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Foto: Divulgação

A fadista Maria Alcina morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos, no Rio de Janeiro. Com mais de 70 anos de vida no Brasil, ela virou referência na difusão do fado e da cultura portuguesa fora de Portugal. A confirmação foi feita pelo Clube Português de Niterói, em nota oficial.

Morre no Rio a fadista Maria Alcina, referência do fado no Brasil

A fadista portuguesa Maria Alcina Pinto da Costa Duarte morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos, no Rio de Janeiro, onde viveu por mais de sete décadas. A informação foi confirmada pelo Clube Português de Niterói, por meio de nota oficial.

Natural de Cetos, no município de Castro Daire, em Portugal, Maria Alcina chegou ao Brasil em 1953 e, ainda assim, nunca rompeu os vínculos com sua terra natal. Ao longo de mais de 70 anos de atuação artística, tornou-se uma das principais referências do fado fora de Portugal, especialmente entre a comunidade luso-brasileira.

A “Imperatriz do fado no Brasil” e a difusão da música portuguesa

Conhecida como a “Imperatriz do fado no Brasil”, a artista levou a música portuguesa a palcos, casas culturais e eventos tradicionais. Além disso, foi no Rio de Janeiro que ela se consolidou como uma das grandes divulgadoras da canção portuguesa, mantendo viva a tradição do fado entre diferentes gerações.

Trajetória dedicada ao fado e à cultura lusitana

A carreira de Maria Alcina foi construída com base na preservação de raízes musicais portuguesas. Por isso, sua atuação se manteve próxima de instituições culturais e associações da comunidade lusa no Brasil, fortalecendo laços culturais entre os dois países.

A Desgarrada: casa de fados em Ipanema virou ponto de encontro

Um marco dessa trajetória foi a fundação da casa de fados A Desgarrada, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. O espaço funcionou por anos como ponto de encontro de artistas, músicos e apreciadores da cultura portuguesa e, dessa forma, ajudou a manter o fado vivo fora de Portugal.

Reconhecimento no Brasil e em Portugal

Mesmo vivendo no Brasil, Maria Alcina foi frequentemente homenageada em Portugal. Em Castro Daire, sua cidade natal, ela dá nome a uma avenida próxima ao estádio municipal. No entanto, o reconhecimento também veio por meio de títulos: a fadista recebeu a honraria de comendadora da Confraria dos Saberes e Sabores da Beira Grão Vasco, sediada em Viseu.

Clube Português de Niterói destaca apresentações no Salão Nobre

No Brasil, a ligação com entidades portuguesas foi constante. Em nota, o Clube Português de Niterói lembrou as dezenas de apresentações realizadas por ela no Salão Nobre e afirmou: “Construiu uma trajetória marcada pela entrega, emoção e profundo respeito à música portuguesa”.

Homenagem recente no Real Gabinete e informações da despedida

Em julho do ano passado, Maria Alcina foi homenageada no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio. Na ocasião, recebeu a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas – grau Ouro, concedida pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, durante visita oficial ao Brasil. A honraria reconheceu sua contribuição para a preservação e a divulgação da cultura portuguesa entre comunidades no exterior.

Velório e sepultamento: horários e locais

  • Velório: quinta-feira (29), das 10h às 14h, no Salão Nobre da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, na Tijuca (Zona Norte do Rio).
  • Sepultamento: 14h30, no Memorial do Carmo, no Caju (Zona Portuária).

Ao longo de décadas, Maria Alcina virou ponte afetiva e cultural entre Portugal e Brasil — e sua despedida reforça o peso do fado na memória da comunidade luso-brasileira.

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