CULTURA: Festival “A força e a voz da mulher” no Teatro UFF

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CULTURA – Em março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (08/03), o Centro de Artes UFF promove, no Teatro da UFF, o Festival “A força e a voz da mulher”, com shows de diversas cantoras e intérpretes, nos mais variados estilos e vertentes.

Ao todo, serão 10 shows diferentes, começando com a jovem Gabi Buarque, que se apresentará acompanhada de Tomás Improta interpretando canções que se tornaram famosas na voz de outra grande cantora e ícone da MPB – Maria Bethânia -, homenageada pelos seus 50 anos de carreira.

07 e 08/03 (terça e quarta) – 20h – Gabi Buarque & Tomás Improta em “Homenagem a Maria Bethânia”

O repertório do espetáculo “Homenagem a Maria Bethânia” é centrado em gravações históricas que tiveram participação de Tomás Improta, atuando como pianista, presentes em discos antológicos como “Doces Bárbaros” (1976), “Álibi” (1978), “Maria Bethânia e Caetano Veloso ao vivo” (1978), “Talismã” (1980) e “A beira e o mar” (1984).  Além das canções gravadas por Tomás, o roteiro conta com sucessos como “Carcará” que apresentou Bethânia ao cenário musical, “Olhos nos olhos”, “Fera Ferida”, dentre outros. O espetáculo apresenta também a versão instrumental de “Pra dizer adeus”. Na costura das canções, Gabi Buarque, além de tocar violão e cantar, recita trechos de poemas de Alice Ruiz, Florbela Espanca, Hilda Hilst, Clarice Lispector e outras. Um recital emocionante e uma bela homenagem não apenas à grande intérprete Maria Bethânia, mas a todas as mulheres. Apresentado no Sesc Tijuca, Centro de Referência da Música Carioca, Iate Clube, na Livraria Arlequim e no Espaço Roda D’Água (Cabo Frio).

09 e 10/03 – 20h (quinta e sexta) – Juliana Caymmi em “Guardiã das canções”

O Festival segue com o show “Guardiã das canções”, apresentado pela neta de Dorival Caymmi, Juliana Caymmi, também filha de Danilo. Com tantas boas referências, Juliana seguiu a carreira do avô e do pai, como cantora e compositora.

Em 2010, ela lançou o CD Para dançar a vida, um fluído musical de diversos elementos que colheu ao longo de sua trajetória e que se aprofunda com o novo show Guardiã das canções. Retrata a partir de poesias e composições criadas por mulheres, a essência do feminino. Ao lado do músico Paulo Guerrah e com direção e Lucy Fontes Freitas, este novo espetáculo narra, de forma livre, a arte da mulher brasileira e sua poética em muitos dos seus espectros: mãe, filha, trabalhadora, amante e artista.

A música que intitula o show serviu de inspiração para bordar o repertório, cantando a força das mulheres em melodias e letras, tudo isso costurado pelos textos de autoras como Ana Terra, Viviane Mosé e Lya Luft. Juliana também apresenta canções de sua autoria e ainda interpreta novos e antigos nomes da MPB como Joyce, Rita Lee, Alice Caymmi, Dona Ivone Lara, Dolores Duran, Cátia de França, Nana Caymmi, Sueli Costa e Michele Leal, entre outras. Sem buscar exatamente uma inovação, a cantora nesta nova fase apenas resgata o que já está dado, girando a roda da vida a partir do poder das canções.  Cultiva a canção, o belo, e mantém a tradição de suas origens fincadas no fértil solo da MPB, seja pela busca da simplicidade de seu avô Dorival Caymmi, seja pela influência poética das letras de sua mãe, Ana Terra.

