Niterói completa 445 anos sem clima para comemorações

Niterói completa hoje 445 anos e o clima na cidade não é de comemorações. Doze dias se passaram após a tragédia que ceifou a vida de 15 moradores do Boa Esperança, em Piratininga, e o sentimento nas ruas ainda é de tristeza. Dentre as 15 vítimas, 3 adolescentes e 4 crianças incluindo um bebê de 10 meses. A população de Niterói mostrou todo o seu amor e solidariedade com os desabrigados e rapidamente reuniu mais de 9 toneladas de donativos, proporcionando a possibilidade de rapidamente serem distribuídos kits com materiais de limpeza, higiene pessoal, alimentos e água para as famílias atingidas. Aos poucos moradores, vão tentando retomar a rotina, num clima de tristeza e indignação.

Um pedaço de pedra gigantesco se rompeu e desceu morro abaixo, destruindo vários imóveis. Mais de 20 famílias ficaram desabrigadas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 4h do sábado, cerca de 200 profissionais trabalharam desde as primeiras horas do dia nas ações de resgate, reunindo equipes da prefeitura e do governo do estado. Muitos voluntários também ajudaram no local. Uma base foi montada na Escola Municipal Francisco Portugal Neves, onde foram recebidos os desabrigados e as doações.

Base de apoio na escola municipal Portugal Neves para receber doações para os desabrigados. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Segundo a Defesa Civil, a região não era diagnosticada como de alto risco geológico dentro do mapeamento de risco do Departamento de Recursos Minerais do Governo do Estado (DRM), que norteia a atuação da Defesa Civil. A Prefeitura se posicionou informando que o deslizamento da rocha foi um evento difícil de ser previsto. A tragédia é a segunda pior enfrentada pela cidade. Em 2010, 46 pessoas morreram no Morro do Bumba, no bairro Viçoso Jardim.

Onze dias após a tragédia a Prefeitura informou que realizou o pagamento do benefício assistencial mensal no valor de R$ 1.002,00 para 23 famílias que tiveram suas casas destruídas ou demolidas. Também informou que até o fim do mês, todos os moradores que tiveram casas interditadas na comunidade receberão a primeira parcela do benefício.

As equipes da Defesa Civil de Niterói continuam o trabalho no Morro Boa Esperança, onde já foram demolidas 13 casas. A ação acontece de forma conjunta com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Obras e a Companhia de Limpeza (Clin). Os moradores estão sendo acompanhados por assistentes sociais e psicólogos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

Na última quinta-feira (15), a juíza Daniella Ferro, do plantão judiciário, atendeu a um pedido da Procuradoria Geral do Município e determinou a desocupação de 54 imóveis na região. Oficiais de Justiça estiveram no local para entregar as notificações para a liberação dos imóveis. As famílias puderam retirar seus pertences, com apoio da Defesa Civil.

As famílias desalojadas receberão da prefeitura unidades habitacionais no bairro do Fonseca. As unidades já estão em construção e serão entregues às vítimas no dia 20 de dezembro, segundo informou a prefeitura de Niterói.

Condomínio Vivendas do Fonseca (Foto: Bruno Eduardo Alves)

O condomínio Vivendas do Fonseca, no bairro do Fonseca, na Zona Norte de Niterói, é o local para onde irão as famílias que perderam seus imóveis no Morro da Boa Esperança, em Piratininga. O empreendimento foi construído através do programa Minha Casa, Minha Vida, da Caixa Econômica Federal, em parceria com a Prefeitura de Niterói.

O Vivendas do Fonseca possui 200 apartamentos divididos em 10 blocos. Cada apartamento tem sala, dois quartos, cozinha, área de serviço e banheiro. A área comum do condomínio conta com quadra de esportes, área de lazer, com churrasqueira e brinquedos para as crianças, além de estacionamento.

Foto Capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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