Prefeitura de São Gonçalo
Foto Prefeitura de São Gonçalo

Um médico da rede municipal de São Gonçalo foi demitido após uma paciente denunciar ter sido vítima de racismo durante atendimento na Unidade de Saúde da Família Jardim Catarina. O caso teria ocorrido na última quinta-feira (8) e, segundo o relato, envolveu constrangimento, comentários depreciativos e violação de privacidade. A Polícia Civil investiga e diligências estão em andamento.

Denúncia de racismo em atendimento na USF Jardim Catarina

São Gonçalo: paciente buscava exames de rotina pós-bariátrica

A vítima, de 57 anos, moradora do próprio bairro, disse que esteve na unidade acompanhada da filha para solicitar exames de rotina relacionados ao acompanhamento pós-bariátrica. Segundo o relato, o atendimento foi marcado por constrangimento, comentários depreciativos e violação de privacidade.

O que a paciente e a filha relatam sobre o atendimento

Porta aberta, gritos e comentário sobre cabelo

Segundo a filha, quando foi chamada para o consultório, a paciente tentou fechar a porta — algo habitual na unidade —, mas foi advertida. Ela afirma que o médico teria elevado a voz e ordenado que a porta permanecesse aberta.

Ainda conforme o relato, já dentro da sala o profissional perguntou o motivo da consulta. Ao ouvir que a paciente queria solicitar exames de sangue, ele teria feito um comentário considerado ofensivo: “Por que você não penteia o cabelo?”

Recusa de pedidos, tom elevado e questionamentos sobre vida sexual

Segundo o relato da paciente, o médico teria falado em tom elevado ao declarar que não era especialista em bariátrica e que não pediria os exames solicitados — inclusive os de doenças sexualmente transmissíveis. Em seguida, ela diz que o profissional passou a questionar sua vida sexual.

Funcionária intervém e paciente aponta nova fala depreciativa

Comparação com o cabelo de outra funcionária negra

A paciente relatou que uma funcionária, ao notar o constrangimento, entrou no consultório e pediu que o médico seguisse o atendimento com a porta fechada. Ainda segundo a filha, o profissional teria então repetido um comentário depreciativo sobre o cabelo da paciente, em comparação ao cabelo da funcionária — que é negra.

“Saí chorando”: impacto emocional e crise de ansiedade

Pressão alta, coração disparado e duas noites sem dormir

A paciente afirmou que ficou tão abalada que não conseguiu mais raciocinar sobre o que precisava solicitar, cancelou o pedido de exames e deixou a unidade chorando.

“Eu me senti humilhada. Saí de lá de cabeça baixa. Cheguei em casa com a pressão alta, o coração disparado e crise de ansiedade. Passei duas noites sem dormir, chorando. Até agora estou muito abalada. Senti minha privacidade sendo invadida”. Ela disse, ainda, que no fim da consulta o médico teria afirmado: “Desculpa as brincadeiras.”

Registro na Decradi e demissão do médico

Prefeitura confirma exoneração e diz que não compactua com racismo

Ela e a filha registraram ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Segundo a família, o profissional foi demitido logo após a denúncia. A filha afirmou que já havia outras reclamações contra o médico, registradas anteriormente por outros pacientes.

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou, em nota, que não compactua com casos de racismo e confirmou a exoneração do especialista. “O profissional foi demitido e há outro médico atendendo na unidade.”

Investigação segue com a Polícia Civil

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e diligências estão em andamento para apurar todas as circunstâncias do crime.