
A Gradiente foi um dos maiores símbolos da indústria eletrônica nacional, mas acabou se tornando exemplo de como decisões estratégicas mal-sucedidas podem derrubar até grandes marcas. Entender o que aconteceu com a Gradiente ajuda a explicar por que o chamado “iPhone brasileiro” nunca se concretizou.
A Gradiente já foi uma das maiores marcas de eletrônicos do Brasil
A Gradiente dominou o mercado brasileiro durante décadas, sendo referência em televisores, aparelhos de som e videogames. A empresa construiu uma imagem forte, associada à inovação e à qualidade dos produtos.
Esse sucesso, no entanto, dependia de um mercado mais fechado e de pouca concorrência internacional, cenário que começou a mudar a partir dos anos 1990.

Por que a abertura do mercado impactou tanto a Gradiente?
Com a chegada de marcas estrangeiras, a empresa passou a disputar espaço com gigantes globais muito mais capitalizadas. A dificuldade em competir em preço e tecnologia enfraqueceu a posição da Gradiente.
Além disso, custos elevados de produção no Brasil reduziram as margens de lucro, tornando cada novo lançamento um risco financeiro maior.
O iPhone brasileiro foi uma tentativa de sobrevivência
Anos depois, a empresa tentou se reposicionar apostando em smartphones e em uma disputa judicial pelo uso do nome “iPhone”. A ideia era associar a marca a um produto moderno e altamente desejado.
Na prática, o projeto não conseguiu competir com o iPhone da Apple, tanto em tecnologia quanto em percepção de valor, frustrando consumidores e investidores.
Quais erros aceleraram a queda da Gradiente?
A queda não aconteceu por um único motivo, mas por uma sequência de decisões e fatores externos. Esses pontos ajudam a entender por que a empresa perdeu relevância ao longo do tempo.
- Atraso tecnológico: dificuldade em acompanhar a velocidade de inovação das concorrentes globais.
- Endividamento crescente: altos custos operacionais pressionaram o caixa da empresa.
- Estratégias mal sucedidas: apostas em produtos que não tiveram aceitação do mercado.
- Dependência do passado: confiança excessiva no peso histórico da marca.
O vídeo abaixo conta um pouco mais sobre a história dessa empresa:
A Gradiente ainda existe?
Após enfrentar uma grave crise financeira, a Gradiente passou por um processo de recuperação judicial, conseguindo se reestruturar e reduzir dívidas acumuladas ao longo dos anos. Esse movimento permitiu que a empresa mantivesse a marca ativa, mesmo longe do protagonismo industrial do passado.
Hoje, a atuação é bem diferente do auge, com foco em licenciamento de marca, geração de royalties e novos mercados, como a Gradiente Solar, além do aluguel de antigos galpões industriais e da continuidade da disputa judicial pelo nome “iPhone” no Brasil.
O que a história da Gradiente ensina sobre o mercado de tecnologia
O caso mostra que tradição não garante sobrevivência em setores altamente competitivos. Inovação constante e adaptação rápida são essenciais para enfrentar mudanças tecnológicas e de consumo.
A trajetória da Gradiente serve como alerta para empresas que ignoram transformações do mercado, mostrando como até gigantes podem cair quando deixam de evoluir.