
O Bloco Loucos pela Vida entrou na reta final do Pré-Carnaval 2026 em Niterói com um momento simbólico: a Escolha da Realeza, realizada na sexta-feira (30), no Centro de Convivência e Cultura. Com desfile marcado para terça-feira, 10 de fevereiro, a celebração reuniu usuários da RAPS, familiares, profissionais de saúde e moradores, reforçando o Carnaval como espaço de protagonismo, inclusão e cuidado.
Concurso da Realeza marca a contagem regressiva para o desfile
A Escolha da Realeza do Bloco Loucos pela Vida, realizada na sexta-feira (30) no Centro de Convivência e Cultura de Niterói, marcou um dos momentos mais simbólicos do Pré-Carnaval 2026 e abriu oficialmente a contagem regressiva para o desfile, que ocorrerá na terça-feira, 10 de fevereiro. Além disso, o encontro reafirmou o Carnaval como território de cidadania, reunindo usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), familiares, profissionais de saúde e moradores do território.

Bateria da Magnólia leva ritmo e emoção ao evento
A programação contou com a participação especial da bateria da GRES Magnólia, que levou ritmo e emoção ao encontro. Dessa forma, o evento fortaleceu a conexão entre samba, cultura popular e a luta antimanicomial.
Saúde mental e cultura: cuidado que ultrapassa os serviços
Para a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, a iniciativa reforça que o cuidado em saúde mental vai além dos serviços e também se constrói nos espaços de cultura e convivência.
“O Bloco Loucos pela Vida representa, na prática, o que defendemos para a saúde mental no nosso município: cuidado em liberdade, no território e com protagonismo das pessoas. Quando cultura e saúde caminham juntas, ampliamos o acesso, fortalecemos vínculos e combatemos o estigma. Iniciativas como essa mostram que a Rede de Atenção Psicossocial promove pertencimento, cidadania e valorização da vida, princípios que orientam o trabalho da Secretaria Municipal de Saúde”, destacou.
Já a diretora-geral da FeSaúde, Maria Célia Vasconcellos, ressaltou que a iniciativa reforça o compromisso da gestão com ações que ampliam o acesso à cultura e valorizam o cuidado com a saúde mental em diferentes espaços do território.
“A cultura é uma ferramenta potente de cuidado, capaz de fortalecer vínculos, ampliar repertórios e estar presente em diferentes espaços do território, de forma acessível e integrada à vida das pessoas”, afirmou.
Realeza eleita representa pluralidade e protagonismo
Durante a cerimônia, foram eleitos os representantes que conduzirão o bloco ao longo do Carnaval. Francisco Irilando foi escolhido como Rei do Bloco, Ana Paula Ramos como Rainha de Bateria e Marcela Rodrigues como Porta-Estandarte. Assim, a escolha simboliza a pluralidade, a potência criativa e a diversidade que marcam a trajetória do Loucos pela Vida.
“Ser rainha de bateria, para mim, é muito importante. É uma alegria imensa. O Bloco Loucos pela Vida é a prova de que somos loucos, sim! Loucos por viver”, afirmou Ana Paula Ramos.
CeCo Dona Ivone Lara e RAPS: articulação entre cultura e políticas públicas
O bloco carnavalesco é ligado ao Centro de Convivência e Cultura (CeCo) Dona Ivone Lara, gerido pela FeSaúde, e integra os equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município. Por isso, fortalece a articulação entre cultura, saúde e políticas públicas de cuidado em liberdade.
Além do Carnaval, o Bloco Loucos pela Vida atua ao longo do ano com oficinas, ensaios e apresentações. Dessa maneira, o grupo fortalece vínculos comunitários e evidencia o cuidado promovido pela RAPS, tendo a arte como ferramenta de transformação, inclusão e acolhimento.

Reta final: 36 ensaios, oficinas e construção coletiva do enredo
Faltando dez dias para o desfile, o Pré-Carnaval 2026 já deixa marcas de afeto, mobilização social e construção coletiva. Durante o período de preparação, o bloco realizou aproximadamente 36 ensaios, garantindo participação ativa de usuários, profissionais da RAPS, familiares e apoiadores do projeto.
A gerente da RAPS, Camila Donnola, explicou como essas experiências podem integrar o cuidado e contribuir diretamente para os processos de reabilitação:
“Iniciativas como o bloco envolvem atividades de musicalização, construção de coletivos, criação de adereços, elaboração de textos, apresentações musicais e teatrais e circulação pela cidade. Todas essas experiências podem integrar o Projeto Terapêutico Singular dos usuários e contribuir diretamente para seus processos de reabilitação. Participar do Carnaval também é uma forma de promover pertencimento, fortalecer vínculos com a cidade e ampliar as estratégias de cuidado. A saúde mental é multifatorial, e por isso as ações precisam acompanhar essa lógica”, afirmou.
Enredo e samba-enredo foram escolhidos em processo participativo
A construção do Carnaval 2026 foi marcada por um processo democrático e participativo, com dois eventos para escolha do enredo e do samba-enredo. Nesta edição, sete sambas concorrentes foram inscritos e apresentados, fruto de trabalho coletivo em oficinas e encontros realizados ao longo dos últimos meses.
O samba vencedor, “Sou esperança, sou liberdade”, é de autoria de Jaguacyara, usuária da RAPS, e será apresentado no desfile com o enredo “O CAPS não é meme: por que minha invisibilidade te incomoda?”. A temática propõe reflexão direta sobre o estigma e a invisibilidade das pessoas em sofrimento psíquico e reforça a importância dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como política pública essencial e espaços de cuidado em liberdade no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Oficinas que deram ritmo e identidade visual ao desfile
A preparação artística contou com 30 oficinas de batuque e seis oficinas de adereços, responsáveis por dar ritmo, identidade visual e força simbólica ao desfile.
Serviço – Carnaval 2026 | Desfile do Bloco Loucos pela Vida
- Data: terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
- Concentração: 14h30
- Local: Praça Araribóia