11 e 12/03 – 20h (sábado e domingo) – Dhu Moraes e Sandra Pêra em “Duas feras perigosas”

Bem antes de serem “as tais Frenéticas”,  Dulcilene de Moraes (Dhu Moraes) e Sandra Pêra se conheceram em 1972, nos ensaios do musical Pobre menina rica. O compositor Carlos Lyra assinava a direção, o texto e as músicas, compostas em parceria com Vinícius de Moraes. A identificação entre as duas foi imediata e, desde então, a amizade entre Dhu e Sandra segue rendendo frutos e projetos.

Com tantas histórias para contar e canções para cantar, surgiu a ideia de montar um espetáculo no qual Dhu e Sandra dividem histórias e passagens divertidas dos bastidores da música e do teatro, nesses mais de 40 anos de parceria. Com direção musical do guitarrista Mimi Lessa, amigo desde o início das Frenéticas, o show Duas feras perigosas. O roteiro e a direção do show são do jornalista e escritor Rodrigo Faour, que colaborou ainda com sugestões musicais para a dupla.

O repertório traz hits como Dancin’ Days, Perigosa, Aquarius e Vingativa, clássicos da MPB como Back in Bahia e Sabe você, além de canções mais recentes como Ainda bem (Marisa Monte/Arnaldo Antunes) e Eu vou fazer uma macumba (Johnny Hooker).

Dulcilene ou Leninha, como era conhecida Dhu Moraes, já cantora profissional de linda voz e uma gargalhada contagiosa, juntou-se a Sandra Pêra, na época com 17 anos, começando uma carreira de atriz que amava cantar e dançar. Juntas, além de gargalhadas à toa, elas praticavam a primeira e a segunda voz. Depois de Pobre menina rica veio Jesus Cristo Superstar, Frenéticas e um laço para a eternidade, assim como com as outras integrantes, Regina, Lidoka, Edyr e Leila. Com o fim do grupo, as duas ainda trabalharam juntas no musical A era do rádio, o show e em alguns shows esporádicos das Frenéticas.

14 e 15/03 – 20h (terça e quarta) – Aline Peixoto em “Aline que soul”

Aline Peixoto, atriz, musicista, estuda sistematicamente música desde seus 12 anos. Na adolescência, tocou em bandas de rock, assumindo os vocais e a guitarra. Nessa mesma época, participou de diversos festivais e concursos, sempre com muito êxito, conquistando vários prêmios, como o 1º lugar no 1º Concurso do Niterói Shopping de Música Estudantil. Na Orquestra “Só flautava você”, estudou e tocou violão, clarinete, baixo e se aprimorou em canto. Experimentou muito chorinho, bossa nova e MPB, ampliando e solidificando sua percepção musical.

Como compositora, criou muita música para bandas pops e para o teatro, sendo premiada com suas criações para os espetáculos musicais “Maria e o mundo das nuvens” – pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Música no Festival Nacional de Teatro de Macaé – , “Três Marias” – indicada ao prêmio Zilka Sallaberry em 2012, ganhadora do prêmio de Melhor Sonoplastia no XIV Festival Nacional de Teatro de Guaçuí (ES), e no 41º FENATA, em Ponta Grossa (PR) onde ganhou o prêmio de Melhor Sonoplastia.

O show “Aline que soul” é uma seleção de várias formas poéticas de se cantar o Amor, resultado de uma pesquisa apaixonada da idealizadora Aline Peixoto que, com seu olhar sobre as obras de diferentes épocas, estilos e compositores, imprimiu sua identidade jovem e arrojada nos arranjos e na interpretação das canções, buscando sua individualidade e liberdade de expressão. O reprtório conta com arranjos e releituras de souls, blues, R&B e jazz, de músicas consagradas por grandes nomes do cenário musical, assim como canções compostas por ela mesma.

A banda que acompanha Aline, no show, é também formada por jovens músicos: Victor Nogueira (teclados e violão), Gustavo Costa (baixo) e David Lucas (bateria).

