Deputados tomam posse na ALERJ

Com seis deputados eleitos presos, tomaram posse dos mandatos ontem (1º) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) 64 deputados estaduais, de um total de 70. Os deputados presos terão 60 dias para tomar posse, conforme o Regimento Interno da casa.

André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinicius Neskau (PTB) foram presos em novembro na Operação Furna da Onça, e Anderson Alexandre (SD) foi preso também em novembro, acusado de participar de esquema de arrecadação ilícita em Silva Jardim, na região serrana do Rio, onde foi prefeito.

A sessão de posse foi comandada pelo deputado André Ceciliano (PT), último presidente da casa e que foi reeleito para a Alerj. Como auxiliar na sessão, Ceciliano convidou Jair Bittencourt (PP).

Ao final do juramento de todos os deputados empossados, Ceciliano lembrou das dificuldades enfrentadas pelo estado nos últimos anos com a crise financeira e destacou as votações feitas pela Alerj para ajudar o Rio de Janeiro na recuperação econômica.

“Que tenhamos um mandato de bons debates de ideias, que continuemos a buscar o consenso no dissenso, pois o estado do Rio de Janeiro precisa avançar e a vida do povo tem que melhorar. Aos colegas deputados reeleitos e eleitos, boa sorte”.

Niterói

A cidade de Niterói elegeu três deputados estaduais mantendo o mesmo número de deputados eleitos em 2014. A renovação ficou por conta do candidato do PSL Gustavo Schmidt, 31 anos, empresário, que obteve 34.869 votos. Flávio Serafini foi o segundo mais bem votado no PSOL com 61.754 votos. Waldeck Carneiro foi o terceiro mais bem votado do PT com 31.358 votos.

Filippe Poubel (PSL) fala sobre a sua experiência como vereador em Maricá e como pretende atuar na Alerj.

Renovação

Metade da Alerj foi renovada na última eleição. Apesar de 64% dos atuais deputados terem concorrido à reeleição, apenas 35 dos 45 candidatos obtiveram sucesso nas urnas. Porém, dos 35 novatos na casa, pelo menos cinco já exerciam mandatos eletivos. Além de Anderson Alexandre, que foi prefeito de Silva Jardim, Val Ceasa (Patri) é vereador do Rio de Janeiro, Filippe Poubel (PSL) de Maricá e Valdecy da Saúde (PHS) e Giovani Ratinho (PTC) são vereadores de São João de Meriti.

Filippe Poubel (PSL), falou sobre a sua experiência como vereador em Maricá e como pretende atuar na Alerj. “Maricá foi uma grande escola para mim, fui o único vereador de oposição em um município que tem um orçamento bilionário, é comandado pelo PT e tem uma câmara subserviente ao governo municipal. Essa foi uma experiência muito valiosa. Hoje eu venho para a Alerj muito capacitado para combater todas as pautas de esquerda. O Estado hoje passa por uma deficiência muito grande fiscal e se não tiver uma austeridade na Alerj e no Governo a tendência é que o Rio de Janeiro continue falido.”

A bancada que mais cresceu foi a do PSL, do presidente Jair Bolsonaro, que passou de dois deputados para 12 – a maior bancada da Alerj. Quem mais perdeu foi o PDT, que caiu de sete para três deputados; o PP, de seis para dois; e o MDB, de oito para cinco parlamentares.

Dos deputados estaduais que concorreram a outros cargos, Flávio Bolsonaro (PSL) foi eleito senador. Quatro dos 12 que tentaram uma vaga na Câmara Federal obtiveram êxito: Chistino Áureo (PP), Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Wagner Montes (PRB), falecido na semana passada.

Coronel Salema (PSL) eleito com mais de 99 mil votos comentou sobre a segurança pública.

Segurança Pública

O coronel da reserva da Polícia Militar, Fernando Salema (PSL), que já comandou o 12º BPM em Niterói, tem sua principal base eleitoral em São Gonçalo, e alcançou uma votação expressiva, ficando em 5° lugar com mais de 99 mil votos. Salema comentou sobre a segurança pública no estado.

“A corporação sofre muito com a falta de apoio jurídico, não é só a falta de recursos humanos e armamentos. O marginal hoje volta a cometer crimes com muita rapidez. O sistema acaba sendo desfavorável para o cidadão de bem e para o policial. As leis precisam favorecer a atuação policial nas ruas. Se o policial passar a ter um maior amparo para atuar em defesa da população dentro da legalidade certamente os índices de criminalidade vão diminuir. Vou trabalhar por isso. O respeito precisa voltar, quem tem que ter medo é o marginal, o bandido, e não o cidadão de bem e suas famílias.” Declarou o deputado.

 

 

O líder do PSOL Flávio Serafini cobrou que a Comissão de Ética da Casa atue de forma efetiva na análise dos casos dos parlamentares presos.

Comissão de ética

O líder do Psol, deputado Flávio Serafini, de Niterói, cobrou que a Comissão de Ética da Casa atue de forma efetiva na análise dos casos dos parlamentares presos. Ele lembrou que a Alerj estava com dez deputados presos ao fim da legislatura, alguns deles há mais de um ano, e a Comissão não fez o seu trabalho.

“Essa é a cara do que virou a política no estado do Rio de Janeiro e no Brasil. A gente tem seis deputados que estão presos sem terem sido julgados. Por outro lado, o parlamento não se posiciona sobre deputados presos. A gente tem o caso de deputados que estão presos há mais de um ano e a Comissão de Ética da casa não funcionou para apurar sequer as acusações contra eles. O parlamento tem que conseguir julgar os seus próprios membros, não pode delegar para a justiça. Isso é uma negligência que enfraquece a democracia, o combate à corrupção e o próprio parlamento”.

Após a posse formal de todos os deputados, a bancada do Psol fez uma homenagem a Marielle Franco, levantando no plenário placas com o nome da vereadora executada em março do ano passado ao lado do motorista Anderson Gomes. Três deputadas eleitas pelo partido faziam parte do mandato de Marielle na Câmara.

Márcio Pacheco (PSC) abriu mão de concorrer após ser convidado para o cargo de líder do governo.

Eleição da mesa

Lançado anteriormente como candidato à presidência da Alerj, o deputado Márcio Pacheco (PSC) informou que abriu mão de concorrer após ser convidado para o cargo de líder do governo. Com isso, a eleição da mesa diretora, marcada para as 15h de hoje (2), deve ocorrer com chapa única, encabeçada por André Ceciliano (PT). Pacheco destacou que, independente de divergências partidárias, todos trabalharão em prol do estado.

“O Ceciliano sempre teve uma postura de conciliador, é um bom amigo. É uma pessoa que pertence a um partido que ideologicamente diverge da posição ideológica do PSC. Mas neste momento o nosso partido é o estado do Rio de Janeiro, não cabe aqui defesas ideológicas partidárias para saber o que é melhor pro Rio. Não é o PSC, não é o PT. O partido agora é o Rio de Janeiro e todos temos que estar juntos agora para fazer o melhor pelo Rio”.

 

Redação / Com Ebc

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