
A Prefeitura do Rio formalizou, neste sábado (31/01), a aquisição da Fazenda da Baronesa, na Taquara, e anunciou a criação do Parque Taquara Fazenda Baronesa. A proposta une preservação histórica e proteção ambiental, ampliando áreas de convivência, cultura e educação para a população de Jacarepaguá e da Zona Sudoeste.
Parque Taquara Fazenda Baronesa: compra formal e próximos passos
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, participou da cerimônia de assinatura do termo de aquisição da Fazenda da Baronesa, propriedade histórica localizada na Taquara, às margens da Estrada Rodrigues Caldas, em Jacarepaguá. Com a compra, a Prefeitura anunciou a criação do Parque Taquara Fazenda Baronesa, descrito como um novo equipamento cultural e ambiental, voltado à preservação da memória local e à ampliação de áreas de convivência, cultura e educação.
Durante o evento, Eduardo Paes destacou o caráter pessoal e antigo do projeto:
– Que bom que consegui fazer essa compra formal. Ao longo desses anos de vida pública, consegui realizar um monte de coisas que não imaginava que iria fazer. Desde o tempo de vereador que sonho em fazer um parque na Taquara, na Fazenda Baronesa e, agora, consegui realizar – disse o prefeito do Rio.
A Rio-Urbe ficará responsável por lançar a licitação para a contratação da empresa que desenvolverá o projeto básico, que deverá respeitar o conjunto arquitetônico histórico e os valores culturais e ambientais da área.
Espaço público é direito: comparação com outros parques da cidade
A Fazenda integra um território marcado por diferentes etapas da formação histórica do Rio de Janeiro e está inserida no Corredor Cultural de Jacarepaguá, conjunto de equipamentos históricos, culturais e patrimoniais da região. Além disso, o imóvel está localizado em área de proteção ambiental, reforçando a importância da preservação dos valores naturais, paisagísticos e ecológicos do território.
Na cerimônia, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere citou uma sequência de parques criados na cidade e defendeu a expansão como política pública estruturada:
– A partir do sucesso do Parque Madureira, o prefeito fez o Parque Oeste, que também era uma fazenda, como essa aqui, uma fazenda histórica, que se transformou em um parque público visitado por milhares e milhares de pessoas, todos os dias e todos os finais de semana. Foi nesse mandato que a gente fez o Parque Pavuna. E estamos assinando a compra de mais um parque, de uma política pública estruturada. Espaços públicos são direito, não são luxo, não são lazer. Da mesma maneira que quem vive na Zona Sul do Rio de Janeiro tem o Aterro do Flamengo, ou quem vive na Lagoa tem a Lagoa Rodrigo de Freitas, ou quem vive na região central da cidade tem a Quinta da Boa Vista, o prefeito Eduardo Paes mostrou que é direito de Jacarepaguá ter o Parque Taquara Fazenda Baronesa – destacou o vice-prefeito.
Preservação: Casa Grande, capela e vegetação original
A aquisição prevê:
- a conservação do conjunto arquitetônico histórico da antiga fazenda, com destaque para a Casa Grande e a capela;
- a manutenção da vegetação existente, garantindo a proteção da flora e da fauna locais.
Herdeiros participam e citam homenagem ao patriarca da família
Os herdeiros da Fazenda, Tomaz Carvalho e Ana Carvalho, participaram da cerimônia. Tomaz agradeceu a sensibilidade do prefeito por não ter acelerado a negociação em respeito ao patriarca da família, Francisco José Telles Rudge, proprietário que tinha muito apego ao local.
– Estou aqui para agradecer o prefeito, que retardou a desapropriação, porque essa propriedade era do nosso tio Chico. A única coisa que me vem à cabeça é fazer uma homenagem a ele. Esse terreno, esse imóvel, sempre foi a paixão da vida dele, que nos deixou há dois anos, aos 99 anos e 11 meses – contou Tomaz.
Séculos de história: a Fazenda da Taquara desde o século XVIII
A Fazenda da Taquara surgiu ainda no século XVIII e faz parte do conjunto de antigas propriedades rurais que ajudaram a formar Jacarepaguá e a Zona Oeste da cidade. Localizada em um terreno elevado, às margens da antiga Estrada da Taquara, a fazenda foi, por muitos anos, um importante ponto de organização da vida econômica, social e religiosa da região.
O local pertenceu ao Barão da Taquara e, posteriormente, à Baronesa da Taquara, personagens diretamente ligados à história do território.
Arquitetura colonial e tombamento federal desde 1938
A Casa Grande reúne duas fases distintas da arquitetura brasileira: as partes laterais foram construídas no século XVIII, com apenas um pavimento, enquanto o corpo central recebeu um segundo andar no século XIX. Em frente à edificação, há um amplo pátio pavimentado com tijolos de barro cozido, além de um antigo bebedouro e um alinhamento de palmeiras que marcam a paisagem do local.
Outro destaque é a grande varanda, com colunas e arcos, típica das casas rurais brasileiras, que organiza a circulação dos ambientes internos. A capela anexa mantém características originais do período colonial, como a nave única, a torre sineira e a cobertura em abóbada. Todo o conjunto é tombado pelo patrimônio histórico federal desde 1938, como reconhecimento do seu valor arquitetônico, cultural e histórico para a cidade do Rio de Janeiro.