16 e 17/03 – 20h (quinta e sexta) – Magda Belloti e Jorge Mathias em “Eu canto pra você”

Soprano, nascida em Niterói – RJ, graduada em canto pelo Conservatório Brasileiro de Música – Centro Universitário, é integrante do corpo estável do Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira artística, iniciada como cantora de bandas de rock, vem desenvolvendo diversos projetos musicais, tanto de aspectos líricos quanto populares. Por isso mesmo, recebeu diversas premiações pelo seu destaque musical, social e cultural. Em 1992, conquistou o 1° lugar no VI Concurso Nacional de Canto Villa-Lobos, em Vitória (ES). Em 2000, foi premiada como melhor intérprete de Lorenzo Fernandez e conquistou o 3° prêmio no Concurso de Canto Francisco Mignone, no Rio de Janeiro. Premiada pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latino Americana – Seção Brasil, em abril de 2011, dentro da categoria “melhores do ano de 2010”. Em 2012, na categoria “intelectual do ano”, pelos projetos realizados, em 2013 recebeu o título de “Hors Concours” e em 2016 como “Emérita cultivadora da cultura nacional” e como “advento cultural não governamental pelo projeto musical “A modinha que não sai de moda”. Recebeu também Moção Honrosa como “destaque feminino na cultura niteroiense”, cedida pela Câmara de Vereadores de Niterói.

Em 2005, lançou o seu primeiro CD “Paisagens Musicais”, em duo com a pianista Talitha Peres. No ano de 2014, realizou uma turnê, com essa mesma pianista, dedicada à música brasileira se apresentando em Londres (Reino Unido), na St. Martin in the Fields, e em Portugal, cantando em Arouca, Mosteiro de Santa Mafalda e Palácio Foz, em Lisboa, e em Aveiro, no Cons. de Música Calouste Gulbenkian. Em janeiro de 2016, fez turnê nos Estados Unidos, se apresentando em Rice University, University of Houston e Methodisty Hospital, todos na cidade de Houston, no Texas, com um repertório totalmente dedicado a música brasileira.

Ao lado do baixista Jorge Mathias (e baixo no Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro), Magda preparou um repertório de canções populares que falam do amor, do desejo, da alegria e da tristeza do viver a dois e intitulou seu show de “Eu canto pra você”. O duo promete muitas surpresas para o público, com versões inéditas de grandes clássicos da MPB e de alguns hits internacionais. Em algumas músicas, Lorena Belloti, filha mais velha de Magda, cantará em dueto junto com a mãe, confirmando o ditado que diz “filho de peixe, peixinho é”!

18 e 19/03 – 20h (sábado e domingo) – Ithamara Koorax em “Elizetheando”, uma homenagem a Elizeth Cardoso

“Logo no início da minha carreira, ao fazer um show em São Paulo com Guinga e Paulo César Pinheiro, a divina Elizeth Cardoso estava na platéia. No final do espetáculo, ela subiu ao palco e me fez tantos elogios que eu não segurei a emoção e chorei”, relembra Ithamara. Não era para menos. A “novata” ganhava ali o aval daquela que, por “coincidência” (ou destino), sempre havia sido sua cantora favorita, desde que ganhara, ainda criança, o LP “Canção do Amor Demais”. Daquele encontro em diante, em SP, Elizeth passaria a chama-la de “gogó de ouro”.

Quatro meses mais tarde, no projeto “Vozes para os anos 90”, no Rio Jazz Club, Elizeth fez questão de, publicamente, se intitular madrinha de Ithamara. Além disso, convidou-a a participar daquele que, infelizmente, viria a ser seu último disco, Ary Amoroso, lançado postumamente. “Apesar de ter conhecido Elizeth no seu derradeiro ano de vida, nossa relação foi muita intensa”, comenta Ithamara que, alguns anos depois, regravaria a faixa-título de “Canção do amor demais” – disco emblemático e fundamental não apenas para a sua vida, para a sua trajetória artística, mas também para a história da MPB – para o “Songbook de Tom Jobim” organizado por Almir Chediak. “Foi mais um momento emocionante, cantei agradecendo a Elizeth por tantas coisas maravilhosas, tantas bênçãos que ela me deu. A imagem dela me abençoando no palco do Rio Jazz Club nunca sai da minha cabeça, é a imagem mais importante da minha vida”, confessa a cantora.

