Estímulo luminoso interferindo no ritmo natural do sono noturno - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy
Estímulo luminoso interferindo no ritmo natural do sono noturno - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

A forma como usamos o celular à noite mudou profundamente a relação com o sono. Cada vez mais presente antes de dormir, o aparelho emite um tipo de luz que pode interferir diretamente no funcionamento do organismo.

Entender como a luz do celular afeta o sono ajuda a explicar por que tantas pessoas acordam cansadas, têm dificuldade para adormecer ou relatam noites pouco reparadoras, mesmo dormindo por várias horas.

Como a luz do celular afeta o sono biologicamente?

A principal explicação está na chamada luz azul, emitida pelas telas de celulares, tablets e computadores. Esse tipo de luz estimula o cérebro de forma semelhante à luz solar, interferindo no ritmo circadiano, que é o relógio biológico responsável por regular o ciclo de sono e vigília.

Segundo pesquisadores, a exposição à luz azul à noite reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para induzir o sono profundo. Ou seja, mesmo deitado, o corpo pode “entender” que ainda é dia e permanecer em estado de alerta.

O uso de telas antes de dormir pode atrasar o início do sono e diminuir sua duração total, impactando diretamente a qualidade do descanso.

Ativação cerebral prolongando o estado de alerta antes de dormir – Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

Por que o impacto acontece sem que a gente perceba?

Diferentemente de um café forte ou de um ambiente barulhento, a luz do celular age de forma silenciosa. O cérebro não interpreta imediatamente o estímulo como algo negativo, mas reage hormonalmente a ele.

Por outro lado, o hábito de checar redes sociais ou responder mensagens ativa áreas cognitivas ligadas à atenção e à emoção. Além da luz, o conteúdo consumido mantém a mente em estado de vigilância, dificultando o relaxamento necessário para dormir.

Ou seja, não é apenas o brilho da tela, mas a combinação entre estímulo visual e mental que explica como a luz do celular afeta o sono de maneira tão sutil.

Quais são os efeitos mais comuns no dia seguinte?

Mesmo sem perceber durante a noite, o corpo costuma dar sinais no dia seguinte. Entre os efeitos mais relatados por especialistas em medicina do sono estão:

  • Sensação de cansaço ao acordar, mesmo após várias horas de descanso
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória
  • Irritabilidade e oscilações de humor
  • Sonolência ao longo do dia
  • Queda no rendimento profissional ou acadêmico

O modo noturno realmente resolve o problema?

Muitos celulares oferecem hoje recursos como “modo noturno” ou filtros de luz azul. Embora essas funções ajudem, elas não eliminam totalmente o impacto da luz do celular no sono.

Especialistas explicam que esses filtros reduzem a emissão de luz azul, mas não anulam o estímulo cognitivo causado pelo uso do aparelho. Além disso, o simples ato de rolar a tela mantém o cérebro ativo por mais tempo do que o ideal antes de dormir.

Portanto, o modo noturno pode ser um aliado, mas não substitui hábitos mais saudáveis de higiene do sono.

Como reduzir os efeitos da luz do celular antes de dormir?

Pequenas mudanças de hábito já fazem diferença. Especialistas recomendam evitar telas pelo menos trinta minutos antes de deitar, reduzir o brilho do aparelho e priorizar atividades relaxantes, como leitura em papel ou exercícios de respiração.

Além disso, manter o quarto escuro e silencioso ajuda o cérebro a associar o ambiente ao descanso, reforçando o ciclo natural do sono.