais da Prefeitura, incluindo o YouTube, somaram mais de 100 mil visualizações, ampliando a visibilidade das escolas, dos artistas e da cidade. Espectadores de diversos países assistiram e comentaram nas transmissões.

Bastidores que viram futuro: quem já trabalha e quem quer se formar

Esse investimento na economia local, a valorização cultural e a inclusão produtiva fazem parte de uma política pública que fortalece territórios, gera oportunidades e reafirma o Carnaval como um ativo estratégico de desenvolvimento econômico, social e turístico para Niterói durante todo o ano.

Antes mesmo do início das oficinas, a Escola do Ventre já oferece oportunidades de emprego para diversas pessoas das comunidades. Ela já recebe voluntários que sonham em conquistar um trabalho certificado e se tornar um profissional do Carnaval.

Experiência e legado: Edílio Júnior

Edílio Júnior já é veterano do Carnaval e construiu uma trajetória marcada pela dedicação e experiência no universo carnavalesco.

“Trabalho com Carnaval há cerca de 12 ou 13 anos. Iniciei meu projeto na Mangueira, no Rio de Janeiro. Ao longo da minha trajetória, já trabalhei com nomes importantes como Max Lopes, Renato Lage e Rosa Magalhães. Tenho, portanto, uma experiência consolidada na área. Meu trabalho aqui é sazonal. Costumo começar por volta do mês de novembro e sigo até o período do Carnaval. A rotina é intensa e bastante corrida, mas muito satisfatória. Gosto muito do que faço. O espaço já oferecia oportunidades, mas vem crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. O Carnaval hoje está sendo visto com um novo olhar, mais sério e valorizado”, destacou.

Nova geração: Alédio, 18 anos, do Fonseca

Além do valor cultural e social, o Carnaval se consolida como uma importante porta de entrada para a nova geração, que busca oportunidades para aprender, se profissionalizar e brilhar nos bastidores. Alédio da Silva de Oliveira, morador do bairro do Fonseca, em Niterói, tem 18 anos e representa a nova geração que encontra no Carnaval uma oportunidade de aprendizado e crescimento profissional. Há cerca de dois anos, ele atua no barracão, onde vem construindo sua trajetória e adquirindo experiência.

“Trabalhar com Carnaval é intenso, principalmente quando chega o mês de janeiro e a rotina fica mais apertada. Mesmo assim, é uma experiência muito boa e prazerosa, especialmente para quem gosta do que faz. Além do Carnaval, eu estudo. Durante esse período, o trabalho gera muito aprendizado. Aqui dentro a gente aprende diversas coisas, convive com muitas pessoas e recebe ensinamentos de quem já tem mais experiência, o que faz toda a diferença. Pretendo me inscrever para as oficinas no próximo ano. Para o futuro, quero continuar no Carnaval como profissional”, completa Alédio.

Ordem dos desfiles no Caminho Niemeyer

Série Ouro (Sexta-feira – 06/02/2026)

  • 20:00: Cacique da São José
  • 20:40: Unidos da Região Oceânica
  • 21:30: Unidos do Sacramento
  • 22:10: Banda Batistão
  • 22:50: Paraíso do Bonfim
  • 23:30: Garra de Ouro
  • 00:10: Combinado do Amor
  • 00:50: Tá Rindo Por Quê?

Grupo Especial (Sábado – 07/02/2026)

  • 20:00: Sabiá
  • 20:45: Império de Araribóia
  • 21:30: Império de Charitas
  • 22:15: Alegria da Zona Norte
  • 23:05: Souza Soares
  • 23:50: Folia da Viradouro
  • 00:35: Magnólia Brasil
  • 01:20: Experimenta da Ilha da Conceição

Série Prata e Avaliação (Domingo – 08/02/2026)

Série Prata:

  • 18:00: Data Venia Doutor
  • 18:35: Galo de Ouro
  • 19:10: Bem Amado
  • 19:45: Mocidade Independente de Icaraí
  • 20:20: Acadêmicos da Ponta da Areia
  • 20:55: Balanço do Fonseca

Grupo de Avaliação:

  • 21:30: América Samba e Paixão
  • 22:00: Bugres do Cubango
  • 22:30: Acadêmicos do Largo da Batalha
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