Desde então, Ithamara Koorax já trilhou muitos caminhos musicais e consagrou-se internacionalmente. Mas apesar de tantas horas de voo nas mais diversas direções – do jazz à música clássica, da bossa-nova à música eletrônica -, Ithamara permanece intimamente ligada à obra de Elizeth Cardoso, sempre emocionalmente conectada à sua madrinha. Volta e meia, regrava alguma canção do repertório da Divina; de Preciso aprender a ser só a Manhã de carnaval, eternizada pela voz de Elizeth na trilha sonora original do filme Orfeu negro. Sem falar que Elizeth lhe deixou uma relíquia muito especial: uma imagem de São Brás, o santo protetor da garganta e das cordas vocais, que ela levava para todos os shows que realizava.

21/03 – 19h30 (terça) – Trio Capitu

A riqueza da musicalidade, os ritmos e melodias se unem à performance do Trio Capitu– grupo instrumental de formação original e singular: flauta,oboé e fagote. Fundado em 2012, o trio vem acumulando reconhecimento do público e da crítica. Finalista do 27º Prêmio da Música Brasileira na categoria “Revelação”, o grupo também foi escolhido para se apresentar no MIMO Festival 2016 e na programação oficial de abertura das comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. Por dois anos consecutivos foi selecionado no Prêmio Funarte de Concertos Didáticos, levando suas apresentações a escolas da rede pública de ensino e, entre 2014 e 2015, foi um dos grupos a se apresentar no aclamado projeto social Doutores da Alegria.

 

23 e 24/03 – 20h (quinta e sexta) – Bia Bedran em “Beatriz”

No show “Beatriz”, Bia Bedran apresenta canções inéditas compostas entre os anos de 1966 e 1968, quando era conhecida como “Beatriz , a menina dos festivais”. O espetáculo conta com os músicos que participaram do CD, João Carlos Coutinho, Ricardo Medeiros e Marcelo Costa, numa formação acústica – piano, baixo e bateria – que muito se aproxima da sonoridade dos trios de bossa nova da década de 1960, mesma época em que as canções foram compostas. A direção musical e os arranjos de Ricardo Medeiros aliados ao virtuosismo das interpretações instrumentais dos músicos resultam num clima intimista e envolvente, revelado também no CD, que inclusive foi gravado “à moda antiga”: direto, todos juntos, praticamente valendo tudo, inclusive a voz. Tanto o CD quanto o espetáculo contam com a participação especial de Patrick Angello nos violões de seis e de sete cordas.

Emoldurada pela iluminação de Djalma Amaral, Bia canta, alternando em sua interpretação, as cores fortes ou suaves de tanta história vivida e expressada em letras e melodias ao longo desses 40 anos de carreira.

25/03 – 20h (sábado) – Lucina

Lucina, compositora, cantora e instrumentista, sobe ao palco do Teatro da UFF, acompanhada do músico Daniel Sant’Ana, nas guitarras, violão e bandolim em única apresentação. Para o repertório, Lucina escolheu canções suas em parcerias com Zélia Duncan, Luhli, Aloísio Brandão, Joãozinho Gomes, seus parceiros mais constantes. Entre as canções, estão Bandoleiro, Coração na boca e outras inéditas que farão parte de seu novo CD, a ser lançado ainda esse ano. O show conta com o desenho de luz de Patricia Ferraz, responsável também pelo cenário.

Lucina consagrou-se como compositora ao ter sido gravada por importantes intérpretes como: Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Nana Caymmi, Joyce, Tete Espíndola, Rolando Boldrin, Frenéticas, Ana de Hollanda, Vânia Bastos, Carlos Navas, Alzirae, Wanderléa e muitos outros.  Em sua carreira solo tem cinco CDs: Inteira pra mimPonto sem nóA música em mim+ Do que parece  e  Gira de luz (lançado no Sacred Festival of Drammen em 2011, na Noruega) e o DVD A música em mim, show ao vivo com a participação de Ney Matogrosso, Joyce e Zélia Duncan.

Fez parte da dupla Luhli e Lucina, numa carreira de grande prestígio. O duo, ícone da produção independente, registrou sua obra em sete álbuns. Em 2015, o diretor de cinema Rafael Saar lançou Yorimatã, documentário que retrata a vida e a obra da dupla Luhli e Lucina e sua original trajetória. O filme foi lançado em São Paulo, na Mostra Internacional de Cinema de 2014, e no Rio de Janeiro, na Mostra dos Realizadores. Em 2015, no Festival Internacional del Nuevo Cine Latino-Americano em Cuba e atualmente, na mostra MFL nos CCBBs do Rio, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais.

Em 2014, compôs a trilha musical da peça infantil A menina esqueleto e participou da mesma, ao vivo, com seus tambores, em temporada no Teatro do Jockey e, ao final do ano, foi indicada para o prêmio CBTij na categoria de Melhor Trilha Original. É parte integrante da Cia Triângulo de Bonecos e Atores desde 1990, tendo assinado várias trilhas musicais.

26/03 – 20h (domingo) – Lívia Nestrovski & Fred Ferreira em “Duo”

Apontada pelas revistas Marie Claire e Vogue como uma das novas vozes da música nacional, e descrita pela Polivox como uma cantora de “presença luminosa, avassaladora”, cuja voz é “uma das maiores realizações da canção brasileira contemporânea”, Lívia Nestrovski iniciou seus estudos musicais nos Estados Unidos, onde passou parte da infância. Formou-se em Canto Popular pela UNICAMP e é mestre em Musicologia pela Uni-Rio. Foi professora de Canto e História da Música na Faculdade Santa Marcelina, São Paulo.

Desde 2008, é solista de Arrigo Barnabé, que referiu-se a ela como sendo “tranquilamente uma das maiores vozes de sua geração”. A cantora lançou ao lado de Arrigo e de Luiz Tatit o disco “De Nada Mais a Algo Além” (2014), fruto de parcerias inéditas dos dois compositores. Nas palavras de Zé Miguel Wisnik, este disco foi possível “graças ao frescor e ao calor jovial unidos na voz agilíssima de Lívia Nestrovski”, que tendo “intimidade de nascença com as mais intrincadas passagens, dá triplos saltos carpados na voz sem perder a naturalidade entoativa, o que a faz a intérprete de sonhos para o esperado e inesperado encontro de Luiz Tatit com Arrigo Barnabé”. O disco foi finalista do Prêmio da Música Brasileira (2015) em duas categorias.

Lívia Nestrovski, cantora, e Fred Ferreira, guitarrista, vêm se confirmando como destaques de sua geração, participando de projetos tanto individualmente quanto em duo, no Brasil e no exterior. Já se apresentaram na França, Portugal, Hungria, Estônia, República Checa, Alemanha, Colômbia, Uruguai, Paraguai e Indonésia. Buscando um distanciamento das maneiras tradicionais de interpretação, o duo utiliza-se somente de guitarra, voz e efeitos eletrônicos para traçar narrativas sutis e inusitadas entre canções de Kurt Weill, Zé Miguel Wisnik, Milton Nascimento e compositores da nova geração, além de intersecções destas com peças de música erudita, como as de Benjamin Britten e Maurice Ravel. O virtuosismo e a expressividade se encontram para evidenciar aspectos do que o próprio Wisnik descreve como a “gaia ciência” da canção popular brasileira, onde fica evidente a “permeabilidade entre a citação culta e a fluência lírica, a densidade e a transparência, a filosofia e o sentido paródico, a inocência cem vezes refinada”.

