
A escalada de arrombamentos e furtos tem pressionado lojistas e mudado a rotina de quem circula por áreas comerciais de Niterói. Em busca de resposta mais rápida, a CDL Niterói reuniu poder público e forças de segurança para alinhar medidas e cobrar ajustes na legislação que, na avaliação do setor, reforça a sensação de impunidade.
Arrombamentos e furtos: reunião cobra reação integrada
O encontro ocorreu na manhã de terça-feira (03), na sede da entidade, após casos recentes de arrombamentos e furtos no comércio. A pauta incluiu reforço de ações preventivas e discussão sobre mudanças na legislação que hoje, segundo participantes, contribui para a percepção de impunidade.

Quem participou do encontro
A reunião juntou representantes da prefeitura, das polícias e de órgãos ligados à assistência e à saúde. Entre os presentes, estavam:
- Joaquim Pinto, presidente do Conselho Superior
- Fabiano Gonçalves, secretário de Desenvolvimento Econômico e Revitalização do Centro
- Gilson Chagas, secretário de Ordem Pública
- Ilza Fellows, secretária de Saúde
- Leonardo Mendes, chefe da 77ª DP (representando Vilson de Almeida)
- Marcos Laranjeira, tenente comandante da 1ª CIA do 12º BPM
- Eric Morse, major (P3)
- Hugo Rodrigues, capitão da 2ª CIA
- Oliveira, comandante (citado como representado)
- Renata Cardoso, presidente do Conselho Comunitário de Segurança
- Luciana Braga, subsecretária de Assistência Social
- Fernando Dias, chefe do Núcleo de Atividades Integradas (NAI) (representando Felipe Ordagy, do GGIM)
- Erick Moura, coordenador do Centro de Acolhimento de população em situação de rua
- Joneir Tavares e Ermano Santiago, gerentes executivos da FCDL RJ e da CDL Niterói
- Jorge Gentile e Omario Marcelino, diretores
- Luiz Vieira, presidente da CDL Niterói
Legislação e subnotificação entram no centro do debate
Na abertura, a CDL afirmou que ataques sucessivos ao comércio têm causado prejuízos financeiros e impactos psicológicos e citou também subnotificação, associada à percepção de que crimes como furto, arrombamento, depredação e até assaltos em plena luz do dia acabam enquadrados como de menor potencial ofensivo.
Em um dos trechos, a entidade defendeu articulação para levar a pauta a Brasília: “Temos voz para fazer esta reivindicação chegar a Brasília por meio da CDL e da FCDL”.
Patrulhamento e operações: foco de 1h a 5h
Representantes da polícia relataram intensificação do patrulhamento no Centro, em Icaraí e no Fonseca, principalmente na madrugada, entre 1h e 5h — faixa em que, segundo o relato, ocorre a maior parte dos crimes. Também foi citado que, durante as ações, são apreendidos objetos como facas e marretas, que podem ser usados em invasões e danos ao patrimônio.
Em uma operação em uma área conhecida como “casarão”, próxima à Avenida Jansen de Melo, onde há prédios abandonados: foram recuperadas uma bicicleta e ferramentas furtadas de comerciantes na semana anterior, e duas pessoas foram presas.
População em situação de rua e sensação de insegurança
Autoridades pontuaram que o tema da população em situação de rua é complexo e demanda ações articuladas. Foram citados perfis que incluem vulnerabilidade socioeconômica e desemprego, transtornos mentais, dependência química, egressos do sistema prisional e, em parte dos casos, pessoas que se infiltrariam nesse contexto para cometer crimes.
Entre as ideias discutidas, apareceram a internação compulsória e o fortalecimento de programas de tratamento da dependência química dentro do sistema prisional.
Recomeço, UAAs e entraves com o IPHAN
No campo de reinserção social, foram citadas as Unidades de Acolhimento Adulto (UAAs) e o Programa Recomeço. Também foi registrado o dado de que “cerca de 70%” das pessoas em situação de rua seriam de fora da cidade, e que o programa no Centro teria sido uma recomendação da Justiça.
O secretário mencionou ainda a proposta de instalar bases da Guarda Municipal nas praças Praça Getúlio Vargas e Praça Jardim São João, mas apontou entraves ligados ao IPHAN.
Saúde e Assistência Social: números do atendimento e reinserção
A Secretaria de Saúde informou que UAAs e o Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (HPJ) têm leitos para acolhimento especializado. Segundo a secretária, desde a implantação do Recomeço, 15 pessoas foram internadas e dez seguem em acompanhamento; ao todo, 842 pessoas foram cadastradas, sendo 315 usuárias de drogas ilícitas e 367 com histórico de uso abusivo de álcool.
A CDL afirmou que pode apoiar a contratação de pessoas em processo de recuperação, enquanto o Conselho Comunitário de Segurança relatou o envio de cartas a deputados estaduais e federais com demandas de moradores, aguardando retorno para fortalecer a integração com outras esferas de governo.