Alunos da UFF desenvolvem veículo para apresentar na NASA

“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”. A frase dita pelo astronauta norte-americano, Neil Armstrong, ao pisar na Lua pela primeira vez há 50 anos representa o sonho de muita gente; afinal, quem não quer viajar ao espaço e tocar nas estrelas? Para 11 alunos integrantes do The Myths Brazil, projeto do programa de educação tutorial de Engenharia Mecânica (PET MEC), da UFF, a ideia não é somente explorar os cosmos, mas também pedalar em satélites e planetas, por meio de veículos criados por eles mesmos. Para isso, a equipe vai participar no próximo dia 8 de abril da NASA Human Exploration Rover Challenge. A competição acontece em Huntsville, Alabama, EUA, e incentiva jovens de todo mundo a desenvolver veículos impulsionados por força humana que possam locomover-se na superfície de outros planetas.

O grupo idealizou, construiu e testou um Rover, veículo semelhante a um triciclo ou quadriciclo, que é capaz de enfrentar desafios e explorar novos ambientes interplanetários, locomovendo-se em terrenos acidentados, que simulam a superfície de outro planeta. Nesse sentido, a NASA pretende incentivar o surgimento de uma geração de pesquisadores voltada para a exploração do espaço. Os alunos que compõem a equipe da UFF buscam, por sua vez, expandir o conhecimento de novas experiências e tecnologias e tornarem-se profissionais diferenciados para o mercado brasileiro e mundial.

A competição

Numa área acidentada do Alabama, a NASA oferece aos jovens do ensino médio e da universidade uma autêntica experiência de engenharia, através de um desafio que envolve estudantes de todo o mundo. Pensando na próxima fase da exploração espacial humana, os organizadores montaram  um circuito, semelhante a uma pista de motocross no deserto, de um quilômetro de extensão, com 14 obstáculos e cinco tarefas. Nela, o Rover, pilotado por uma ou duas pessoas, terá que enfrentar, explorar e ultrapassar os obstáculos propostos no campo de testes. Entre os diversos desafios durante o circuito, estão: coletar amostras de solo e líquidos, ultrapassar terrenos que simulam as superfícies da Lua e de Marte e instalar uma placa solar. A prova culmina com a construção de uma roda, que deve ser inteiramente montada pela equipe no local. Além disso, eles devem promover a segurança dos pilotos e terminar a prova em seis minutos.

Premiada em 2018 com o Neil Armstrong Best Design Award, a UFF foi a primeira universidade do Brasil a ter uma equipe participando do evento. O time é orientado pela primeira mulher diretora da Escola de Engenharia da UFF, a professora Fabiana Leta e conta com o apoio dos professores, Márcio Cataldi, do Departamento de Engenharia Ambiental, e Luiza Rebelo, do Departamento de Desenho Industrial.

Já o grupo é capitaneado pelo estudante de Engenharia Mecânica e ex-integrante da equipe de robótica da universidade, Victor Sassi, e pela aluna Karina Karim. Participam também os graduandos Arthur Alves, Ana Beatriz, Bernardo Noronha, Eduarda Marques, Igor Machado, Lucas Albuquerque, Luísa Machado, Matheus Genaro e Pedro Pontes.

Na entrevista a seguir, Victor Ferrari Pinto Sassi, 24 anos, fala sobre a competição na NASA:

Qual o sentimento da equipe ao participar de um evento dessa magnitude?

Victor Sassi: Um misto de euforia e ansiedade. Foram selecionadas quatro equipes por país. Para nós, é a oportunidade de trocar experiências e desenvolver pesquisa na área aeroespacial. Além disso, estaremos em contato com mais de 100 equipes de todo o mundo. Tem gente da Índia, Alemanha, EUA, México, Peru, entre outros. É um ótimo incentivo à pesquisa e fundamental para um país, como o Brasil, que pretende se destacar no mundo.

Para a UFF, qual é a relevância da participação de vocês no evento?

Victor Sassi: A competição agrega valor para a universidade, visto que a coloca ao lado das grandes universidades do mundo, dando-lhe visibilidade internacional. E também oferece a oportunidade para que os alunos possam ver a teoria que aprenderam em sala de aula aplicada na prática, metodologia hands on.

Nos fale um pouco do processo para chegar à competição.

Victor Sassi: Para chegar à competição, o principal é a montagem de uma equipe motivada e focada no mesmo objetivo. É fundamental que haja entre os participantes o interesse colaborativo de construir o Rover.

A equipe já trabalha junta há muito tempo?

Victor Sassi: A equipe The Myths Brazil surgiu em 2017 na Feira de Ciência e Tecnologia de Niterói, quando um grupo de alunos da universidade tomou conhecimento da competição americana. Nessa trajetória, fomos premiados também no Hackton Nasa Space Apps, uma competição simultânea que acontece em mais de 200 lugares ao redor do mundo.

E quais os desafios enfrentados?

Victor Sassi: Fazer pesquisa no Brasil é um dos maiores desafios dentro da universidade e o custo financeiro do projeto é uma dos maiores empecilhos. A dificuldade financeira fez com que o baixo custo pautasse nosso projeto. As soluções encontradas para a construção do Rover nos deu notoriedade e o reconhecimento veio com o prêmio de melhor design, que obtivemos na competição de 2018.

Quanto a equipe investiu na criação e produção do protótipo?

Victor Sassi: Nosso protótipo custou algo em torno de mil dólares, enquanto os veículos de outras equipes custaram por volta de U$ 7.000,00. Atualmente, nossa maior dificuldade está sendo levantar os recursos para a compra das passagens. Para levar a equipe toda, vamos precisar aproximadamente de R$ 27.500,00.

A UFF ou alguma entidade patrocinadora como a Faperj, Capes, etc., investiram no projeto?

Victor Sassi: Temos alguns patrocinadores, como a AEB (Agência Espacial Brasileira), a Escola de Engenharia da UFF e o Instituto Gay Lussac. Temos outros que patrocinam com serviços, como as empresas Altapint e Altec.

A NASA irá premiar os melhores projetos e protótipos?

Victor Sassi: Na competição existem 15 premiações diferentes. Nossa premiação do ano passado levou em conta a fabricação, o custo e a funcionalidade.

Qual a importância do futuro veículo para a exploração espacial, para a UFF e para a sociedade?

Victor Sassi: A equipe e a competição são situações nas quais podemos aplicar o que é estudado em sala de aula. Além disso, a NASA nos oferece espaço, onde alunos interessados na área aeroespacial podem ter um norte e manter contato com os raros profissionais atuantes nesse nicho. É um lugar onde podemos desenvolver nossas ideias criativas e aplicá-las no mundo real, como, por exemplo, placas solares feitas de folhas e fibras do açaí e veículos desmontáveis.

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