Divulgação/Polícia Civil
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Policiais civis da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), em conjunto com a Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), localizaram um cemitério clandestino na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (9).

A descoberta ocorreu após um trabalho de investigação e cruzamento de informações de inteligência, voltado à apuração de casos de pessoas desaparecidas na capital fluminense.

No local indicado, os agentes encontraram ao menos dois corpos enterrados em um buraco. As ossadas estavam enroladas em panos, e, segundo a polícia, um dos cadáveres estava completo, incluindo o crânio, o que pode facilitar o processo de identificação.

Divulgação/Polícia Civil

Área seria usada para execuções e ocultação de cadáveres

De acordo com a delegada Ellen Souto, responsável pelas investigações, a região onde os corpos foram encontrados é conhecida como Areal e seria utilizada pela milícia como ponto de execução e ocultação de vítimas.

“Eles matam as pessoas e desaparecem com os restos mortais nessa região conhecida como Areal”, afirmou a delegada.

A polícia trabalha com a hipótese de que o local funcione como um cemitério clandestino recorrente, usado para dificultar investigações e impedir que famílias tenham informações sobre o paradeiro de desaparecidos.

“As investigações apontaram que o local era utilizado por criminosos locais para ocultar os cadáveres de suas vítimas. Na ação, os agentes localizaram dois corpos. Os restos mortais encontrados serão levados ao Instituto Médico Legal (IML) para identificação. Durante as diligências, os agentes capturaram um integrante de um grupo paramilitar atuante em Rio das Pedras. O bandido estava com uma pistola raspada, munição, diversos carregadores e uma motocicleta roubada, além de cadernos de contabilidade com registro das extorsões sofridas por comerciantes locais.” afirmou a Polícia Civil.

Caso pode esclarecer desaparecimento de jovem mototaxista

Uma das principais linhas de investigação envolve o desaparecimento do mototaxista Alan Pereira Martins de Lima, de 19 anos. Natural de Rio das Pedras, o jovem morava na Rocinha, na Zona Sul do Rio, área que passou a ser controlada pelo Comando Vermelho em 2024.

Segundo as apurações, em outubro do ano passado, Alan retornou a Rio das Pedras para visitar a namorada. Durante uma parada em uma pizzaria, ele teria sido reconhecido por um miliciano e levado para a região do Areal.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o jovem tenha sido executado no local, o que pode estar diretamente relacionado aos corpos encontrados.

Corpos serão identificados no IML

As ossadas localizadas serão encaminhadas ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passarão por exames periciais, incluindo análise de arcada dentária, DNA e outros procedimentos técnicos para identificação oficial.

As investigações seguem em andamento para:

  • Confirmar a identidade das vítimas;
  • Apurar a autoria dos crimes;
  • Verificar a existência de outros corpos enterrados na região;
  • Esclarecer a atuação de grupos criminosos ligados à milícia local.

Impacto humano e social

A descoberta do cemitério clandestino reacende o alerta sobre a violência estrutural ligada a grupos armados e o drama vivido por famílias que convivem com o desaparecimento de parentes, muitas vezes sem respostas por anos.

Casos como esse evidenciam a dificuldade de atuação do Estado em áreas dominadas por organizações criminosas e reforçam a importância do trabalho investigativo especializado para romper ciclos de impunidade.