
A 5ª edição do projeto ArtRio Educação chega ao MAC Niterói com foco na arte brasileira contemporânea feita por mulheres. A mostra é gratuita, interativa e educativa, e apresenta painéis com reproduções de obras de dez grandes artistas — de Adriana Varejão a Beatriz Milhazes — para todos os públicos.
O que é a mostra — foco em arte brasileira e mulheres
A 5ª edição do projeto ArtRio Educação estreia no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) em 27 de agosto. Com painéis de obras e propostas interativas, a exposição gratuita amplia o acesso à arte contemporânea brasileira produzida por mulheres, unindo conhecimento e diversão.
Curadoria e recorte — 10 artistas, múltiplas linguagens
A curadoria é de Fernanda Lopes, que selecionou dez artistas de diferentes gerações, formações e trajetórias. A seleção abrange do têxtil ao desenho, da pintura à instalação, da fotografia ao objeto, oferecendo uma visão ampla e diversa da produção contemporânea no Brasil.
As artistas em destaque no MAC Niterói
- Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964)
Desde os anos 1980, investiga a história do Brasil em pintura, fotografia, escultura e instalação. As superfícies “craqueladas” remetem à azulejaria barroca portuguesa e às fissuras do tempo, revelando “vísceras” pintadas que enfatizam a violência do processo de colonização e a construção identitária brasileira.

- Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, 1960)
Referências à ornamentação barroca, tropicalidade, arte popular, carnaval, cultura pop, natureza, moda e joalheria. Desde 2010, explora a pintura em dimensão tridimensional, com cores, transparências e ornamentos em móbiles e vitrais, criando ambientes imersivos.

- Claudia Andujar (Suíça, 1931)
Fotógrafa radicada no Brasil, registra há mais de cinco décadas o universo Yanomami. A partir de 1971, viveu entre Roraima e Amazonas. Sua obra acompanha a luta pela sobrevivência indígena ante doenças, violência e poluição do garimpo, e sua atuação incluiu a Comissão pela Criação do Parque Yanomami e a campanha pela demarcação das terras.
- Claudia Hersz (Rio de Janeiro, 1960)
Obra “familiar” que mistura história da arte e coleção de objetos cotidianos: souvenires, miniaturas, tapeçarias, roupas, jogos, ícones pop e imagens históricas (como Mao Tse-Tung). Com olhar irônico, problematiza falsificação, fetichização e autoridade, convidando a repensar narrativas, memórias e identidades.

- Madalena Santos Reinbolt (Vitória da Conquista, 1919 – Petrópolis, 1977)
Da vida no campo à trajetória como doméstica em grandes cidades, desenvolveu pintura e, depois, bordados (“quadros de lã”) de ampla paleta cromática. Fora do circuito tradicional, não teve exposições em vida e manteve-se no trabalho doméstico até o fim.
- Marcela Cantuária (Rio de Janeiro, 1991)
Pesquisa entre arte, política e memória com recortes de gênero, raça e classe. Suas pinturas enfrentam silenciamentos históricos sobre corpos de mulheres, buscando outras histórias possíveis, apoiadas em episódios de resistência liderados por mulheres e movimentos populares, sobretudo no Sul Global. Expande a pintura para murais, instalações e cerâmicas.

- Marina Weffort (São Paulo, 1978)
Entre desenho e escultura, investiga peças têxteis criadas por uma espécie de “tecelagem ao contrário”: desfazendo tecidos para revelar sua estrutura de linhas entrelaçadas.
- Sonia Gomes (Caetanópolis, 1948)
A costura surge como ferramenta e matéria poética. Retalhos, cordas, pulseiras, bolsas e alfinetes compõem esculturas têxteis que ativam memórias por cor, textura e maleabilidade — herança da primeira fábrica de tecidos de Minas Gerais.
- Tadáskia (Rio de Janeiro, 1993)
Educadora, escritora e artista plástica, baseia-se no desenho e em materiais encontrados ao acaso. Cor é elemento chave: lápis de cor, caneta, pastel seco e esmalte se misturam a marcações e escrita. Produz também esculturas, fotografia, vídeo e instalação.
- Vânia Mignone (Campinas, 1967)
Da xilogravura aos suportes de madeira, mantém a linguagem gráfica entalhando a superfície e usando pinceladas que constroem linhas pretas, grossas e fortes, com paleta quente e contrastante.

O que diz a curadora — urgências do presente
“Suas obras lidam com questões como identidade, corpo, memória, território, ancestralidade, linguagem e matéria, e investigam, de maneira crítica e inventiva, as urgências do tempo presente. Em conjunto, elas chamam a atenção do público para diferentes possibilidades de olhar, pensar e atuar no mundo ao nosso redor”, reflete Fernanda Lopes.
Serviço — ArtRio Educação no MAC Niterói
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói — MAC
- Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº
- Abertura: 27 de agosto
- Até: 14 de setembro (na Praça do MAC)
- Visitação gratuita