Ministro Raul Jungmann (Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil)
Ministro Raul Jungmann (Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil)

O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), aos 77 anos, em Brasília. A morte foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que ele presidia desde 2022. Jungmann enfrentava um câncer no pâncreas e estava internado desde sábado (17), após uma série de internações ao longo dos últimos meses.

Com uma trajetória marcada pela atuação em momentos decisivos da política brasileira, Jungmann ocupou quatro vezes cargos de ministro de Estado, atravessando governos de diferentes orientações políticas e exercendo papéis estratégicos nas áreas agrária, defesa e segurança pública.

Trajetória política e papel nos governos federais

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Raul Jungmann comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias, período em que esteve à frente de políticas voltadas à reforma agrária e à organização fundiária no país.

Já no governo Michel Temer, assumiu inicialmente o Ministério da Defesa, passando a coordenar ações envolvendo as Forças Armadas. Em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil, cargo criado em meio à escalada da violência urbana e à crise da segurança em diversos estados.

Nesse período, Jungmann foi responsável pela coordenação de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em ações de segurança pública, especialmente no Rio de Janeiro.

Atuação parlamentar e histórico partidário

Raul Jungmann iniciou sua militância política ainda na juventude, no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo da vida pública, passou por diferentes legendas, incluindo MDB, PPS e PMDB.

Foi eleito deputado federal por Pernambuco em 2002, sendo reeleito em 2006. Em 2010, concorreu ao Senado, sem sucesso. Em 2012, foi eleito vereador do Recife e, em 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.

Como parlamentar, destacou-se como vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção na compra de ambulâncias, e como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas, durante o referendo de 2005 sobre o comércio de armas de fogo.

Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado federal até 2016, quando se licenciou para assumir funções no Executivo. Durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Jungmann posicionou-se a favor da destituição.

Atuação institucional e no setor mineral

Além da política, Raul Jungmann presidiu o IBAMA e, nos últimos anos, assumiu papel de destaque no setor mineral, como diretor-presidente do IBRAM e head do LIDE Mineração.

Em nota oficial, o LIDE – Grupo de Líderes Empresariais lamentou a morte do ex-ministro e destacou sua capacidade de articulação, visão estratégica e contribuição para o desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Investigações arquivadas

Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de fraude em licitações, peculato e corrupção em contratos de publicidade firmados durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, que somavam cerca de R$ 33 milhões. O inquérito, no entanto, foi arquivado pela Justiça Federal.