Dicas de Psicologia: Bullying não é brincadeira

O bullying é um dos temas mais falados nos últimos anos quando se trata do cotidiano da escola. Mas o que é bullying? A palavra da língua inglesa é usada para qualificar comportamentos de violência, física ou não, que ocorrem de maneira intencional e repetidamente contra certa pessoa. Costuma-se pensar no contexto escolar, mas o bullying pode estar presente também em casa, na universidade e no ambiente de trabalho, e é feito tanto por pessoas do sexo feminino quanto do masculino.

As formas de agressão são variadas. Podem ser: verbais, com ofensas, xingamentos e “zoeiras”; psicológicas e morais, com humilhação, discriminação, difamação e exclusão; físicas e materiais, como socos, empurrões, roubos e furtos de coisas da vítima; sexual, com assédio, abusos, insinuações; ou virtual, o chamado Ciberbullying, onde as agressões ocorrem através da internet. Em todos os casos, os danos causados pelo/a agressor/a à vítima podem ser dramáticos, como traumas, depressão, ansiedade, isolamento social, problemas de autoestima, entre outros, além das evidentes consequências em caso de violência física, e no mais grave caso, pode resultar em suicídio.

Assim, ao contrário do que muitas vezes se ouve por aí, o bullying não é algo normal, que toda criança ou adolescente passa por isso, que é só mais um drama que a mídia inventa, que as vítimas dessas agressões estão “de frescura”, ou que é só uma fase e vai passar. É um tipo de violência grave, que não surgiu nos últimos anos, que está presente em todos os lugares do mundo, e que se tem a impressão de estar cada vez mais intensa e frequente.

Mas como eu posso perceber se meu/minha filho/a ou aluno/a está sendo vítima de bullying? Existem muitos sinais que podem ser observados. Em casa, a criança ou adolescente demonstra mudanças de comportamento e de humor, tem poucos amigos, sente dores de cabeça, enjoo, tonturas, especialmente próximo da hora de ir para escola, passa a dar desculpas para faltar aula, tem insônia, pesadelos, medo de dormir sozinha/o, demonstra preocupação excessiva com sua aparência e seu jeito de ser, e até mesmo pode voltar para casa com machucados, materiais ou roupas danificadas. Já na escola, pode haver uma piora no rendimento escolar, dificuldades de aprendizagem e concentração que antes não existiam, isolamento, especialmente notável em momentos de maior interação, como a hora do intervalo e aulas de educação física, postura retraída, e ela/e demonstra estar triste ou aflita/o.

Algo importante a ser observado é que o bullying pode se tornar um ciclo vicioso, pois em muitos casos a vítima da agressão escolhe responder também com violência, na maioria das vezes física, para impor respeito e demonstrar força. Nesse movimento, se pode ver que o/a agressor/a também precisa de ajuda e atenção dos pais e professores, pois, por razões diversas, sua linguagem é a da violência, e ele/a parece acreditar que através desse comportamento pode obter respeito, status e outros benefícios. Possivelmente faltam a esta criança ou adolescente fortalecer valores de solidariedade, de respeito, de tolerância, de que é bom fazer o bem.

Ao perceber que a criança ou o adolescente é uma vítima ou um/a agressor/a, e que suas atitudes não estão sendo suficientes para modificar o comportamento ou o sentimento dele/a, é importante procurar auxílio através do acompanhamento psicológico. Tratar o problema com seriedade e buscar resolvê-lo o mais cedo possível certamente pode evitar muitas consequências negativas para este futuro adulto, principalmente focando sobre um desenvolvimento emocional e psíquico saudável, e, consequentemente, na sua qualidade de vida.

É, então, fundamental uma parceria entre família, escola e sociedade no combate ao bullying. Levar a sério os sentimentos e as necessidades emocionais das crianças e dos adolescentes, incentivar o diálogo entre eles, ensinar valores positivos, dar exemplo em suas próprias atitudes, são alguns movimentos que trazem mais resultados do que a punição aos agressores. É preciso que todos ajam para evitar que o bullying aconteça, e não apenas pensar no que fazer diante das consequências.

Nesta realidade, é muito importante destacar o aumento do índice de suicídios entre jovens, adolescentes e crianças, que tem também como algumas das causas as consequências do bullying e a depressão, como mencionado em um artigo anterior. O suicídio nessa faixa etária, assunto sobre o qual todos precisam falar e pensar, será o tema do próximo artigo. Até lá!

 

Ana Claudia Marques – Psicóloga

 

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