Mulheres empreendedoras, sim!

As mulheres atualmente já conquistaram espaço no mercado de trabalho e não só ajudam nas despesas, elas sustentam seus lares junto com seus parceiros. Nos últimos anos vêm crescendo bastante o número de mulheres que decidiram empreender em diferentes segmentos. De acordo com informações do Ministério do Trabalho, em 2007, as mulheres representavam 40,8% do mercado formal de trabalho; em 2017, passaram a ocupar 46% das vagas.

A cidade de Niterói é celeiro dessas mulheres. De caixa de churrascaria à advogada que largou tudo para ir atrás de seu sonho, segue abaixo algumas histórias de força e determinação no empreendedorismo local:

 

Maria Célia, diretora geral da Beira Mar

Uma jovem de apenas 24 anos, com dois filhos pequenos e à frente da padaria e confeitaria mais tradicional de Niterói. Essa é Maria Célia, que dirige a Beira Mar, localizada em Icaraí, no coração da cidade. A empresária revela que trabalhar em uma empresa familiar tem muitas vantagens, diferente do que trabalhar em uma empresa privada qualquer, pois, a flexibilidade de horários foi muito importante para que ela conseguisse conciliar o trabalho com a vida pessoal.

“Eu tinha 24 anos quando assumi e nesse momento não haviam muitas mulheres em empresas e as pessoas se assustavam quando viam que eu estava a frente da empresa, ainda causava estranheza para as pessoas”, diz.

Maria Célia ressalta que atualmente as mulheres têm se informado melhor, se dedicado muito a carreira profissional e com mais conhecimento se destacam ainda mais no mundo dos negócios.

Maria Celia diretora geral da Beira Mar / Foto: Victor Viana

“Eu tinha que provar minha competência por ser mulher e isso foi fator determinante. Ser empresário no Brasil já é um grande desafio e antigamente mais ainda. A mulher tem mais paciência, calma para ouvir, e isso interfere no resultado por causa da nossa sensibilidade. ser tolerante e paciente me ajuda muito como empresária”, conta ela.

Na empresa ela é considerada a mãe de todos, pelo jeito cuidadoso. A empresa tem mais de 300 funcionários e na época que assumiu tinha 48. Ela destaca que o relacionamento é muito humanizado com os funcionários, o que na opinião dela faz muita diferença no resultado final.

“Sou extremamente competitiva, não sei se isso é uma qualidade ou um defeito, mas se eu vejo algo de novo em alguma feira fora do país, eu implemento na Beira Mar com a certeza que vai dar certo. Eu só vendo o que eu gosto, e vou procurar o melhor. Por exemplo, trabalho com o melhor chocolate do mundo, que é o Belga, fazemos pães com fermentação natural e trouxe a farinha de fora, e só depois de 5 anos pesquisando que eu consegui achar uma farinha francesa e com isso reproduzo os pães franceses iguais aos que você encontra nas feiras de rua de Paris. Adoro desafios e a empresa vai completar 76 anos este ano, fruto de muito trabalho e dedicação”.

 

Mila Cozzi

Uma advogada que estava estudando para concurso público e um belo dia resolveu largar tudo e investir na Gastronomia. O nome dela é Mila Cozzi e é chef em alimentação saudável. Além disso, se tornou uma empreendedora de sucesso, motivando as pessoas a serem felizes e irem em busca de seus sonhos por todo o país.

Pensou em alimentação saudável, pensou Mila Cozzi. Ela nasceu em Santos (SP), tem 42 anos, é formada em Direito, já atuou como bancária, mas foi pela Gastronomia que se apaixonou.

Por conta de uma doença que teve na adolescência, foi obrigada a mudar seus hábitos alimentares e deu início, aos 18 anos, a prática da alimentação saudável. Nesta época, Mila morava em Manaus (AM) e foi aí que ela começou a cozinhar e divulgar sem qualquer pretensão os seus pratos.

Hoje, Mila é chef culinária saudável e possui no instagram mais de 370 mil pessoas. Ela desenvolve cursos e palestras por todo o Brasil ensinando na prática suas receitas e como abrir um negócio. Com o espírito empreendedor, Mila, em três anos, tornou-se umas das maiores referências no assunto.

Mila Cozzi, chef em alimentação saudável / Foto: Divulgação

Mila tem prazer em compartilhar sua trajetória de dificuldade e superação. E é desta forma que ela inspira as pessoas e modifica vidas. Hoje, está rodeada de mulheres que participaram dos seus cursos e mudaram completamente as suas vidas. “Tem até médica-cirurgiã que decidiu abandonar a Medicina e investir na Gastronomia. Conheço também mulheres que estavam em depressão, mulheres sem objetivos pontuais e senhoras de idade que, inclusive, aprenderam a cozinhar e se transformaram. Tento passar que somos capazes de fazer o que quisermos. Fico muito feliz quando os alunos se engajam e conquistam novos horizontes. Gosto de contribuir para a transformação de vidas”, diz.

