Projeto Artemísia
Foto: Carolina Gaia

O Projeto ARTEMÍSIA – Escola de Mulheres e Bioeconomia conclui, em janeiro, a formação de 400 mulheres em dez territórios do Estado do Rio de Janeiro. A certificação acontece no dia 26 de janeiro, no teatro da UFF, em Niterói, reunindo trajetórias que conectam trabalho, renda e regeneração ambiental.

Certificação no teatro da UFF em Niterói

A cerimônia de conclusão do ARTEMÍSIA – Escola de Mulheres e Bioeconomia será realizada no próximo dia 26 de janeiro, a partir das 14h, no teatro da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Icaraí, Niterói. O evento marca o encerramento do ciclo formativo de 2025, que capacitou 400 mulheres em territórios periféricos do Estado do Rio.

Territórios atendidos no Estado do Rio de Janeiro

A formação reuniu participantes de territórios de:

  • Belford Roxo
  • Cabo Frio
  • Duque de Caxias
  • Guaratiba
  • Magé
  • Mesquita
  • Paracambi
  • Realengo
  • Recreio dos Bandeirantes
  • São Gonçalo

Formação em bioeconomia com foco em trabalho, renda e comunidade

Desenvolvida pelo Instituto BR e pelo Sebrae-RJ, com coordenação acadêmica da UFF e do Movimento Cidade no Feminino, a iniciativa articula capacitação profissional e fortalecimento comunitário. O projeto parte do entendimento de que práticas ligadas ao território podem se transformar em alternativas concretas de geração de trabalho e renda, aliadas à regeneração ambiental.

Eixos práticos: cidadania, ervas medicinais e saboaria natural

Entre os eixos trabalhados, estão:

  • cidadania;
  • cultivo de ervas medicinais;
  • saboaria natural (incluindo produção de sabonetes e cosméticos naturais).

A proposta destaca que o manejo de hortas comunitárias, o uso de plantas medicinais e a produção artesanal conectam as participantes à terra, resgatam saberes ancestrais e ampliam possibilidades econômicas.

Conteúdos e abordagem interseccional e inclusiva

Ao longo da formação, as alunas tiveram acesso a conteúdos sobre identidade, bioeconomia, empreendedorismo, comunicação, finanças e autocuidado, sempre sob uma perspectiva interseccional e inclusiva.

“Mais do que uma formação técnica, o ARTEMÍSIA é um reencontro com a identidade e a força coletiva. Ao valorizar práticas naturais e o cuidado como potência econômica, o projeto mostra que é possível gerar renda preservando vínculos culturais, afetivos e ambientais”, afirma Vinícius Wu, produtor do Instituto BR.

Por que o projeto mira autonomia econômica e fortalecimento social

O ARTEMÍSIA surge em um contexto marcado por profundas desigualdades sociais no país, que atingem de forma mais intensa as mulheres, especialmente as negras, maioria nas periferias urbanas. Além da pobreza material, esse grupo enfrenta obstáculos estruturais no acesso à renda, à saúde, à mobilidade e a condições básicas de dignidade. É nesse cenário que a iniciativa se propõe a atuar, combinando qualificação, autonomia econômica e fortalecimento social.

Próxima etapa: mentoria, associativismo e Artemísia Biocosmética

Segundo Leila Araújo, coordenadora do projeto, a próxima etapa prevê mentoria de negócios, estímulo ao associativismo e estratégias de acesso ao mercado. O objetivo é consolidar a marca Artemísia Biocosmética, criando oportunidades de renda digna e mobilidade social para as participantes.

“Nosso propósito prevê a cooperação entre mulheres de diferentes perfis: as da floresta, que atuam como extrativistas e fornecem a matéria-prima; as da periferia urbana, responsáveis pela produção da saboaria e da cosmética natural; e mulheres de classe média, que consomem de forma socioambientalmente responsável”, explica. “A visão é tornar a Artemísia uma marca relevante de saboaria e cosmética natural produzida por mulheres da periferia.”

Diretrizes da ONU e foco em Soluções Baseadas na Natureza (SBN)

A iniciativa também está alinhada às diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) para as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que reconhecem e incentivam projetos capazes de fortalecer comunidades, conservar ecossistemas e contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. Além disso, todos os materiais utilizados na formação seguem princípios ecológicos, reforçando o compromisso ambiental em todas as etapas do processo.

“Essa formação foi pensada para ser única, do início ao fim. É fundamental que essas mulheres reconheçam o valor que têm e o conhecimento que carregam”, conclui Vinícius Wu.

Sobre o projeto

O ARTEMÍSIA – Escola de Mulheres e Bioeconomia é uma iniciativa do Instituto BR em parceria com o Movimento Cidade no Feminino, o Sebrae-RJ e a Universidade Federal Fluminense (UFF). O foco é a qualificação social de mulheres em territórios periféricos do Estado do Rio de Janeiro, com vistas à autonomia socioeconômica. Ao todo, são oferecidos 216 cursos e oficinas, distribuídos em 12 núcleos de formação, contemplando competências técnicas e linguagens essenciais para a atuação profissional, especialmente no setor cultural.

Serviço

Certificação do Projeto ARTEMÍSIA – Escola de Mulheres e Bioeconomia

  • Data: 26 de janeiro
  • Horário: 14h
  • Local: Teatro da UFF — Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói