Uma advogada argentina, identificada como Agostina Paez, de 29 anos, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica após ser investigada por ofensas racistas ocorridas em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A medida foi determinada pela Justiça, a pedido da 11ª DP (Rocinha), responsável pela apuração do caso.
A mulher compareceu à delegacia neste sábado (17), onde teve o documento retido e foi encaminhada ao sistema prisional para a instalação do equipamento de monitoramento eletrônico.
Entenda o que aconteceu no bar de Ipanema
O episódio ocorreu na última quarta-feira (14), em um bar de Ipanema. Segundo o relato da vítima à Polícia Civil, a confusão começou após um suposto erro no pagamento da conta.
Durante a discussão, a investigada teria:
- Apontado o dedo para o funcionário
- Proferido ofensas de cunho racial
- Utilizado o termo “negro” de forma pejorativa e discriminatória
Gestos e palavras reforçaram o caráter racista, diz investigação
De acordo com o depoimento, no momento em que o funcionário foi verificar as câmeras do estabelecimento, a mulher imitou um macaco, reproduzindo gestos e sons do animal.
Ela também teria utilizado a palavra “Mono”, termo em espanhol comumente empregado de forma ofensiva e racista para se referir a pessoas negras, em alusão a macacos.
As atitudes foram registradas como ofensas raciais, crime previsto na legislação brasileira.
Medidas judiciais e investigação em andamento
Após os fatos, a Polícia Civil solicitou medidas cautelares à Justiça, que determinou:
- Apreensão do passaporte, para evitar saída do país
- Uso de tornozeleira eletrônica, como forma de monitoramento
A investigação segue em andamento para a completa apuração dos fatos e responsabilidades.
Racismo é crime
Desde 2023, com a equiparação do crime de injúria racial ao crime de racismo, esse tipo de conduta passou a ser:
- Inafiançável
- Imprescritível
- Punida com pena de reclusão
Casos como esse reforçam a importância da denúncia e da atuação rápida das autoridades.