Cidade

Banco de Alimentos de Niterói já arrecadou quase 400 toneladas em doações

Subsecretário de Segurança Alimentar e coordenador do Projeto Avante | Foto: Douglas Macedo

“Quem tem fome, tem pressa”, já dizia o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Com a mesma preocupação, nascia o Banco de Alimentos da Prefeitura de Niterói que leva seu nome e que, há quase 15 anos, ajuda de forma direta ou indireta milhares de pessoas na cidade. Em pouco mais de cinco anos, o banco já arrecadou mais de 380 toneladas de alimentos que são doados para entidades cadastradas. Atualmente, cerca de 2 mil pessoas se beneficiam dos alimentos doados.

O Banco de Alimentos é gerido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária. O secretário da pasta, Elton Teixeira, comenta sobre políticas públicas de enfrentamento às desigualdades sociais. “É papel do poder público e da secretaria construir políticas públicas de enfrentamento às desigualdades socioassistenciais no município. Em Niterói, através da SMASES, implementamos a Moeda Social Arariboia que hoje atende mais de 31 mil famílias, totalizando mais de 70 mil beneficiários dessa política pública. Através do programa de transferência de renda há a possibilidade de que pessoas em situação de pobreza ou extrema pobreza consigam ter uma base na composição da renda familiar que, em grande parte é direcionada à aquisição de alimentos, sendo mais uma importante ferramenta de combate à fome na nossa cidade”, declarou o secretário.

O Banco de Alimentos Herbert de Souza trabalha de forma diferente e não faz atendimento direto à população. O banco recebe doações através de parcerias firmadas com redes de supermercados e atacadões. As instituições recebem os alimentos, fazem refeições e servem no local.

“O relatório do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Brasil divulgado recentemente foi alarmante. Atualmente, mais de 33 milhões de brasileiros passam fome todos os dias, sem saber o que será do amanhã. O combate à fome é novamente uma pauta urgente em nosso país como há muito tempo não era. Nesse sentido, é imprescindível a atuação responsável do poder público, através de políticas públicas comprometidas com esse objetivo, como é o caso do nosso Restaurante Popular Jorge Amado e do Banco de Alimentos Herbert de Souza que cotidianamente alimentam nossa população em busca da garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA)”, relatou o subsecretário de Segurança Alimentar e Nutricional, Igor Barcellos.

O banco de alimentos contempla 22 instituições cadastradas. Uma delas é o Projeto Avante, que atende cerca de 90 crianças e adolescentes. O coordenador do espaço, Geraldo Fernandes, conta que os alimentos recebidos são parte importante na rotina do projeto e que, diariamente, são duas refeições servidas em cada um dos dois turnos (manhã e tarde) e sem as doações do Banco de Alimentos o orçamento não comportaria.

“O Projeto Avante é um projeto socioeducacional que atende crianças em situação de vulnerabilidade social, de 6 a 10 anos, no formato de contraturno escolar que estudam na rede pública de ensino e são moradoras das comunidades do entorno como Grota, Castelo e Igrejinha. Todas as crianças recebem duas refeições completas e balanceadas, com cardápios montados por nutricionistas voluntários e que garantem a segurança alimentar dos nossos pequenos. Sem a doação que chega do banco, isso ia gerar um custo enorme. Há quase cinco anos, a gente recebe mensalmente esses alimentos, que geram um número aproximado de 1300 refeições ao mês para nossas crianças”, contou Geraldo.

Desde 2021, a administração do banco de alimentos vem reforçando as parcerias com comerciantes da cidade sejam de pequeno ou grande porte, para aumentar a arrecadação de alimentos. Esse quantitativo está diretamente relacionado ao convênio firmado com o Ceasa-RJ e o Banco de Alimentos, que através do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), fornece aproximadamente 1,5 toneladas de alimentos da agricultura familiar de quinze em quinze dias. A Rede de Solidariedade do Banco, atualmente, é composta de três grandes parceiros (Carrefour, Prezunic e Ceasa) que, juntos, já doaram mais de 23,6 toneladas de alimentos.

O Banco de Alimentos recebe produtos com pequenas avarias, que estão próprios para consumo, mas que, por alguns pequenos defeitos na embalagem, como um furo ou um amassado, acabam não sendo vendidos. O mesmo vale para produtos que estão perto da data de vencimento. Todo alimento recebido passa por um processo de limpeza e higienização. Depois, os itens são separados para avaliar a validade e o estado da embalagem. Os alimentos in natura como frutas, legumes e verduras que chegam em perfeito estado para consumo e são lavados e separados para doação.

O banco de alimentos

Para se cadastrar, representantes de instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social devem comparecer à sede na Rua Padre Anchieta, 65, Centro. Além dos documentos necessários, a instituição precisa ser cadastrada no Conselho da área de atuação (criança e adolescente, idoso, etc), no Conselho Municipal de Assistência Social do município, e ter inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e possuir cozinha para manipular e cozinhar os alimentos doados. Informações pelo bancodealimentos@smases.niteroi.rj.gov.br.

O nome Banco de Alimentos Herbert de Souza foi inspirado no sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro, conhecido como Betinho, que, durante anos, dedicou a vida ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

To Top