Agenda

Exposição em Niterói resgata a memória da ditadura militar no país

Visite a exposição em Niterói que resgata a memória da ditadura militar no país e conheça documentos históricos sobre a repressão.

Rua da Relação Exposição | Foto: Claudio Fernandes
Rua da Relação Exposição | Foto: Claudio Fernandes

Niterói - A cidade de Niterói recebe, até o dia 30 de abril, a impactante exposição “Rua da Relação, 40: testemunho material da violência de Estado”, no Centro de Artes da UFF. A mostra reúne documentos históricos, arquivos e registros sobre os períodos de repressão, tortura e perseguição no Brasil, com foco especial nas atrocidades cometidas dentro do antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), durante a ditadura militar.

A iniciativa é promovida pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal das Culturas (SMC), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). A exposição foi aberta nesta segunda-feira (31) com a presença da prefeita em exercício, Isabel Swan, e pode ser visitada gratuitamente de segunda a sábado, das 9h às 21h.

“Preservar a memória histórica é fundamental para que possamos construir um futuro onde os direitos humanos sejam respeitados e a democracia fortalecida. Essa exposição nos lembra das atrocidades cometidas no passado para que nunca mais se repitam. Niterói, como pioneira na criação da Comissão Municipal da Verdade, tem a responsabilidade de garantir que o sofrimento de tantas pessoas seja reconhecido e que a justiça continue sendo uma prioridade para todos. Niterói vai estar sempre ao lado da cultura e na preservação de nossas memórias para as próximas gerações”, afirmou Isabel Swan.

Um passado que não pode ser apagado

O número 40 da Rua da Relação, na Lapa, é mais do que um endereço: é um dos locais mais simbólicos da repressão no Brasil. O prédio que hoje abriga o Palácio da Polícia já foi sede do DOPS, onde centenas de presos políticos foram interrogados e torturados durante o regime militar. No entanto, a história de opressão no local remonta ao período anterior à ditadura, quando pessoas negras, LGBTQIA+ e praticantes de religiões afro-brasileiras também foram alvo de perseguições.

O procurador-geral do município, Técio Lins e Silva, emocionou o público ao relembrar sua atuação como advogado de presos políticos no local.

“Estive lá naquela época, quando todos esses horrores aconteciam. Porque foi institucionalizada no país a tortura como meio de investigação criminal pelo Estado, quando se admitiu a tortura em sedes do governo. Hoje, quando a Universidade e a Prefeitura se unem com os organismos para mostrar um pouco de como se tratavam as pessoas e o que foi feito, mostra ao mundo e ao Brasil que isso não vai se repetir mais. Aquelas atrocidades não podem nunca mais acontecer”

Rua da Relação Exposição | Foto: Claudio Fernandes

Cultura, democracia e resistência

A curadoria da mostra foi viabilizada por meio de uma emenda parlamentar da deputada estadual Dani Balbi. Entre os itens em exibição estão réplicas de documentos, fichas criminais e registros de perseguidos políticos, incluindo a ficha do compositor Mário Lago, ícone da resistência cultural e política.

O secretário municipal das Culturas, Leonardo Giordano, reforça o papel da arte e da memória na construção de uma sociedade mais justa.

“A cultura tem um papel essencial na preservação da memória e na promoção da reflexão sobre momentos cruciais da nossa história. Essa exposição reafirma o compromisso de Niterói com a justiça social e os direitos humanos, trazendo à tona fatos que não podem ser esquecidos”

O evento também conta com apoio da UFF, cuja comunidade acadêmica de mais de 70 mil estudantes foi envolvida no projeto. O reitor da universidade, Antônio Claudio Nóbrega, destacou a importância de manter viva a história para as novas gerações:

“Temos hoje um universo de mais de 70 mil alunos que ouviram falar e temos o compromisso com a construção de um país que continuamente precisa recontar sua história e os fatos, mas precisa também entender como é a informação. Então, é um desafio importante para a universidade. É claro que a memória é reconstruída continuamente, e esse ato é fundamental para que a memória dos fatos esteja viva, para que as pessoas possam se situar”

Rua da Relação Exposição | Foto: Claudio Fernandes

Serviço:

  • Exposição “Rua da Relação, 40: testemunho material da violência de Estado”
  • Até 30 de abril de 2025
  • Segunda a sábado, das 9h às 21h
  • Local: Centro de Artes UFF – Rua Miguel de Frias, Icaraí, Niterói
  • Entrada gratuita