Em 2013 lançaram o disco DUO, que nas palavras de Tom Zé, tem a canção Jogral como grande destaque de um disco “muito feliz nas escolhas”. Já Luiz Tatit destaca: “todas [as canções] dizem ao que vieram. Mas Youkali é uma das melhores interpretações que já ouvi na minha vida”. O disco foi apontado também como ousado, inovador (Guia da Folha) e arrojado (Revista Continente).

28/03 (terça) – 20h – Lan Lanh em “Batuque da Lan Lanh”

Há 30 anos na batida, Elaine Silva Moreira, a Lan Lanh, vem dando ritmo à própria caminhada, desbravando todos os tipos de sons e dividindo seu talento com nomes consagrados da música brasileira e internacional. A convite de Carlinhos Brown,entrou para o seleto grupo dos batuqueiros, mostrando ao que veio no primeiro show solo do cantor, na década de 90. Dali em diante, não parou mais. Tocou com gente importante como Elba Ramalho, Tim Maia, Titãs, Marisa Monte, Cássia Eller e até a americana Cindy Lauper, a quem acompanhou em turnês na Europa e no Brasil, no melhor estilo Girls just want to have fun. Com o passar do tempo, tudo o que aprendeu, viu e experimentou ganhou forma, a princípio, com a banda “Lan Lan e os Elaines”, formada por músicos de Cássia Eller e em que atuou como produtora musical, cantora e compositora. Embalado pelas faixas ”100 Xurumela” e ”Com Ela”, que se tornou um hit pelos quatro cantos do Brasil, o disco, com treze canções, revelou seu amadurecimento profissional com o prêmio revelação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) em 2003.

As saudades da Bahia, onde nasceu, fizeram com que aceitasse o convite da conterrânea Emanuelle Araújo para formar um grupo de samba. Com o auxílio luxuoso do guitarrista Toni Costa, nascia, em 2004, o “Moinho”, com interpretações de clássicos de Dorival Caymmi, Batatinha e Riachão em releituras contemporâneas, fazendo, como bem disse Gilberto Gil ao assistir a um dos shows do grupo: um verdadeiro ”samba na pressão”. O repertório foi ampliado com canções autorais dos integrantes e também de outros parceiros que passaram a marcar presença em jam sessions inesquecíveis nas casas noturnas da Lapa, coração da boemia carioca. Nando Reis trouxe ”Hoje de noite”, canção que batizou o primeiro álbum da banda, lançado pela WEA; Ana Carolina e Chacal fizeram “Doida de varrer” e Moraes Moreira compôs “O vento e o moinho”.

O encontro com o DJ DeepLick para produzir o disco solo ”Mi”, lançado em 2013, rendeu, além de músicas, shows e trilhas, uma parceria que se consolidou no coletivo “Batida Nacional”, uma mistura de gêneros e ritmos brasileiros incrementados pelos mais modernos timbres da música eletrônica mundial e que, hoje, conta ainda com a participação da atriz Nanda Costa.

Tanta história, tanta música, tanta versatilidade, tanta alegria e tanto alto astral merecem uma comemoração a altura, com um show para marcar cada etapa destes 30 anos na batida.

07 a 28 de Março de 2017
Teatro da UFF
Rua Miguel de Frias 9, Icaraí, Niterói – RJ)
Ingressos: R$50,00 (inteira) / R$25,00 (meia). Com exceção do show “Batuque da Lan Lanh”, dia 28/03, com ingressos a R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia) e do show do “Trio Capitu”, dia 21/03, com ingressos a R$14,00 (inteira) e R$7,00 (meia).
Classificação etária: 10 anos
Informações: 3674-7512 | a partir de 14h

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