 

Chef Silvia Paludo comanda os cinco restaurantes do Grupo Paludo

Silvia Paludo nasceu no Maranhão, mas pode ser considerada uma carioca. Ela chegou ao Rio de Janeiro aos dois anos de idade com toda a família. E antes mesmo de atingir a maioridade já atuava na gastronomia. Ela começou sua trajetória profissional, aos 15 anos, no Mc Donald’s. Na lanchonete, atuou na área de Marketing durante três anos.

Em seguida, Silvia trabalhou na então churrascaria Porcão, em Niterói, como caixa. Depois de dois anos no restaurante, Silvia decidiu comprar parte do Queen Pizza com Rudinei Paludo. Começava aí a história do Grupo Paludo em Niterói. No restaurante, Silvia atuou na parte administrativa. “Mudamos o cardápio, reformulamos o restaurante e após dois anos conseguimos organizar a casa e comprar a outra parte. Feito isso, abrimos o restaurante Família Paludo, em 1999”, explica.

Na Família Paludo, Silvia era responsável por toda a parte financeira. Ela também gerenciava a gastronomia dando as diretrizes aos funcionários. E essa atuação a gabaritou para hoje ser a Chef Operacional na Família Paludo.

Silvia Paludo comanda atualmente as cinco casas do Grupo Paludo / Foto: Frederico Figueiredo

Silvia Paludo comanda atualmente as cinco casas do Grupo Paludo, todas localizadas em Niterói: Queen Pizza (1995), Família Paludo (1999), Paludo Gourmet (2004), Queen Jardim (2010) e o Queen Oceânico (2017). São mais de 20 anos de atuação e sucesso no mercado gastronômico que permitiram à chef conquistar experiência, além de  parceiros fiéis, que hoje trabalham ao seu lado com autonomia, dedicação e oferecendo um serviço de excelência.

Para ela, delegar determinadas funções faz parte do crescimento dos profissionais e, conseqüentemente, do Grupo, embora esteja sempre por perto.

“Estou freqüentemente buscando um jeito de eles se organizarem e fazerem o trabalho da melhor forma possível. Procuro ter uma visão maior e mais ampla para trazer soluções e tornar os processos cada vez mais fáceis e eficientes”, conta a chef.

 

Gruta de Santo Antônio: 40 anos da inquietude de Dona Henriqueta

A história começa ainda em Portugal, quando a jovem Henriqueta se apaixonou pela costura e não pela cozinha. Costureira de mão cheia, ainda jovem aprendeu o ofício e fez vários cursos na “terrinha”. Quando chegou ao Brasil, passou a cortar tecidos e fazer modelos para as madames para ajudar o marido, a sustentar a família. Naquela época, por mais que tivesse aprendido desde pequena os truques e as receitas da culinária portuguesa com a mãe e a irmã, era o marido quem tinha a fama de bom cozinheiro, comandando a Pensão Europa, um pequeno restaurante no Centro de Niterói, que lembrava as típicas pensões portuguesas.

O negócio prosperou e eles decidiram abrir a Gruta de Santo Antônio – o nome veio em homenagem ao santo de devoção. Mas dois anos depois seu marido faleceu. Dona Henriqueta teve de trocar a máquina de costura pelo fogão e as agulhas pelas panelas. E precisou de muita coragem para assumir o negócio da família. Ao longo dos 41 anos que a casa completa em outubro de 2018, ela transformou a Gruta de Santo Antônio em referência de boa comida portuguesa. Com muita dedicação, atenção e carinho, Dona Henriqueta comanda, diariamente, a cozinha do restaurante, no bairro Ponta d’Areia, em Niterói.

“Na cozinha sou sempre um leão, quero que todos façam do meu jeito. Porque, assim, sei que está bem feito”, diz Dona Henriqueta, que serve cerca de uma tonelada de bacalhau por mês na casa. Hoje, para tocar o restaurante da família, ela conta com a ajuda dos filhos – Alexandre, que se tornou chef e sommelier, e Marcelo, que cuida da administração.

Dona Henriqueta da Gruta de Santo Antônio / Foto: Divulgação

O cuidado com a culinária e o prazer em servir pratos da sua terra fizeram com que a portuguesa se enveredasse pela literatura e não demorou para surgir nas livrarias “Cozinhar é preciso”, que não é simplesmente um livro de receitas que descreve os sabores e aromas da tradicional gastronomia de Portugal. É a história de vida de uma imigrante portuguesa que chegou ao Brasil depois de uma desilusão amorosa, mas que acabou encontrando novamente a felicidade.

O livro foi vencedor do “GOURMAND WORL COOKBOOK” nas categorias BEST FIRST COOKBOOK e BEST WOMAN CHEF COOKBOOK. O Gruta de Santo Antônio foi ganhador na revista Época como melhor restaurante português em 2013, sendo citado como os novos ícones do RJ.

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